Atlas da História

Vinho de uva em jarros de Gadachrili Gora e Shulaveris Gora (Geórgia): evidência bioquímica de c. 6000–5800 a.C.

c. 6000–5800 a.C. (data do artigo para a evidência mais antiga; ano astronômico −5999, a partir de datas de radiocarbono calibradas em modelo bayesiano); jarros amostrados em contextos de c. 5900–5500 a.C. · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 2017, McGovern e colegas relataram ácido tartárico e outros ácidos orgânicos ligados a uva e vinho em bases de grandes jarros de cerâmica de Gadachrili Gora e Shulaveris Gora, duas aldeias neolíticas do sul da Geórgia. Segundo os autores, as análises químicas, o pólen e a datação por radiocarbono calibrada indicam vinho de uva por volta de 6000–5800 a.C., a evidência biomolecular mais antiga do Oriente Próximo que eles conheciam. Eles dizem que ainda não se pode atribuir prioridade a uma região, entre o Cáucaso Sul, o norte da Mesopotâmia e as montanhas da Anatólia e do Zagros.

Onde e o que foi analisado

Segundo McGovern e colegas (2017), Shulaveris Gora e Gadachrili Gora ficam a menos de 2 km um do outro, na província de Kvemo Kartli, a cerca de 50 km ao sul de Tbilisi. Cada uma é uma pequena aldeia de cerca de 1 ha, com estruturas circulares de tijolo de barro de 1 a 5 m de diâmetro, entre poços e pátios; os autores situam a cultura Shulaveri-Shomutepe em c. 5900–5000 a.C. Foram amostrados 18 jarros de Gadachrili (6 fragmentos de corpo e 12 de base) e um de Shulaveris, mais amostras de solo dos mesmos contextos para controlar a contaminação. Dois fragmentos escavados nos anos 1960 em Shulaveris foram reanalisados com métodos mais sensíveis. (McGovern et al. 2017)

Os jarros

Os autores descrevem jarros grandes, entre os tipos de cerâmica mais comuns dos sítios da cultura. Um exemplar reconstituído, de Khramis Didi-Gora, tem quase 1 m de altura e 1 m de largura, com volume acima de 300 L, e base pequena e achatada, de cerca de um quarto do diâmetro máximo. Alguns têm bolinhas e tiras de argila aplicadas, que o artigo diz já terem sido lidas como um cacho de uvas esquemático. As marcas de queima indicam fogo aberto, não forno, e marcas de tecido nas bases sugerem, segundo os autores, que os recipientes podem ter sido girados sobre uma roda lenta. (McGovern et al. 2017)

Resultados químicos e botânicos

Por LC-MS-MS, cinco bases de Gadachrili e três de Shulaveris tiveram ácido tartárico e também málico, succínico e cítrico, ácidos associados a uva e vinho. Nos jarros de Gadachrili o ácido tartárico superou o do solo vizinho em 3,4 a 12,4 vezes. Havia pólen de uva em muitos contextos neolíticos e ausente na camada superficial moderna, além de indícios de amido e epiderme de videira e restos de moscas-das-frutas num caco. Segundo os autores, isso mostra que videiras cresciam perto das aldeias; se silvestres ou domesticadas, eles não sabem. (McGovern et al. 2017)

Comparação com Hajji Firuz e o debate sobre prioridade

McGovern e colegas (2017) lembram que, até então, o vinho mais antigo do Oriente Próximo vinha de Hajji Firuz Tepe, no noroeste do Irã, c. 5400–5000 a.C.: seis jarros de cerca de 9 L enterrados no chão de uma cozinha, dos quais dois, analisados, tinham ácido tartárico e resina de árvore. Nos jarros georgianos não apareceu resina nem outro aditivo. Os autores observam que os sítios do Irã, do Cáucaso Sul, do norte da Mesopotâmia e da Anatólia oriental estão todos na área da videira silvestre e dizem que ainda não se pode atribuir prioridade a nenhum deles. (McGovern et al. 2017)

Do vinho ao pão: a leitura georgiana de 2026

Rusishvili e colegas (2026), do Museu Nacional da Geórgia e parceiros, descrevem a pesquisa iniciada em 2014 pelo Serviço Nacional do Vinho da Geórgia e pelo museu, com sítios datados entre 6000 e 5200 a.C. Eles resumem que a população de Kvemo Kartli se dedicava à viticultura e à vinificação por volta de 6000 a.C. e que, nas coleções paleobotânicas, não há uvas domesticadas, só abundante pólen. Os mesmos autores ligam o vinho ao trigo-comum achado nos mesmos sítios (registro próprio) e falam de uma história de 8.000 anos de vinificação na região. (Rusishvili et al. 2026)

Fontes

  1. McGovern, Patrick; Jalabadze, Mindia; Batiuk, Stephen; Callahan, Michael P.; Smith, Karen E.; Hall, Gretchen R.; Kvavadze, Eliso; Maghradze, David; Rusishvili, Nana; Bouby, Laurent; Failla, Osvaldo; Cola, Gabriele; Mariani, Luigi; Boaretto, Elisabetta; Bacilieri, Roberto; This, Patrice; Wales, Nathan; Lordkipanidze, David (2017). "Early Neolithic wine of Georgia in the South Caucasus". Proceedings of the National Academy of Sciences 114(48): E10309–E10318. DOI 10.1073/pnas.1714728114 (resolve em doi.org). Texto completo baixado pela API do Europe PMC, PMC5715782, em 29/10/2026. Acessar
  2. Rusishvili, Nana; Jalabadze, Mindia; Mosulishvili, Marine; Batiuk, Stephen; Maghradze, David; Boaretto, Elisabetta; Martkoplishvili, Inga; Meladze, Nana; Lordkipanidze, David (2026). "An independent center for the origin of bread wheat in the Neolithic period of Georgia in the South Caucasus". Proceedings of the National Academy of Sciences 123(19): e2537697123. DOI 10.1073/pnas.2537697123 (resolve em doi.org). Texto completo baixado pela API do Europe PMC, PMC13167720, em 29/10/2026. Acessar

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