Atlas da História

Bagaudas na Tarraconense (441–454): o que Idácio registra e como Salviano de Marselha explica quem eram

441 a 443 (campanha de Asturio e Merobaudes), 449 (Basílio em Tarazona) e 454 (Frederico), segundo Sanz Huesma (2021) a partir de Idácio · Europa Mediterrânea, Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Idácio, bispo galaico, registra bagaudas na Tarraconense em três momentos: uma multidão derrotada por Asturio e Merobaudes entre 441 e 443, um grupo reunido por Basílio que em 449 matou federados e o bispo Leão em Tarazona, e o fim deles diante do godo Frederico em 454. Ele não diz por que se rebelaram; Sanz Huesma (2021) propõe que eram camponeses em conflito com o poder imperial por motivo desconhecido. Salviano de Marselha, em De gubernatione Dei, responde que juízes e cobradores romanos 'fizeram' os bagaudas ao despojar e torturar, e que se chamam de rebeldes os que foram forçados a ser criminosos.

O que Idácio registra

No texto latino, Idácio escreve que Asturio, comandante dos dois exércitos, foi enviado à Hispânia e matou uma multidão de bagaudas da Tarraconense; seu genro Merobaudes, que o sucede, quebra em pouco tempo a insolência dos bagaudas de Aracelli. Mais adiante diz que Basílio, depois de reunir bagaudas na igreja de Tyriasso (Tarazona), matou ali federados, e que Leão, bispo daquela igreja, morreu ferido pelos que estavam com Basílio. Por fim, os bagaudas da Tarraconense são 'abatidos' pelo godo Frederico, irmão do rei Teodorico, 'por autoridade romana'. Sanz Huesma situa esses fatos em 441-443, 449 e 454. (Idácio de Chaves; Francisco Javier Sanz Huesma 2021)

Salviano: o nome que nós criamos

No capítulo que Salviano abre com 'sobre os bagaudas', ele conta que os pobres, viúvas e órfãos eram devorados pelos poderosos das cidades, que muitos de família não obscura fugiam para os bárbaros em busca da humanidade romana que os romanos negavam, e que se dizia que a injustiça fizera 'não romanos' grande parte dos hispanos e boa parte dos gauleses. Sobre os que viviam sob cobrança pública, escreve que os inimigos eram mais brandos que os cobradores, e que o fardo recaía sobre os pobres, enquanto os ricos, que aumentavam os impostos, não pagavam o que impunham. (Salviano de Marselha; Francisco Javier Sanz Huesma 2021)

Um movimento ou vários

Sanz Huesma observa que a crítica costuma tratar os bagaudas, do fim do século III ao século V, como um só movimento, e que Jerônimo já descrevia os do século III como 'multidão de camponeses'. Ele cita Collins, para quem 'bagauda' virou rótulo de movimentos parecidos e sem relação entre si, e Gebara da Silva, para quem o termo se tornou uma abstração. Também trata da manipulação do texto de Idácio por Isidoro de Sevilha e do silêncio de Idácio sobre os bagaudas gauleses, e afirma que a única fonte sobre bagaudas na Hispânia é a crônica de Idácio, com uma breve alusão em Salviano. (Francisco Javier Sanz Huesma 2021)

Fontes

  1. Francisco Javier Sanz Huesma, 'Hidacio y los bagaudas', Hispania Antiqva. Revista de Historia Antigua XLV (2021): 442-462. DOI 10.24197/ha.XLV.2021.442-462. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/8257841.pdf (PDF lido em texto bruto) Acessar
  2. Idácio de Chaves, Chronicon, texto latino (edição reproduzida em thelatinlibrary.com): https://www.thelatinlibrary.com/hydatiuschronicon.html (texto bruto lido; sem conferência com edição crítica) Acessar
  3. Salviano de Marselha, De gubernatione Dei, livro V, texto latino da edição Migne (Patrologia Latina 53) em la.wikisource.org: https://la.wikisource.org/wiki/De_gubernatione_Dei/V (texto bruto lido; sem conferência com edição crítica) Acessar

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