Atlas da História

Saque de Roma por Alarico (410): a cidade vista de fora por Orósio e Idácio e de dentro por Jerônimo e Pelágio

410 (o Wikidata dá 24 a 27 de agosto; as fontes lidas dão só o ano, e Orósio fala em três dias) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 410 as tropas de Alarico entraram em Roma e ficaram três dias na cidade. O bispo galaico Idácio anota mortes dentro e fora dos muros e perdão a quem se refugiou nos santuários dos santos, e Orósio descreve um saque contido, com poucos edifícios queimados. Jerônimo e Pelágio, citados por Meseguer Gil e Jiménez Meseguer (2017), falam de fome, tortura e de um terror que atingiu senhores e escravizados.

O que dizem Idácio e Orósio

Idácio escreve que Alarico, rei dos godos, entrou em Roma e que, enquanto havia mortes dentro e fora da cidade, foi concedido perdão a todos os que se refugiaram nos limiares dos santos; acrescenta que Placídia, filha de Teodósio e irmã do imperador Honório, foi capturada pelos godos na cidade. Orósio (VII 39) diz que o bispo Inocêncio estava em Ravena, que Alarico deu ordem de respeitar os refugiados nas basílicas dos apóstolos e que os godos saíram no terceiro dia; em VII 40 repete a captura de Placídia, depois casada com Ataulfo, e diz que o dano visível é pequeno quando se olha o povo romano de seu tempo. (Idácio de Chaves; Paulo Orósio)

O debate sobre a violência

Meseguer Gil e Jiménez Meseguer lembram que Peter Heather chamou o episódio de um dos saques urbanos 'mais civilizados' que se conhecem, que a arqueologia deixou poucos vestígios (a Basílica Emília ardeu e guarda marcas de moedas derretidas, segundo Coarelli, 2007) e que Bryan Ward-Perkins respondeu que o saque 'provavelmente não foi totalmente gentil'. Os autores propõem ler as fontes cristãs pelo que cada uma quer provar, e não só pelo que conta. Dizem também que a historiografia recente vê o exército de Alarico como heterogêneo, formado também por tropas de Radagaiso, hunos e pessoas escravizadas, e não como um povo godo homogêneo. (Antonio José Meseguer Gil e María José Jiménez Meseguer 2017)

As pessoas escravizadas segundo Zósimo

Zósimo, autor pagão de língua grega, conta no livro V, a propósito do cerco anterior a 410, que Alarico exigiu da cidade o ouro, a prata, os bens de casa e os escravizados que eram 'Barbarian slaves' (na tradução de 1814) e que, depois do acordo, quase todos os escravizados de Roma fugiram e se juntaram aos godos, em número de quarenta mil. É um relato do cerco de 408, não do saque de 410; o texto lido é uma tradução inglesa antiga e não foi conferido com o grego. (Zósimo; Antonio José Meseguer Gil e María José Jiménez Meseguer 2017)

Fontes

  1. Antonio José Meseguer Gil e María José Jiménez Meseguer, 'La interpretación providencialista del saqueo de Roma en el año 410', Hispania Antiqva. Revista de Historia Antigua XLI (2017): 357-388. DOI 10.24197/ha.XLI.2017.357-388. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/6224727.pdf (PDF lido em texto bruto) Acessar
  2. Paulo Orósio, Historiarum adversus paganos libri VII, livro VII, caps. 37 a 40, texto latino em thelatinlibrary.com: https://www.thelatinlibrary.com/orosius/orosius7.shtml (texto bruto lido; sem conferência com edição crítica) Acessar
  3. Idácio de Chaves, Chronicon, texto latino (edição reproduzida em thelatinlibrary.com): https://www.thelatinlibrary.com/hydatiuschronicon.html (texto bruto lido; sem conferência com edição crítica) Acessar
  4. Zósimo, Nea Historia, livros V e VI, em The History of Count Zosimus, tradução inglesa do grego, Londres: J. Davis, 1814. https://archive.org/details/historyofcountzo00zosiuoft (texto bruto lido em djvu.txt) Acessar

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