Atlas da História

Comentário ao Apocalipse atribuído a Beato de Liébana, datado de 776, e seu primeiro mapa-múndi, hoje perdido

datado de 776 (era hispânica 814) por datas contidas nos manuscritos, segundo García-Aráez Ferrer (2001-2002); outras duas versões do texto são posteriores · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Segundo García-Aráez Ferrer (2001-2002), os comentários ao Apocalipse atribuídos a Beato de Liébana foram datados de 776 por datas dos próprios manuscritos, e o primeiro exemplar ilustrado, hoje perdido, teria trazido um mapa-múndi do qual descendem os 14 mapas conservados dos "beatos". O mesmo autor aponta a atribuição a Beato como apoiada em argumentos pouco sólidos e vê, entre as fontes do texto, a forte presença do africano Ticônio. Beato é conhecido também como coautor, com Eterio de Osma, de uma refutação ao adocionismo do arcebispo Elipando de Toledo.

Um texto de colagens

García-Aráez descreve os comentários dos beatos como uma catena: a maioria das fontes aporta fragmentos que se reúnem para formar o texto. O próprio autor nomeia Jerônimo, Agostinho, Ambrósio, Fulgêncio, Gregório de Elvira, Ticônio, Ireneu, Apríngio de Beja e Isidoro. A pesquisa citada identifica a fonte mais usada na obra do africano Ticônio e fragmentos de Agostinho e de Fulgêncio de Ruspe, o que mostra, diz ele, o predomínio da influência africana. Martín Iglesias (2023) mostra um trabalho parecido no Apologeticum, de Beato e Eterio de Osma, escrito no fim de 785: corrige 26 fontes de Löfstedt e acrescenta mais de 270. (García-Aráez Ferrer; Martín Iglesias 2023)

O mapa-múndi do primeiro beato

Dos manuscritos ilustrados dos beatos, 14 conservam um mapa-múndi, em geral em página dupla, que mostra a dispersão dos apóstolos, com o busto de cada um no lugar evangelizado. Segundo García-Aráez, todos seguem um primeiro modelo, do exemplar de 776, que se perdeu. O mais antigo conservado é o do beato de Magius, de cerca de 940, hoje na Morgan Library, em Nova York, e um dos mais recentes é o de Saint-Sever, do último terço do séc. XI. Os mapas incluem o quarto continente de que fala Isidoro de Sevilha, e já o mais antigo mostra, segundo o autor, uma retomada de nomes de lugares clássicos ausente em outros mapas da época. (García-Aráez Ferrer)

Os mapas mais antigos e a ponte africana

Seguindo Edson, García-Aráez conta que só três mapas-múndi conservados são anteriores a 800: o de Albi, da segunda metade do séc. VIII, talvez feito na Hispânia ou no sudeste da França, o do manuscrito do Vaticano, ligado ao sul da França, e o do primeiro beato, perdido. Para explicar como obras africanas chegaram a Beato, o artigo aponta a presença bizantina no norte da África e, por cerca de setenta anos, no levante hispânico (c. 555–624, com datas duvidosas), e lembra que o Pentateuco de Ashburnham, de origem norte-africana, tem semelhanças com alguns beatos. (García-Aráez Ferrer)

Fontes

  1. García-Aráez Ferrer, Hermenegildo (2001-2002). "Acerca del origen del mapamundi de los Beatos". Miscelánea Medieval Murciana XXV-XXVI, p. 39-65. Repositório da Universidade de Murcia (PDF baixado em 30/10/2026).
  2. Martín Iglesias, José Carlos (2023). "Las fuentes del Apologeticum aduersus Elipandum de Beato de Liébana y Eterio de Osma". Brepols. Repositório Gredos, handle http://hdl.handle.net/10366/167862 (resumo lido em 30/10/2026; o PDF completo não foi lido). Acessar

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