Atlas da História

Cerco e rendição de Jerusalém a Saladino (setembro-outubro de 1187): o resgate por pessoa e os relatos muçulmano e latino

20 de setembro a 2 de outubro de 1187 (calendário juliano; o Wikidata dá 20 de setembro a 2 de outubro; segundo Dajani-Shakeel, a rendição foi na sexta-feira, 27 Rajab de 583 = 2 de outubro, e a Crônica latina lida a põe em 3 de outubro) · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Depois de Hattin, Saladino chegou a Jerusalém em setembro de 1187; a cidade, onde se amontoavam refugiados, capitulou em 2 de outubro, segundo Dajani-Shakeel, em troca de um resgate por pessoa: 10 dinares por homem, 5 por mulher e 2 por criança, com quarenta dias para pagar. Quem não pagou foi escravizado: segundo 'Imad al-Din, 15.000 pessoas, 7.000 homens e 8.000 mulheres e crianças, ficaram na cidade nessa condição. Os latinos saíram em três grupos; os cristãos orientais puderam ficar, pagando a capitação (jizya), e a cidade passou a ter de novo a mesquita de al-Aqsa e a Cúpula da Rocha em uso muçulmano.

Leia sobre isto

Uma cidade de refugiados sem homens

Dajani-Shakeel diz que, depois de Hattin, Jerusalém, que comportava cerca de 30.000 pessoas, chegou a abrigar cerca de 60.000, segundo estimativas de cronistas árabes, e cita Runciman para dizer que havia cinquenta mulheres e crianças para cada homem. Ibn al-Athir descreve, de modo que ela chama de um tanto exagerado, a multidão que as tropas de Saladino viram nas muralhas. Balian de Ibelin, que tinha jurado a Saladino não pegar em armas, aceitou chefiar a defesa depois que o patriarca o absolveu do juramento; as fontes latinas dizem que ele encontrou só dois cavaleiros vivos em Jerusalém e armou cavaleiros cinquenta filhos de nobres. (Dajani-Shakeel 1988)

O ataque e a brecha

Pelas fontes árabes, Saladino chegou ao lado oeste em 21 de setembro; por Ernoul, na noite de 18. Depois de alguns dias de combates entre a Porta de Davi e a de Santo Estêvão, em que os latinos tinham vantagem, mudou o acampamento para o canto nordeste. O texto latino, que dá o cerco como iniciado em 20 de setembro, conta que as máquinas turcas bombardearam as muralhas sem trégua e que os sitiados, entre eles monges, cônegos e eremitas, pegaram em armas. Dajani-Shakeel cita Ibn al-Athir para a instalação das catapultas em 25 de setembro e os sapadores abrindo uma brecha, e diz que, pelo texto de Ernoul e do Libellus, ela tinha cerca de trinta metros e ficava onde os primeiros cruzados haviam entrado em 1099. (Dajani-Shakeel 1988; "The Conquest of the Holy Land by Saladin" (De Expugnatione Terrae Sanctae per Saladinum))

As condições da rendição

Segundo Ibn al-Athir, citado por Dajani-Shakeel, os latinos pediram salvo-conduto e Saladino, de início, respondeu que os trataria como seus antepassados trataram Jerusalém em 1099; no dia seguinte, Balian saiu para negociar. Pelo relato de Ernoul, ele ameaçou queimar casas, destruir a Cúpula da Rocha e matar os prisioneiros muçulmanos, que seriam milhares. O acordo fixou resgate de 10 dinares por homem, 5 por mulher e 2 por criança, com prazo de quarenta dias; 'Imad al-Din registra que Balian ofereceu 30.000 dinares pelos pobres. O texto latino dá 10, 5 e 1 besantes para as faixas de homens, mulheres e meninos pequenos e diz que o acordo foi lido pelas ruas em 2 de outubro, com a cidade entregue em 3. (Dajani-Shakeel 1988; "The Conquest of the Holy Land by Saladin" (De Expugnatione Terrae Sanctae per Saladinum))

Quem saiu e quem ficou

Dajani-Shakeel diz que Saladino libertou cerca de 3.000 prisioneiros muçulmanos, segundo Ibn Shaddad; concedeu a liberdade a 700 pessoas por pedido do patriarca, 500 por Balian e 1.000 por seu irmão al-'Adil, deixou sair sem pagar os velhos e muitas mulheres nobres, entre elas a rainha Sibila. Depois da saída, segundo 'Imad al-Din, restaram 15.000 pessoas, 7.000 homens e 8.000 mulheres e crianças, e todas foram escravizadas. Os cristãos orientais, que ela descreve como os mais desfavorecidos sob o domínio latino, puderam ficar pagando a capitação; muitos pobres foram isentos. O patriarcado grego recebeu a Basílica do Santo Sepulcro, e alguns muçulmanos defenderam demoli-la, ideia que a maioria rejeitou. (Dajani-Shakeel 1988)

Fontes

  1. Dajani-Shakeel, Hadia (1988). "Some Medieval Accounts of Salah al-Din's Recovery of Jerusalem (Al-Quds)". In: Nashabe, Hisham (org.), Studia Palaestina: Studies in honour of Constantine K. Zurayk. Beirute: Institute for Palestine Studies, 1988. Reproduzido no Internet Medieval Sourcebook, Fordham University: https://sourcebooks.fordham.edu/med/salahdin.asp (acesso em 30/10/2026). Acessar
  2. "The Conquest of the Holy Land by Saladin" (De Expugnatione Terrae Sanctae per Saladinum), tratado latino associado à Chronicon Anglicanum de Ralph de Coggeshall, c. 1220, que incorpora o relato de um soldado que defendeu Jerusalém; tradução inglesa completa, sem nome de tradutor na página lida, publicada pelo Institute for Medieval Studies, Universidade de Leeds. https://ims.leeds.ac.uk/wp-content/uploads/sites/29/2019/02/Conquest-of-the-Holy-Land.pdf (acesso em 30/10/2026). Acessar

Na mesma região