O que foram as Cruzadas? Os relatos de quem as viveu
Aprofundamento · Guerras e conflitos · 2.885 palavras
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Texto preparado a partir das fontes citadas; edição e revisão de Gabriel Fontes. Como escrevemos.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Na sexta-feira, 15 de julho de 1099, os soldados da Primeira Cruzada entraram em Jerusalém. Um cronista latino da expedição, Raimundo de Aguilers, escreve que no Templo e no pórtico de Salomão "homens cavalgaram em sangue até os joelhos e as rédeas", e chama isso de "julgamento justo e esplêndido de Deus" 1. Para ele, era motivo de festa.
Um cronista muçulmano de Damasco, Ibn al-Qalanisi, conta a mesma queda de outro ângulo. Diz que uma grande multidão foi morta, que os judeus reunidos na sinagoga foram queimados vivos e que os santuários e o túmulo de Abraão foram destruídos 2. Os dois textos falam do mesmo dia e quase não parecem falar da mesma coisa.
Este artigo percorre nove episódios entre 1099 e 1212, de Jerusalém a Las Navas de Tolosa, na Espanha, e pergunta: o que foram as Cruzadas, segundo quem as viveu, de um lado e do outro? Há vozes latinas, árabes, armênias, bizantinas e judaicas, e cada uma lê o que viu com os olhos da própria fé. Quando dão números, o artigo diz de quem é o número. Para o quadro geral, veja o pilar Guerras.
Em resumo
- Em 1099 os cruzados tomaram Jerusalém com matança e saque. As fontes concordam nisso e divergem nas cifras: de cerca de 10.000 mortos a mais de 70.000, segundo quem conta.
- Os cronistas dos dois lados explicam as vitórias e as derrotas por Deus e pelo pecado. Mas também registram a briga entre os próprios príncipes, cristãos e muçulmanos, como causa das perdas.
- A violência não ficou na Terra Santa: atingiu os judeus de York em 1190 e os bizantinos de Constantinopla em 1204, cristãos como os cruzados.
- Os relatos de Jerusalém em 1187 e de Acre em 1191 mostram dois tratamentos diferentes para prisioneiros e cidadãos vencidos: resgate num caso, execução no outro.
- Faltam muitas vozes. Quase tudo o que sabemos vem de cronistas homens, letrados, ligados a uma corte ou a uma Igreja, e muitas fontes aqui foram lidas só em tradução.
Jerusalém, 1099: um cerco e três relatos latinos
A cidade estava nas mãos do vizir fatímida al-Afdal, do Egito. Segundo Ibn al-Athir, ele a tomara dos filhos de Artuq em agosto de 1096, com mais de quarenta engenhos de cerco 2. Os francos sitiaram a cidade por mais de seis semanas e construíram duas torres 2. O cerco e a tomada de Jerusalém podem ser vistos no mapa.
Os relatos latinos da entrada divergem nos detalhes (a torre de Letoldo no Gesta, as torres de madeira e a ponte levadiça em Raimundo, a fuga desordenada em Fulquério), mas coincidem num ponto: o Templo foi onde mais gente morreu 3,1,4.
Depois veio a limpeza. O Gesta diz que os mortos foram arrastados para fora por muçulmanos vivos e empilhados "como casas", em piras que ninguém sabia contar "exceto Deus" 3. Ibn al-Athir confirma que um grupo refugiado no oratório de Davi rendeu-se em troca da vida e partiu a salvo para Ascalão, e que os francos cumpriram a palavra 3,2. Fulquério acrescenta um detalhe cru: soldados queimaram corpos para achar moedas de ouro que os mortos teriam engolido 4.
Quantos morreram
Aqui as fontes se afastam. Fulquério fala em "quase dez mil" mortos no templo de Salomão, onde "nem mulheres nem crianças foram poupadas" 4. Ibn al-Athir, que escreveu no século XIII, fala em "mais de 70.000" em al-Aqsa 2. Ibn al-Qalanisi diz só "uma grande multidão", e o Gesta afirma que ninguém sabe o número 2,3. Nenhuma das cifras é uma contagem.
Ibn al-Athir também cria um problema de memória. Konrad Hirschler chama sua versão de "narrativa islâmica", a de um confronto entre francos e muçulmanos, e sustenta que as fontes árabes mais antigas não mostram em Jerusalém uma carnificina maior que em Antioquia, Cesareia ou Maarat al-Numan. Para ele, a imagem de matança sem igual só se firma décadas depois 5. Contra essa leitura está Kedar, que em 2004 concluiu que o massacre de Jerusalém foi "consideravelmente mais extenso" que os de outras cidades 5. A disputa é sobre a extensão e sobre a memória, não sobre se houve massacre: Hirschler diz que as fontes mais próximas não deixam dúvida de que houve 5.
Edessa, 1144: a queda vista por um latino e por um armênio
A primeira grande perda dos Estados latinos veio em dezembro de 1144, quando Zengi, senhor de Mossul, tomou Edessa, capital de um condado cruzado. Dois autores contam o fim, com explicações diferentes.
Guilherme de Tiro, historiador do reino de Jerusalém, culpa a briga entre os príncipes latinos. O conde Joscelino II vivia em Turbessel e a guarda da cidade era de mercenários que esperavam um ano ou mais pelo soldo 6. Segundo ele, o conde e Raimundo de Antioquia, em ódio aberto, pouco se importavam com a desgraça um do outro. Guilherme descreve os edessenos como "homens pouco guerreiros", acostumados só ao comércio: o julgamento de um latino, sem voz dos edessenos 6. Sapadores abriram uma brecha de mais de cem côvados na muralha 6.
As duas fontes coincidem num ponto: muita gente morreu na pressa de entrar na cidadela. Guilherme diz que a multidão sufocou muitos, entre eles o arcebispo Hugo. Gregório fala em "cerca de 2.000 almas" sufocadas, incluindo o bispo dos francos 6,7.
Gregório acrescenta que Zengi, ao ver o que acontecia, "se arrependeu" e mandou embainhar as espadas. Ainda assim, mandou matar os francos capturados diante dele e levar cativos as mulheres e as crianças deles 7. Essa cifra de 2.000 é a única das duas fontes, e nenhuma traz o total de mortos ou de cativos.
Lisboa, 1147: uma cruzada no caminho
Nem toda cruzada foi para o Oriente. Em 1147, uma frota de cruzados anglo-normandos, flamengos e renanos, a caminho da Terra Santa, parou na Península Ibérica e juntou-se ao rei Afonso I de Portugal para cercar Lisboa. O principal relato, o De expugnatione Lyxbonensi, é de um clérigo anglo-normando que, segundo Susanna Throop, testemunhou o cerco 8. (A atribuição a um "Osbernus", feita pelo Sourcebook, não foi conferida.)
O texto reproduz o acordo que o rei teria jurado: os francos ficariam com os bens do inimigo e poderiam despojar a cidade antes de entregá-la 9. O cerco durou quase dezessete semanas. Em 23 de outubro os cruzados decidiram entrar à força, e no dia seguinte aceitaram os termos de entrega propostos pelos "mouros", nome que o autor dá aos habitantes muçulmanos. O povo expulso saiu por três portas, em multidão tão grande que parecia ter ali gente de toda a Espanha 9.
O autor critica os próprios cruzados. Diz que os de Colônia e de Flandres quebraram o juramento, saquearam a cidade e cortaram a garganta do bispo idoso, enquanto normandos e ingleses ficaram quietos em seus postos 9. A voz de Lisboa, a dos moradores muçulmanos, não aparece nos trechos lidos. Quando o cronista atribui aos sitiados insultos à cruz, a fala chega só pela pena de um cristão 9.
Hattin e Jerusalém em 1187: a derrota e o resgate
Em 3 e 4 de julho de 1187, perto dos Cornos de Hattin, a oeste do mar da Galileia, o exército do reino latino de Jerusalém, comandado por Guido de Lusignan, foi cercado e vencido por Saladino (Hattin). Reinaldo de Châtillon, os mestres do Templo e o próprio rei foram capturados, e a Santa Cruz se perdeu 10,11.
As versões da marcha divergem sobre quem aconselhou acampar sem água, mas todas mostram um exército sem água sob calor intenso. A Carta a Archumbald, escrita menos de dois meses depois, fala em ao menos 30.000 homens do rei, 80.000 cavaleiros de Saladino e "não mais de 200" sobreviventes. São cifras do remetente, sem contagem conhecida 10,12.
A morte de Reinaldo mostra a distância entre as fontes. No Eracles, ele se recusa a beber do cálice que o sultão lhe oferece, diz que cortaria a cabeça de Saladino se estivessem em lugares trocados e é atravessado pela espada do sultão 10. Em al-'Umari, Saladino o mata por "quebra de fé" 11. Os latinos explicam a derrota pelo pecado e pelo ódio entre o rei Guido e os homens da terra. Segundo Dajani-Shakeel, os árabes veem a batalha como ponto alto de uma preparação ideológica de contra-cruzada que vinha de Damasco, no início do século XII 10,13.
A rendição de Jerusalém
Dois meses depois, Saladino chegou diante de Jerusalém. A cidade, que comportava cerca de 30.000 pessoas, abrigava cerca de 60.000, segundo estimativas de cronistas árabes, com cinquenta mulheres e crianças para cada homem, citando Runciman 13. Segundo Ibn al-Athir, os latinos pediram salvo-conduto e Saladino respondeu, de início, que os trataria como seus antepassados trataram Jerusalém em 1099 13.
O acordo fixou o resgate em 10 dinares por homem, 5 por mulher e 2 por criança, com prazo de quarenta dias, segundo Dajani-Shakeel. A crônica latina de c. 1220 dá outros valores: 10, 5 e 1 besantes 13,14. Quem não pagou foi escravizado: 'Imad al-Din registra que ficaram 15.000 pessoas, 7.000 homens e 8.000 mulheres e crianças 13. Segundo Ibn Shaddad, Saladino libertou cerca de 3.000 prisioneiros muçulmanos. Os cristãos orientais puderam ficar, pagando a capitação 13. As fontes lidas não trazem número de mortos do cerco nem da rendição.
O texto latino narra o episódio como vergonha: "Um herdeiro pagou resgate para ser expulso de seu patrimônio" 14. Atribui a Saladino, com um "dizem que", a frase de que Jerusalém só poderia ser limpa com sangue cristão. Nenhuma fonte muçulmana lida confirma a frase 14. Os dois lados olhavam para 1099 quando negociaram 1187.
York, 1190: a violência dentro da própria cristandade
No inverno e na primavera de 1189–1190, a fervura da cruzada chegou à Inglaterra e se voltou contra os vizinhos. Segundo Abulafia, os tumultos que começaram na coroação de Ricardo I, em Londres, em setembro de 1189, se espalharam em fevereiro e março de 1190 por Norwich, Lincoln, York e outras cidades. Cavaleiros endividados com credores judeus tinham tomado a cruz 15.
Em York, conta Guilherme de Newburgh, os principais judeus eram Benedito e Joceu, ricos credores. Muitos habitantes do condado juraram juntos contra eles, incitados por homens de alta posição endividados, e alguns que tomaram a cruz esperavam pagar a viagem com o saque. A cidade ardeu parte de uma noite, e os judeus se abrigaram no castelo real 16. Cercados por uma multidão e por máquinas de cerco, sem armas e comida suficientes, na noite anterior ao ataque final um ancião, descrito como mestre da Lei, propôs que todos entregassem a vida a Deus em vez de se converterem. Abulafia o identifica como Yom Tov de Joigny. Newburgh conta que Joceu degolou a esposa Ana e os filhos e que o ancião o degolou 16,15.
De manhã, os sobreviventes apareceram nas ameias e disseram aceitar o batismo. Os chefes do grupo prometeram segurança e os mataram ao saírem. Em seguida os conjurados obrigaram os guardiões da catedral a entregar os títulos de dívida e os queimaram na igreja 16. Segundo Abulafia, só se cobraram multas pesadas da cidade, e ninguém foi julgado 15. As fontes lidas não trazem número de mortos.
O relato é do lado de quem não foi vítima, e é complicado. Newburgh chama de "execrável" a crueldade dos que mataram quem pedia o batismo, mas chama os judeus de usurários "perfidos" 16. Abulafia observa que o relato dele é muito mais completo que o de qualquer fonte hebraica disponível, e que nenhuma delas vem da própria Inglaterra. Poemas e a Sefer Zekhirah, de Efraim de Bonn, exaltam a erudição dos mártires 15. A voz judaica chega ao massacre de York mediada por quem escreve de fora.
Acre, 1191: os prisioneiros de Ricardo
Em 1191, depois da rendição de Acre, Ricardo I da Inglaterra mandou matar os prisioneiros muçulmanos que haviam ficado como garantia do acordo com Saladino. O sultão atrasava o pagamento, a devolução da Cruz e a libertação de cristãos (Acre).
O Itinerarium Peregrinorum, crônica do lado cristão, conta que Ricardo esperou três semanas depois do fim do prazo e que Saladino ganhava tempo "com palavras falsas e astutas". O rei decidiu, com um conselho de nobres, decapitar os cativos, separando alguns dos mais nobres para possível resgate. O texto fala em 2.700 decapitados e diz que os executores "deram graças de coração" 17. Baha al-Din ibn Shaddad, biógrafo de Saladino, descreve o impasse de outro modo. O sultão teria oferecido duas saídas, ambas recusadas pelos emissários francos, e rejeitou o juramento que lhe ofereceram. Na terça-feira, 27 de rajab (20 de agosto de 1191), por volta das quatro da tarde, Ricardo trouxe os prisioneiros, "mais de três mil", amarrados com cordas, ao pé de Tell al-Ayyadiya, e os fez matar "a sangue-frio, com espada e lança".
As duas cifras vêm de cronistas de partidos opostos, e nenhuma tem cálculo independente. Baha al-Din escreve que os francos pouparam os notáveis e os que podiam trabalhar, sem dizer quantos 18. Ele acusa Ricardo de ter agido "traiçoeiramente", pois teria prometido poupar a vida dos prisioneiros, e chama os mortos de "mártires". Sobre os motivos, diz que se falou em vingança pelos mortos do cerco ou em não deixar tantos prisioneiros para trás ao marchar sobre Ascalon, e conclui que "Deus sabe" a razão 18. O Itinerarium fala em vingança e em prazo vencido 17.
Constantinopla, 1204: cruzados contra cristãos
Em abril de 1204 o exército da Quarta Cruzada, transportado pelos venezianos, tomou e saqueou Constantinopla, capital do Império Bizantino, o que levou à criação do Império Latino 19,20. O historiador bizantino Niceta Coniates descreve imagens pisoteadas, relíquias de mártires jogadas em lugares impuros e o altar da Grande Igreja quebrado e repartido entre os soldados. Fala também em estupro, cativeiro e famílias separadas 19.
Do lado muçulmano, Ibn al-Athir afirma que os francos passaram a cidade a fio de espada por três dias e que um quarto dela foi destruído pelo fogo. Conta que clérigos refugiados em Santa Sofia, que saíram com a Bíblia e cruzes para pedir clemência, foram mortos antes de a igreja ser saqueada 20. O tradutor adverte que o relato erra em pontos dinásticos, mas o considera uma das poucas reflexões quase contemporâneas de um muçulmano sobre a Quarta Cruzada 20.
Como os cruzados justificaram o ataque? Segundo Robert de Clari, no domingo anterior ao assalto os bispos pregaram que a guerra era justa porque os gregos teriam deixado de obedecer à lei de Roma e assassinado seu senhor legítimo, e que atacá-los era ato de grande caridade 21. O papa Inocêncio III, em carta do verão de 1203, proibira os chefes da cruzada, sob pena de excomunhão, de invadir ou saquear a terra dos gregos. Em 1205, já depois da conquista, escreveu aos prelados da França pedindo monges e livros litúrgicos para o Império Latino 22. O papa que proibira passou a tratar o resultado como fato consumado. Nenhuma fonte lida traz número de mortos, e este artigo não afirma nenhum.
Las Navas de Tolosa, 1212: a cruzada na Espanha
A última cena é na Península Ibérica. Em 16 de julho de 1212, em Las Navas de Tolosa, o exército cristão convocado por Afonso VIII de Castela enfrentou o do califa almôada al-Nasir. Afonso pedira a Inocêncio III o título de cruzada, que deu à campanha caráter internacional. Os muçulmanos chamam a batalha de al-ʿIqāb 23.
Segundo Jurado Gómez, os "ultramontanos", cristãos de além-Pireneus, formavam um grupo heterogêneo atraído pelas indulgências. Depois da rendição de Calatrava, descontentes porque Afonso poupou a vida da guarnição muçulmana, a maioria se retirou. Restaram cerca de 150 cavaleiros, quase todos franceses, na vanguarda castelhana 23.
Sobre o lado muçulmano, o próprio Jurado Gómez diz que algumas fontes culparam os andalusinos pela derrota, por terem desertado na primeira carga da cavalaria pesada. Ele afirma que o ponto é controverso e não está claro. Registra também que um número significativo de ulemás, juristas, poetas e sábios de al-Andalus e do norte da África morreu como mártires 23. Do lado cristão, segundo Fernández de Córdova, Inocêncio III era descrito como relutante na cruzada e temia que Las Navas virasse outro Alarcos ou outro Hattin. O mesmo texto lembra que a violência da cruzada foi criticada por trovadores e eclesiásticos 24.
O que os pesquisadores discutem
- A escala de Jerusalém em 1099. Kedar sustenta que o massacre foi mais extenso que os de outras cidades da época. Hirschler responde que as fontes árabes mais antigas não mostram isso e que a imagem de matança sem igual se firma só décadas depois. Os dois aceitam que houve massacre 5.
- Saladino e 1099. Dajani-Shakeel contrasta a conduta de Saladino em 1187 com a dos cruzados, mas lembra que Ibn al-Athir registra sua ameaça inicial de tratar os latinos como eles trataram a cidade. A frase sobre "sangue cristão" aparece só na fonte latina 13,14.
- Os motivos de Ricardo em Acre. Baha al-Din reconhece várias explicações; o Itinerarium dá a do prazo vencido 18,17.
- Se Las Navas foi decisiva. Jurado Gómez registra que os autores discordam e remete a García Fitz. Ele próprio vê aperfeiçoamento da tática cristã e reforço da moral de combate 23.
O que ainda não sabemos
- Os números. Nenhum dos massacres tem contagem. As cifras de Jerusalém (de cerca de 10.000 a mais de 70.000) e de Acre (2.700 e mais de 3.000) vêm de cronistas, não de estudos de contagem. Para os demais episódios, as fontes lidas não dão total de mortos.
- As vozes que faltam. Para 1099, nenhuma fonte cristã oriental ou hebraica foi lida, e os judeus queimados na sinagoga aparecem só em Ibn al-Qalanisi. Para Edessa, faltam os relatos siríacos e muçulmanos; para Lisboa, a voz dos moradores; para York, os textos hebraicos chegam só pelo resumo de Abulafia.
- As datas finas. A tomada de Jerusalém em 1099 aparece em 14 ou 15 de julho conforme a conversão do calendário, e a rendição de 1187, em 2 ou 3 de outubro conforme a fonte.
- O que as traduções escondem. Quase todos os textos aqui foram lidos em inglês, em extratos, e nenhum foi conferido por especialista. As palavras entre aspas são as das traduções.
Linha do tempo
- 7 de junho a 15 de julho de 1099 (Wikidata); a cidade caiu na sexta-feira, 15 de julho, segundo os latinos e Ibn al-Athir (22 de Sha'ban de 492); a nota do tradutor de Ibn al-Qalanisi converte a mesma data para 14 de julho Cerco e tomada de Jerusalém (1099): a Primeira Cruzada e a memória do massacre mapa
- 28 de novembro a 24 de dezembro de 1144 (o Wikidata; Gregório, o Padre, continuador de Mateus de Edessa, dá a tomada em 23 de dezembro, uma terça-feira, dia de Santo Estêvão, o que não coincide com 23 de dezembro no calendário juliano) Queda de Edessa para Zengi (dezembro de 1144): o relato latino e o relato armênio mapa
- jun.–out. 1147 (Osbern: chegada diante de Lisboa em 30 jun.; decisão de entrar na cidade em 23 out.; Wikidata: 1 jul.–25 out.) Cerco e tomada de Lisboa (1147), contados por um cruzado anglo-normando mapa
- 3 a 4 de julho de 1187 (calendário juliano; o Wikidata dá de 3 a 4 de julho, a Carta a Archumbald põe o primeiro combate na sexta, 3 de julho, e Dajani-Shakeel data a batalha decisiva no sábado, 24 Rabi' II de 583 = 4 de julho) Batalha de Hattin (1187): o exército do reino de Jerusalém cercado nos Cornos de Hattin mapa
- 20 de setembro a 2 de outubro de 1187 (calendário juliano; o Wikidata dá 20 de setembro a 2 de outubro; segundo Dajani-Shakeel, a rendição foi na sexta-feira, 27 Rajab de 583 = 2 de outubro, e a Crônica latina lida a põe em 3 de outubro) Cerco e rendição de Jerusalém a Saladino (setembro-outubro de 1187): o resgate por pessoa e os relatos muçulmano e latino mapa
- mar. 1190 (Newburgh, na edição de Stevenson: véspera do Domingo de Ramos, 17 de março) Massacre dos judeus de York (março de 1190) mapa
- terça-feira, 27 de rajab de 587 (20 de agosto de 1191, data convertida por colchete do editor da tradução do Itinerarium e conferida por cálculo próprio com o dia da semana de Baha al-Din) Massacre dos prisioneiros muçulmanos de Acre (1191) mapa
- abril de 1204 (o Wikidata dá 8 a 13 abr. 1204 para o cerco e a tomada; o saque durou três dias, segundo Ibn al-Athīr) Cerco e saque de Constantinopla pela Quarta Cruzada (abril de 1204) mapa
- 16 jul. 1212 (data dada por Jurado Gómez, 2012-2013) Batalha de Las Navas de Tolosa (16 de julho de 1212) mapa
Fontes
- Raimundo de Aguilers, História dos francos que tomaram Jerusalém, versão selecionada por August C. Krey, em The First Crusade: The Accounts of Eyewitnesses and Participants (Princeton: Princeton University Press, 1921), reproduzida no Internet Medieval Sourcebook, Fordham University. https://sourcebooks.fordham.edu/halsall/source/cde-jlem.asp (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Ibn al-Athir (séc. XIII), al-Kamil fi l-ta'rikh, e Ibn al-Qalanisi (cronista de Damasco), Dhayl ta'rikh Dimashq, trechos sobre a tomada de Jerusalém; tradução inglesa de E. J. Costello a partir de Francesco Gabrieli, Arab Historians of the Crusades (Londres: Routledge and Kegan Paul, 1984), reproduzida por Martha Carlin, "Muslim Accounts of the Conquest of Jerusalem", Universidade de Wisconsin-Milwaukee. https://sites.uwm.edu/carlin/?p=1017 (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Gesta Francorum, versão selecionada por August C. Krey, em The First Crusade: The Accounts of Eyewitnesses and Participants (Princeton: Princeton University Press, 1921), reproduzida no Internet Medieval Sourcebook, Fordham University, "The Crusades: Jerusalem, 1099". https://sourcebooks.fordham.edu/halsall/source/cde-jlem.asp (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Fulquério (Fulk) de Chartres, Gesta Francorum Jerusalem Expugnantium, em Frederick Duncan e August C. Krey (orgs.), Parallel Source Problems in Medieval History (Nova York: Harper & Brothers, 1912), pp. 109-115, reproduzido no Internet Medieval Sourcebook, Fordham University. https://sourcebooks.fordham.edu/halsall/source/cde-jlem.asp (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Hirschler, Konrad (2014). "The Jerusalem Conquest of 492/1099 in the Medieval Arabic Historiography of the Crusades: From Regional Plurality to Islamic Narrative". Crusades 13, 2014; texto lido: a introdução, reproduzida em Medievalists.net, 14/05/2013. https://www.medievalists.net/2013/05/the-jerusalem-conquest-of-4921099-in-the-medieval-arabic-historiography-of-the-crusades-from-regional-plurality-to-islamic-narrative/ (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Guilherme de Tiro, Historia rerum in partibus transmarinis gestarum, XIV, 4-5 (Patrologia Latina 201, 642-645); tradução inglesa de James Brundage, The Crusades: A Documentary History (Milwaukee: Marquette University Press, 1962), reproduzida no Internet Medieval Sourcebook, "William of Tyre: The Fall of Edessa", Fordham University. https://sourcebooks.fordham.edu/halsall/source/tyre-edessa.asp (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Mateus de Edessa, Crônica, com a continuação de Gregório, o Padre (1137-1162); traduzida do armênio clássico por Robert Bedrosian, Matthew of Edessa's Chronicle (Sources of the Armenian Tradition, Long Branch, N.J., 2017; tradução em domínio público). https://archive.org/download/ChronicleMatthewEdessa/Chronicle_Matthew_Edessa.pdf (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Medievalists.net (5 dez. 2011). "Christian Society on the Second Crusade: Religious Practices in the De expugnatione Lyxbonensi", resumo da comunicação de Susanna A. Throop (Ursinus College) na Haskins Society Conference de 2011, Boston College. https://www.medievalists.net/2011/12/christian-society-on-the-second-crusade-religious-practices-in-the-de-expugnatione-lyxbonensi/. Acessar
- Osbernus [atribuição do Sourcebook] (1147/8). De expugnatione Lyxbonensi [A captura de Lisboa], trechos. Trad. James Brundage, The Crusades: A Documentary History (Milwaukee: Marquette University Press, 1962), pp. 97–104, a partir da ed. de W. Stubbs (Rolls Series, 1864). Internet Medieval Sourcebook (Fordham University), https://sourcebooks.web.fordham.edu/source/cap-lisbon.asp. Acessar
- Continuação em francês antigo de Guilherme de Tiro (Eracles), versões de Lyon e de Colbert-Fontainebleau, início do séc. XIII; tradução inglesa de Peter W. Edbury em The Conquest of Jerusalem and the Third Crusade: Sources in Translation (Ashgate, 1998), reproduzida em De Re Militari, "The Battle of Hattin (1187): Four Accounts", 11/01/2014. https://deremilitari.org/2014/01/the-battle-of-hattin-1187-four-accounts/ (acesso em 30/10/2026). Acessar
- al-'Umari (séc. XIV), Masalik al-absar fi mamalik al-amsar, anais de 1146 a 1343 (passagem sobre Hattin); tradução inglesa de Eva Rodhe Lundquist, Saladin and the Crusaders: Selected annals from Masalik al-absar fi mamalik al-amsar (Lund: Studia Orientalia Lundensia 5, 1992), reproduzida em De Re Militari, 11/01/2014. https://deremilitari.org/2014/01/the-battle-of-hattin-1187-four-accounts/ (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Carta a Archumbald, mestre dos Hospitalários na Itália, escrita menos de dois meses depois da batalha, segundo o editor; tradução inglesa de Peter W. Edbury (1998), reproduzida em De Re Militari, "The Battle of Hattin (1187): Four Accounts", 11/01/2014. https://deremilitari.org/2014/01/the-battle-of-hattin-1187-four-accounts/ (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Dajani-Shakeel, Hadia (1988). "Some Medieval Accounts of Salah al-Din's Recovery of Jerusalem (Al-Quds)". In: Nashabe, Hisham (org.), Studia Palaestina: Studies in honour of Constantine K. Zurayk. Beirute: Institute for Palestine Studies, 1988. Reproduzido no Internet Medieval Sourcebook, Fordham University: https://sourcebooks.fordham.edu/med/salahdin.asp (acesso em 30/10/2026). Acessar
- "The Conquest of the Holy Land by Saladin" (De Expugnatione Terrae Sanctae per Saladinum), tratado latino associado à Chronicon Anglicanum de Ralph de Coggeshall, c. 1220, que incorpora o relato de um soldado que defendeu Jerusalém; tradução inglesa completa, sem nome de tradutor na página lida, publicada pelo Institute for Medieval Studies, Universidade de Leeds. https://ims.leeds.ac.uk/wp-content/uploads/sites/29/2019/02/Conquest-of-the-Holy-Land.pdf (acesso em 30/10/2026). Acessar
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Este artigo faz parte do tema Guerras e conflitos.