Atlas da História

Batalha de Manziquerta (1071): o exército de Romano IV Diógenes vencido por Alparslan

26 de agosto de 1071 (sexta-feira); as fontes medievais divergem sobre o dia exato, ver pendências · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 26 de agosto de 1071, perto de Manziquerta (Malazgirt), ao norte do lago Van, o exército do imperador romano Romano IV Diógenes foi derrotado pelas forças do sultão seljúcida Alparslan, e o próprio imperador foi capturado e depois libertado. Segundo a enciclopédia KÜRE, a batalha não entregou a Anatólia de uma vez, mas, somada à luta pelo poder entre os aristocratas romanos que se seguiu, enfraqueceu muito o controle militar do império na região. Nenhuma fonte lida permite contar os mortos: nem o tamanho dos exércitos é conhecido.

Como o exército romano chegou ao lago Van

A KÜRE conta que Romano IV, aclamado em 1º de janeiro de 1068, já tinha marchado ao leste em 1068 e 1069 sem resultado duradouro e que precisava de uma vitória decisiva também por causa da disputa com a família Doukas. Segundo Theotokis, o sultão tinha como alvo principal o Egito fatímida: em 1070/71 tomou Artchesh e Manziquerta, na margem norte do lago Van, e subiu a Síria, onde impôs sua suserania ao emir de Alepo. Romano esperou em Teodosiópolis até o auge do verão de 1071 e, em fins de julho ou início de agosto, dividiu o exército: ficou com parte e mandou outra, mais numerosa e de tropas escolhidas, sob o normando Roussel de Bailleul e o magistros Trachaneiotes, em direção a Ahlat. Só Bríênio, o Jovem, registra o relatório do armênio Leão Dabatenos segundo o qual o sultão, com medo, teria voltado à Pérsia. O imperador, diz Theotokis, planejava uma campanha rápida para retomar Manziquerta e Ahlat. (KÜRE Ansiklopedi; Theotokis)

O dia da batalha: a bandeira virada e a ruptura da linha

A KÜRE descreve o ponto de virada como um problema de comunicação. Ao mandar recuar a linha, o imperador fez girar o estandarte, e unidades afastadas do centro leram o gesto como sinal de que ele fora vencido, morto ou capturado; o recuo, que devia ser ordenado e uniforme, virou dissolução em partes. A cavalaria seljúcida então perseguiu a ala direita em desordem e se infiltrou pelo vão entre a ala e a reserva, atacando o centro de lado e por trás. A ala direita, sob Teodoro Aliates, cedeu; a esquerda, sob Nicéforo Bríênio, ameaçada de cerco, também recuou. O verbete conclui que o dia, de arqueiros montados em assédio, tornou-se combate corpo a corpo contra grupos romanos já separados. (KÜRE Ansiklopedi)

Data e tamanho dos exércitos e das perdas

Segundo a KÜRE, a data de 26 de agosto repousa na cronologia de Ibn al-Jawzi: contatos na quarta-feira, 24 de agosto, e batalha na sexta, 27 de Dhu l-Qa'da de 463; outras fontes árabes dão 7, 15, 16 ou 20 de Dhu l-Qa'da, e boa parte das fontes romanas, armênias, siríacas e latinas não dá dia nem mês. O verbete chama 26 de agosto a melhor data de trabalho, sem certeza absoluta. O tamanho do exército romano vai, nas fontes, de 40.000 a 600.000 homens; a KÜRE vê como razoável 30.000 a 50.000 no começo da campanha, menos no dia do combate. Dos mortos, diz que é impossível fazer conta confiável e que uma estimativa moderna, citada por ela, de perdas romanas de 5% a 10% do total é só um piso contra a ideia de aniquilação, sem contagem de época que a sustente. Também não há número confiável para as baixas seljúcidas. (KÜRE Ansiklopedi)

Cativeiro, golpe em Constantinopla e limites do tratado

A KÜRE diz que Romano, capturado, foi solto depois de conversas no acampamento de Alparslan, mas as condições do acordo (dinheiro, cidades como Antioquia, Edessa, Manbij e Manziquerta, laços de casamento) variam muito nas fontes, e o novo governo de Constantinopla não o reconheceu. Enquanto Romano voltava, João Doukas foi chamado à capital; houve ordem de não receber o ex-prisioneiro como imperador e, segundo algumas cronologias, Miguel VII foi proclamado sozinho em 24 de setembro de 1071. Alparslan, diz o verbete, não lançou campanha de conquista: voltou ao Azerbaijão e ao Irã, partiu para o Turquestão e foi morto em 1072. Para Aristakes, o fim de Romano, cegado pelos seus, é a verdadeira catástrofe. (KÜRE Ansiklopedi; Aristakes Lastivertc'i)

Fontes

  1. KÜRE Ansiklopedi, verbete "Malazgirt Muharebesi" (autoria não identificada no texto baixado). https://kureansiklopedi.com/tr/detay/malazgirt-muharebesi-d8b1c (acesso em 30/10/2026). Acessar
  2. Aristakes Lastivertc'i, História, cap. 24 e 25 (escrita depois de 1072 e provavelmente antes de 1087, segundo a KÜRE); tradução inglesa de Robert Bedrosian, em attalus.org. https://www.attalus.org/armenian/a10.htm (acesso em 30/10/2026). Acessar
  3. Theotokis, Georgios. "Looking for scapegoats: The betrayal of Romanos Diogenes by Trachaneiotes and Doukas at Manzikert and the role of Attaleiates' narrative". Medievalists.net, 7/01/2024. https://www.medievalists.net/2024/01/scapegoats-manzikert/ (acesso em 30/10/2026). Acessar

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