Atlas da História

Australopithecus bahrelghazali

c. 3,6 milhões de anos atrás (3,58 ± 0,27; idade mínima de 3,3: Lebatard et al. 2008) · África Central

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Australopiteco conhecido por uma mandíbula achada em Koro Toro, no Chade, a cerca de 2.500 km a oeste do Vale do Rift, com idade estimada em cerca de 3,6 milhões de anos. Seus descritores a veem como espécie à parte; muitos especialistas a tratam como Au. afarensis, e a espécie é contestada.

A mandíbula de Koro Toro

Em 1993, uma prospecção em formações do Plioceno e do Pleistoceno da província de Borkou-Ennedi-Tibesti, no Chade, levou a 17 sítios novos na região de Bahr el Ghazal, perto de Koro Toro. No sítio KT 12, a equipe achou uma mandíbula de australopiteco associada a uma fauna que, por biocronologia, teria de 3,0 a 3,5 milhões de anos. Brunet et al. (1995) viram nela a morfologia mais parecida com a de Au. afarensis. (Brunet et al. 1995)

A idade e os contemporâneos

Lebatard et al. (2008) mediram a razão berílio-10/berílio-9 numa lente de pelito dentro do nível que continha a mandíbula e obtiveram 3,58 ± 0,27 milhões de anos, e dizem que a localidade tem pelo menos 3,3 milhões de anos, em acordo com a biocronologia da fauna. Isso torna Au. bahrelghazali contemporâneo de Au. afarensis e, em especial, de Lucy, estimada em cerca de 3,18 milhões de anos. No mesmo trabalho, os autores datam também o local de Sahelanthropus tchadensis, no Chade, entre 6,8 e 7,2 milhões de anos. (Lebatard et al. 2008)

Espécie à parte ou variação de Au. afarensis

Hanegraef et al. (2024) escrevem que a espécie foi nomeada a partir de fósseis de cerca de 3,6 milhões de anos do Chade, mas que a interpretação teve pouca aceitação porque a diferença em relação a Au. afarensis é percebida como insuficiente. Haile-Selassie et al. (2016) lembram que o nome se baseou em um único fragmento de mandíbula e que os traços distintivos de Au. bahrelghazali foram atribuídos a variação geográfica. (Hanegraef et al. 2024; Haile-Selassie et al. 2016)

Uma distribuição bem mais ampla

Para Haile-Selassie et al. (2016), a descoberta de Au. bahrelghazali foi o primeiro indício de mais de uma espécie de hominíneo contemporânea com mais de 3 milhões de anos. Embora o nome se apoie em um único fragmento de mandíbula, o achado a 2.500 km dos sítios do Rift mostrou que os hominíneos tinham distribuição geográfica mais ampla do que se pensava. Na mesma bacia do Chade fica o local de Sahelanthropus tchadensis, datado em Lebatard et al. (2008). (Haile-Selassie et al. 2016; Lebatard et al. 2008)

Fontes

  1. Brunet, M.; Beauvilain, A.; Coppens, Y.; Heintz, E. et al. (1995). "The first australopithecine 2,500 kilometres west of the Rift Valley (Chad)". Nature 378: 273–275. DOI 10.1038/378273a0. Acessar
  2. Lebatard, A.-E.; Bourlès, D. L.; Duringer, P.; Jolivet, M. et al. (2008). "Cosmogenic nuclide dating of Sahelanthropus tchadensis and Australopithecus bahrelghazali: Mio-Pliocene hominids from Chad". Proceedings of the National Academy of Sciences 105(9): 3226–3231. DOI 10.1073/pnas.0708015105. Acessar
  3. Hanegraef, H.; Leakey, M. G.; Leakey, L. N.; Spoor, F. (2024). "Mid-Pliocene hominin diversity revisited". Comptes Rendus Palevol 23(29). DOI 10.5852/cr-palevol2024v23a29. Acessar
  4. Haile-Selassie, Y.; Melillo, S. M.; Su, D. F. (2016). "The Pliocene hominin diversity conundrum: Do more fossils mean less clarity?". Proceedings of the National Academy of Sciences 113(23): 6364–6371. DOI 10.1073/pnas.1521266113. Acessar

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