Batalha de Guadalete (711): a derrota do rei Rodrigo e o início da conquista omíada da Península Ibérica
verão de 711 (o Wikidata dá 19 de julho; a edição de Ibn Abd al-Hakam lida traz, entre colchetes, 11 de julho) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 711, um exército comandado por Tariq ibn Ziyad, enviado por Musa ibn Nusayr, derrotou o rei visigodo Rodrigo no sul da Península Ibérica, e o rei morreu no combate. A Crônica mozárabe de 754 localiza a luta nos 'promontórios Transductinos' e atribui a derrota também à debandada de parte do exército godo, movida por rivalidades pelo reino; Ibn Abd al-Hakam, escrevendo cerca de século e meio depois, conta a travessia do estreito com o auxílio do governador de Ceuta. As fontes lidas não trazem número de mortos; o único efetivo citado é o de Tariq (1.700 homens, segundo Ibn Abd al-Hakam).
O que a crônica de 754 diz sobre a batalha
Segundo a tradução de Al-Tamimi, a Crônica mozárabe data a luta do quinto ano de Justiniano, 93 dos árabes, era 750, e diz que Rodrigo reuniu o exército contra os árabes 'junto com os mouros enviados por Muza, isto é, Taric Abuzara e outros', que havia tempo faziam incursões e devastavam cidades. Rodrigo luta nos promontórios Transductinos, cai e o exército godo é posto em fuga. A nota do tradutor diz que o lugar exato é incerto, 'provavelmente no extremo sul da Espanha'. Albarrán Iruela identifica o topônimo, como Sánchez-Albornoz, com a região de Julia Traducta, perto de Gibraltar, provavelmente Algeciras, e observa que isso sugere um combate perto do acampamento invasor ou em local escolhido por eles. (Crônica mozárabe de 754 (Continuatio Isidoriana Hispana); Albarrán Iruela 2013)
A versão árabe: Ilyan, a travessia e o efetivo de Tariq
Na tradução de Jones, Ibn Abd al-Hakam diz que Musa deixou a Tariq o comando de um exército 'que somava 1.700'; outros dizem 12.000 berberes e 16 árabes, o que ele chama de falso. Conta que Ilyan (senhor de Ceuta, súdito de Rodrigo) mandou uma filha à corte do rei, que a engravidou, e por isso passou a ajudar Tariq, que exigiu duas filhas como reféns. Os barcos levaram a tropa à noite, sem que os habitantes notassem, tomando-os por embarcações de comércio. Rodrigo veio de Toledo, houve combate 'num lugar chamado Shedunia' e ele morreu. A edição acrescenta entre colchetes a data de 11 de julho de 711 e a foz do rio Barbate. (Ibn Abd al-Hakam; Albarrán Iruela 2013)
Datas e lugares que não coincidem
O Wikidata dá 19 de julho de 711 e coordenadas do Guadalete; a edição de Ibn Abd al-Hakam, 11 de julho de 711 e o Barbate; a crônica de 754 põe a luta na era 750, que Al-Tamimi converte em 712, ano que Albarrán Iruela considera um erro de um ano do cronista, que de resto tem cronologia 'bastante exata'. Quanto ao lugar, Albarrán Iruela lembra que o debate vai da tradicional batalha do Guadalete até a tese de Joaquín Vallvé, que a leva à atual região de Múrcia, e não toma partido nele. (Albarrán Iruela 2013; Crônica mozárabe de 754 (Continuatio Isidoriana Hispana); Ibn Abd al-Hakam)
Fontes
- Albarrán Iruela, Javier (2013). "Dos crónicas mozárabes, fuentes para el estudio de la conquista de al-Ándalus". Revista Historia Autónoma, n. 2, março de 2013, ISSN 2254-8726. DOI 10.15366/rha2013.2.003. Acessar
- Crônica mozárabe de 754 (Continuatio Isidoriana Hispana), autor anônimo; tradução inglesa e comentário de Aymenn Jawad Al-Tamimi, "The Mozarabic Chronicle: Full Translation and Analysis", 22 set. 2019. https://aymennjawad.org/23270/the-mozarabic-chronicle-full-translation Acessar
- Ibn Abd al-Hakam, History of the Conquest of Spain, trad. John Harris Jones (Göttingen: W. Fr. Kaestner, 1858), pp. 18-22, em Internet Medieval Sourcebook (Fordham University). https://sourcebooks.fordham.edu/source/conqspain.asp Acessar
Na mesma região
- Covadonga (c. 718–722): a revolta de Pelayo contada pelas crônicas asturianas e a dúvida sobre o que de fato ocorreu c. 718 (Chalmeta e Sánchez Saus); o Wikidata dá 718 e 722
- Paulo Diácono (Paulus Diaconus), monge lombardo de Cividale e Montecassino, autor da Historia Langobardorum, c. 725–c. 799 nasceu em Cividale entre 720 e 730; morreu em 13 de abril ou 21 de julho de um dos últimos anos do séc. VIII (799 é data só convencional), segundo Capo (2014)
- Irene de Atenas, imperatriz bizantina que reinou em nome próprio e restabeleceu a veneração das imagens, c. 752–803 nasceu em Atenas por volta de 752; morreu na ilha de Lesbos em 803
- Comentário ao Apocalipse atribuído a Beato de Liébana, datado de 776, e seu primeiro mapa-múndi, hoje perdido datado de 776 (era hispânica 814) por datas contidas nos manuscritos, segundo García-Aráez Ferrer (2001-2002); outras duas versões do texto são posteriores
- Edito de Rotário (643), primeira lei lombarda escrita 22 nov. 643 (data do prólogo, segundo o Mapping Medieval Peasants)
- Mesquita-Catedral de Córdova c. 786 (Wikidata); ampliações até o séc. X