Atlas da História

Massacre dos prisioneiros muçulmanos de Acre (1191)

terça-feira, 27 de rajab de 587 (20 de agosto de 1191, data convertida por colchete do editor da tradução do Itinerarium e conferida por cálculo próprio com o dia da semana de Baha al-Din) · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 1191, depois da rendição de Acre, Ricardo I da Inglaterra mandou matar os prisioneiros muçulmanos que ficaram como garantia do acordo com Saladino, que atrasava o pagamento, a devolução da Cruz e a libertação de cristãos. O Itinerarium Peregrinorum, crônica de partido cristão, fala em 2.700 decapitados; Baha al-Din ibn Shaddad, biógrafo de Saladino, fala em mais de 3.000, amarrados com cordas e mortos a espada e lança, e diz que os francos pouparam os notáveis e os que podiam trabalhar. Cada fonte lida atribui a Ricardo motivos diferentes.

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O prazo e o impasse

Pelo Itinerarium, Ricardo, depois da partida de Filipe Augusto, exigia que Saladino cumprisse o combinado: devolver a Santa Cruz e libertar os cristãos presos, tendo os muçulmanos de Acre como garantia. O rei esperou três semanas depois do fim do prazo; o texto diz que Saladino mandava presentes e mensageiros e ganhava tempo "com palavras falsas e astutas". Baha al-Din descreve o impasse por outro lado: o sultão ofereceu duas saídas, a de enviar de volta os seus homens e receber a parcela devida, dando reféns para as parcelas futuras, ou a de aceitar a parcela e receber reféns até a volta dos prisioneiros. Os emissários francos recusaram as duas; Saladino rejeitou o juramento oferecido. (Itinerarium Peregrinorum et Gesta Regis Ricardi; Baha al-Din ibn Shaddad (Beha ed-Din))

O dia da execução

Segundo Baha al-Din, por volta das quatro horas da tarde de terça-feira, 27 de rajab, Ricardo saiu com todo o exército franco (infantaria, cavalaria e turcópolos) até os poços ao pé de Tell al-Ayyadiya, onde já havia enviado as tendas. No meio da planície, entre essa colina e a de Kisan, ocupada pela vanguarda de Saladino, os francos trouxeram os prisioneiros, "mais de três mil", todos amarrados com cordas, e os mataram "a sangue-frio, com espada e lança". A vanguarda avisou Saladino e ele enviou reforços, que chegaram depois do fim; ao ver o que ocorria, os muçulmanos atacaram e houve mortos e feridos de ambos os lados até a noite. Na manhã seguinte, diz o texto, viram os corpos estirados no campo e reconheceram alguns. (Baha al-Din ibn Shaddad (Beha ed-Din))

Quantos foram mortos

As duas fontes lidas não coincidem, e nenhuma traz um cálculo independente. O Itinerarium fala em 2.700 decapitados, saídos "da cidade", na sexta-feira depois da Assunção; o colchete do editor da tradução situa a decisão em 16 de agosto e a execução em 20 de agosto, mas é anotação moderna, não do texto latino. Baha al-Din escreve "mais de três mil" e afirma que os francos só pouparam os prisioneiros de nota e os que tinham força para o trabalho. O texto de Baha al-Din não diz quantos foram poupados. Aqui as cifras são atribuídas a cada fonte, e não resolvidas. (Itinerarium Peregrinorum et Gesta Regis Ricardi; Baha al-Din ibn Shaddad (Beha ed-Din))

Os motivos propostos

Baha al-Din diz que "vários motivos" foram atribuídos ao massacre: segundo alguns, os prisioneiros foram mortos para vingar os mortos antes pelos muçulmanos; segundo outros, o rei, decidido a tomar Ascalon, não julgava prudente deixar tantos prisioneiros para trás em Acre. Ele conclui que "Deus sabe" qual era o motivo real. Uma nota do editor da tradução observa que Vinsauf, o autor do Itinerarium, diz que os prisioneiros foram mortos para vingar os mortos pelos muçulmanos durante o cerco e porque o prazo da Cruz e dos cristãos expirara. O Itinerarium lido acrescenta que o conselho decidiu por falta de resposta de Saladino. A leitura dos motivos permanece, portanto, atribuída a cada texto. (Baha al-Din ibn Shaddad (Beha ed-Din); Itinerarium Peregrinorum et Gesta Regis Ricardi)

Fontes

  1. Itinerarium Peregrinorum et Gesta Regis Ricardi, IV, 2 e 4 (ed. William Stubbs, Rolls Series, Londres: Longmans, 1864, pp. 240-241 e 243), trecho traduzido por James Brundage, The Crusades: A Documentary History (Milwaukee: Marquette University Press, 1962, pp. 183-184), reproduzido em "Muslim Hostages Slain at Acre, 1191", Internet Medieval Sourcebook, Fordham University (https://sourcebooks.fordham.edu/source/richard-acre1.asp; acesso em 30/10/2026). Acessar
  2. Baha al-Din ibn Shaddad (Beha ed-Din), Saladin; or, What befell Sultan Yusuf (Salah ed-Din), cap. CXVI, "Massacre of the Moslems in Acre"; tradução inglesa revista por C. R. Conder (Library of the Palestine Pilgrims' Text Society, vol. XIII, Londres: Committee of the Palestine Exploration Fund, 1897). https://archive.org/download/lifesaladin00condgoog/lifesaladin00condgoog_djvu.txt (acesso em 30/10/2026). Acessar

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