Atlas da História

Batalha de Hattin (1187): o exército do reino de Jerusalém cercado nos Cornos de Hattin

3 a 4 de julho de 1187 (calendário juliano; o Wikidata dá de 3 a 4 de julho, a Carta a Archumbald põe o primeiro combate na sexta, 3 de julho, e Dajani-Shakeel data a batalha decisiva no sábado, 24 Rabi' II de 583 = 4 de julho) · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 3 e 4 de julho de 1187, perto dos Cornos de Hattin, a oeste do mar da Galileia, o exército do reino latino de Jerusalém, comandado pelo rei Guido de Lusignan, foi cercado e vencido pelas forças de Saladino. O rei, Reinaldo de Châtillon, os mestres do Templo e muitos barões foram capturados e a Santa Cruz foi perdida; a Carta a Archumbald, escrita menos de dois meses depois, diz que só cerca de 200 cavaleiros e soldados escaparam. Segundo Dajani-Shakeel, a derrota deixou Jerusalém sem a maior parte de seus homens e permitiu a Saladino retomar em dois meses quase todo o interior e os portos entre Ascalon e Jubail, menos Tiro.

Leia sobre isto

De Saffuriya aos Cornos de Hattin: versões da marcha

As quatro versões lidas concordam que o exército de Guido saiu das fontes de Saffuriya para socorrer Tiberíades e foi hostilizado por Saladino sob calor intenso, mas divergem nos detalhes. Na versão de Lyon do Eracles, o rei aceitou o conselho do conde de Trípoli de acampar sem água; na de Colbert-Fontainebleau, o conde propôs desviar para Hattin, onde haveria fontes, e os muçulmanos chegaram à água primeiro. A Carta a Archumbald dá outro quadro: o rei teria ao menos 30.000 homens em Saffuriya, Saladino viria com 80.000 cavaleiros, o primeiro combate foi em Meskenah na sexta-feira, 3 de julho, e o ataque do mestre do Templo, sem apoio, destruiu a maior parte de seus irmãos. As cifras da carta são afirmações do remetente, sem contagem conhecida. (Continuação em francês antigo de Guilherme de Tiro (Eracles) e tradução inglesa de Peter W. Edbury em The Conquest of Jerusalem and the Third Crusade: Sources in Translation (Ashgate 1187; Carta a Archumbald e tradução inglesa de Peter W. Edbury 1998)

Fogo, sede e deserções

O Eracles de Lyon conta que Saladino mandou acender mato seco ao redor do acampamento cristão e esvaziar, à vista dos sitiados, jarros de água trazidos do mar de Tiberíades; a versão de Colbert-Fontainebleau fala de um capinzal incendiado pelo vento. Nas duas, cinco cavaleiros da divisão do conde de Trípoli foram a Saladino e disseram que os cristãos estavam perdidos, e quando o conde atacou, os muçulmanos abriram passagem e fecharam as fileiras atrás dele. Al-'Umari dá a mesma cena do lado muçulmano: Taqi al-Din 'Umar, senhor de Hama, deixou o conde passar e fechou a linha. A Carta a Archumbald diz que Saladino mandou Taqi al-Din contra o exército com 20.000 cavaleiros escolhidos, depois que desertores informaram sobre o estado do rei. (Continuação em francês antigo de Guilherme de Tiro (Eracles) e tradução inglesa de Peter W. Edbury em The Conquest of Jerusalem and the Third Crusade: Sources in Translation (Ashgate 1187; Carta a Archumbald e tradução inglesa de Peter W. Edbury 1998; al-'Umari (séc. XIV))

Cativos, a Santa Cruz e a morte de Reinaldo

As fontes lidas citam entre os capturados o rei Guido, o mestre do Templo, Reinaldo de Châtillon, o marquês Guilherme, o condestável Amalrico, Humberto de Toron e Hugo de Jubail, e dizem que a Santa Cruz foi perdida. No Eracles de Lyon, Saladino ofereceu ao rei um cálice de xarope com água; Reinaldo recusou-se a beber, respondeu que cortaria a cabeça de Saladino se estivessem em lugares trocados e foi atravessado pela espada do sultão, depois decapitado por mamelucos. Em al-'Umari, o sultão corta o pescoço de Reinaldo por ele ter bebido sem permissão e por sua quebra de fé. Dajani-Shakeel lista como sobreviventes que atravessaram as linhas Raimundo de Trípoli, Reinaldo de Sídon e Balian de Ibelin, três chefes que, segundo ela, tinham boas relações com Saladino e eram suspeitos de cumplicidade pelos latinos. (Continuação em francês antigo de Guilherme de Tiro (Eracles) e tradução inglesa de Peter W. Edbury em The Conquest of Jerusalem and the Third Crusade: Sources in Translation (Ashgate 1187; al-'Umari (séc. XIV); Dajani-Shakeel 1988)

Depois da batalha

Dajani-Shakeel descreve Jerusalém logo após Hattin: sem o rei, seus conselheiros, os mestres do Templo e do Hospital e grande parte dos cavaleiros das duas ordens, sofrendo falta de homens e de comida porque a batalha ocorreu na época da colheita e as safras se perderam. Em dois meses, de julho a setembro, Saladino retomou as cidades e fortalezas do interior, menos Jerusalém, Kerak e Shawbak, e os portos entre Ascalon e Jubail, exceto Tiro, e passou a ter a frota entre Alexandria e Acre. A continuação francesa lembra que, anos depois, um irmão do Templo disse ter enterrado a Santa Cruz e escavou três noites sem achá-la. (Dajani-Shakeel 1988; Continuação em francês antigo de Guilherme de Tiro (Eracles) e tradução inglesa de Peter W. Edbury em The Conquest of Jerusalem and the Third Crusade: Sources in Translation (Ashgate 1187)

Fontes

  1. Continuação em francês antigo de Guilherme de Tiro (Eracles), versões de Lyon e de Colbert-Fontainebleau, início do séc. XIII; tradução inglesa de Peter W. Edbury em The Conquest of Jerusalem and the Third Crusade: Sources in Translation (Ashgate, 1998), reproduzida em De Re Militari, "The Battle of Hattin (1187): Four Accounts", 11/01/2014. https://deremilitari.org/2014/01/the-battle-of-hattin-1187-four-accounts/ (acesso em 30/10/2026). Acessar
  2. Carta a Archumbald, mestre dos Hospitalários na Itália, escrita menos de dois meses depois da batalha, segundo o editor; tradução inglesa de Peter W. Edbury (1998), reproduzida em De Re Militari, "The Battle of Hattin (1187): Four Accounts", 11/01/2014. https://deremilitari.org/2014/01/the-battle-of-hattin-1187-four-accounts/ (acesso em 30/10/2026). Acessar
  3. al-'Umari (séc. XIV), Masalik al-absar fi mamalik al-amsar, anais de 1146 a 1343 (passagem sobre Hattin); tradução inglesa de Eva Rodhe Lundquist, Saladin and the Crusaders: Selected annals from Masalik al-absar fi mamalik al-amsar (Lund: Studia Orientalia Lundensia 5, 1992), reproduzida em De Re Militari, 11/01/2014. https://deremilitari.org/2014/01/the-battle-of-hattin-1187-four-accounts/ (acesso em 30/10/2026). Acessar
  4. Dajani-Shakeel, Hadia (1988). "Some Medieval Accounts of Salah al-Din's Recovery of Jerusalem (Al-Quds)". In: Nashabe, Hisham (org.), Studia Palaestina: Studies in honour of Constantine K. Zurayk. Beirute: Institute for Palestine Studies, 1988. Reproduzido no Internet Medieval Sourcebook, Fordham University: https://sourcebooks.fordham.edu/med/salahdin.asp (acesso em 30/10/2026). Acessar

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