Edito de Rotário (643), primeira lei lombarda escrita
22 nov. 643 (data do prólogo, segundo o Mapping Medieval Peasants) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 643, o rei lombardo Rotário mandou pôr por escrito, em latim, o direito consuetudinário do seu povo, antes transmitido pela memória dos anciãos. O prólogo dá como motivos a vexação dos pobres e as exações excessivas, e promete reunir as leis num só volume. Leis posteriores de reis lombardos o completaram até o séc. IX. Os historiadores discutem se o texto reflete um direito lombardo vivo ou uma obra de redatores romanos, e de onde vem o seu vocabulário jurídico.
Um direito antes só lembrado
O edito de Rotário é a primeira codificação escrita do direito consuetudinário lombardo, redigida em latim. Segundo D'Argenio, o rei afirma recolher as normas dos antigos, transmitidas oralmente pelos anciãos, e as põe por escrito para que valham em todo o reino. O texto foi aprovado numa assembleia dos homens livres, o que lhe dava força coletiva. O Mapping Medieval Peasants reproduz o prólogo em latim e a tradução de Drew e fixa a data em 22 de novembro de 643, a que se refere o registro. (D'Argenio 2019; Mapping Medieval Peasants (ÖAW/ACDH) 1973)
Os motivos declarados no prólogo
Rotário diz que escreveu a lei por causa das contínuas aflições dos pobres e das exações excessivas, e para reunir as leis num único volume. A expressão sugere um programa de justiça régia. O prólogo é uma fala do rei e não prova que as exações diminuíram; faltam nas fontes lidas dados sobre a aplicação do edito nos tribunais. (Mapping Medieval Peasants (ÖAW/ACDH) 1973; D'Argenio 2019)
Latim romano, direito lombardo?
O vocabulário do prólogo imita o preâmbulo de uma Novela de Justiniano, e D'Argenio discute como entender a cópia. Calasso a lê como repetição mecânica de um modelo; Paradisi, como um uso consciente do sentido duplo de "lex", ao mesmo tempo lei escrita e costume. Azzara e Gasparri sugerem uma elaboração em duas etapas, com a norma pensada em lombardo e depois vertida ao latim por redatores romanos. A questão está aberta nas fontes lidas. (D'Argenio 2019)
Um texto que os reis seguintes completaram
Segundo D'Argenio, o edito de 643 foi sendo ampliado por novas leis. Grimoaldo acrescentou normas em 668 e Liutprando, entre 713 e 735. Depois vieram Ratchis, Astolfo (em 750 e 755), Arechis (774–787) e, em 866, Adelchis. A longa série mostra que o edito permaneceu como base do direito lombardo. A autora o apresenta também como obra de identidade política de um reino que se pensava como povo distinto. (D'Argenio 2019)
Fontes
- D'Argenio, G. (2019). Artigo sobre o Edito de Rotário em italiano. Acta Antiqua Academiae Scientiarum Hungaricae 59, pp. 353–365. DOI 10.1556/068.2019.59.1-4.31. Texto bruto lido em 28/10/2026. Acessar
- Mapping Medieval Peasants (ÖAW/ACDH), verbetes "Edictus Rothari" e da stele 5108, com o prólogo em latim e a tradução inglesa de K. F. Drew (1973). Texto bruto lido em 28/10/2026.
Na mesma região
- IV Concílio de Toledo (633) e o cânon 57 sobre a conversão dos judeus na Hispânia visigoda 633 (Nemo-Pekelman; Wikidata: início em 5 dez. 633)
- Etimologias (Etymologiae) de Isidoro de Sevilha primeira metade do séc. VII (Ferri); datas exatas de início e fim da redação não constam na fonte lida
- III Concílio de Toledo (589): a conversão do rei Recaredo e do povo godo ao catolicismo, os cânones sobre judeus, viúvas e idolatria 8 de maio de 589 ("die VIII Id. Maiar. era DCXXVII", 4º ano do rei Recaredo, segundo as atas; Wikidata P585: 589)
- Batalha de Guadalete (711): a derrota do rei Rodrigo e o início da conquista omíada da Península Ibérica verão de 711 (o Wikidata dá 19 de julho; a edição de Ibn Abd al-Hakam lida traz, entre colchetes, 11 de julho)
- Covadonga (c. 718–722): a revolta de Pelayo contada pelas crônicas asturianas e a dúvida sobre o que de fato ocorreu c. 718 (Chalmeta e Sánchez Saus); o Wikidata dá 718 e 722
- Entrada dos lombardos na Itália (568 ou 569): a saída da Panônia, o Friuli e a lenda do convite de Narses 568 ou 569 (Paulo Diácono: saída da Panônia em abril de 568, depois da Páscoa; Secundo de Trento, via nota de Foulke: entrada em maio de 569)