Cerco e saque de Ani (1064): a antiga capital bagratida tomada por Alparslan
até 16 de agosto de 1064 (queda da cidade, segundo o Wikidata e a KÜRE); Aristakes e Smbat datam o ano pela era armênia 513 (1063/64 e 1064) · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 1064, o sultão seljúcida Alparslan sitiou Ani, a velha capital dos reis bagratidas da Armênia, então sob administração romana, e a cidade caiu, segundo a KÜRE, em 16 de agosto. Os dois cronistas armênios lidos contam a tomada com mortes em massa e cativos e dizem que o sultão já pensava em recuar quando a defesa se rompeu por discórdia entre os chefes da cidade. Segundo a KÜRE, Alparslan não esvaziou a região: entregou Ani ao emir xadádida Menuçehr, o que a transformou em emirado local sob a suserania seljúcida.
Uma capital sem rei, sob o governo romano
Segundo a KÜRE, Ani, centro do reino bagratida da Armênia, foi anexada aos domínios romanos em 1045 e passou a ser sede do thema de Ibéria. A cidade, de muralhas fortes, dominava o vale do Arpaçay e as rotas do Cáucaso. Quando Alparslan venceu a disputa pelo trono, depois da morte de Tuğrul Bey em setembro de 1063, a expedição, com Malikshah e o vizir Nizam al-Mulk, tomou antes muitas fortalezas georgianas e armênias e depois sitiou Ani, então romana. Aristakes dá a cidade como "fortaleza" com "porta de ferro e fechaduras de cobre" e situa os fatos no ano armênio 513 (1063/64). (KÜRE Ansiklopedi; Aristakes Lastivertc'i)
Como a cidade caiu: duas versões armênias
Os dois cronistas dizem que o sultão estava a ponto de levantar o cerco. Em Aristakes, Alparslan armou o acampamento diante de Ani, tentou vários estratagemas contra o portão e, desanimado com as defesas, queria partir; mas Deus teria semeado discórdia entre guardas e príncipes, os guardas fugiram e as tropas seljúcidas subiram o muro e entraram "como as ondas espumantes do mar". Em Smbat, aparelhos de arremesso derrubaram parte do muro sem permitir a entrada, e o sultão decidia voltar quando os príncipes Smbat, pai de Bagarat, e Grigor, filho de Bakuran, se recolheram à cidadela; ao ver isso, a unidade dos cidadãos se desfez, todos fugiram, e os seljúcidas entraram. Não há como saber, pelos textos lidos, se as duas versões são independentes. (Aristakes Lastivertc'i; Smbat Sparapet 1064)
O saque, os cativos e o destino da cidade
Aristakes descreve ruas cheias de corpos que viraram caminho, o rio tingido de sangue, o palácio queimado e as construções reduzidas a montes de terra; diz que o rei da Pérsia voltou a suas terras "com despojos incalculáveis". Smbat acrescenta que mulheres e crianças foram levadas cativas e que, depois da derrubada da cruz, uma chuva com trovões lavou os corpos para o rio. A KÜRE afirma que Alparslan não esvaziou o território, mas deixou Ani ao emir xadádida Menuçehr, filho de Abu l-Aswar Shavur, de modo que a cidade passou a ser centro de um emirado local sob a alta soberania seljúcida, não uma cidade governada diretamente do centro. (Aristakes Lastivertc'i; Smbat Sparapet 1064; KÜRE Ansiklopedi)
Fontes
- Aristakes Lastivertc'i, História, cap. 24, "Como a cidade de renome mundial de Ani foi massacrada pela espada"; tradução inglesa de Robert Bedrosian, em attalus.org. https://www.attalus.org/armenian/a10.htm (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Smbat Sparapet, Crônica, trecho do ano 513 da era armênia (1064); tradução inglesa de Robert Bedrosian, em attalus.org. https://www.attalus.org/armenian/css5.htm (acesso em 30/10/2026). Acessar
- KÜRE Ansiklopedi, verbete "Malazgirt Muharebesi", seção "Ani'nin Selçuklular Tarafından Alınması" (autoria não identificada no texto baixado). https://kureansiklopedi.com/tr/detay/malazgirt-muharebesi-d8b1c (acesso em 30/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Batalha de Manziquerta (1071): o exército de Romano IV Diógenes vencido por Alparslan 26 de agosto de 1071 (sexta-feira); as fontes medievais divergem sobre o dia exato, ver pendências
- Batalha de Didgori (1121): a Geórgia de Davi IV contra a coalizão de Il-Ghazi, e a tomada de Tbilisi 12 de agosto de 1121 segundo a Enciclopédia Georgiana e o Wikidata; 13 de agosto, uma quinta-feira, segundo Mateus de Edessa (calendário juliano)
- Queda de Edessa para Zengi (dezembro de 1144): o relato latino e o relato armênio 28 de novembro a 24 de dezembro de 1144 (o Wikidata; Gregório, o Padre, continuador de Mateus de Edessa, dá a tomada em 23 de dezembro, uma terça-feira, dia de Santo Estêvão, o que não coincide com 23 de dezembro no calendário juliano)
- Tamar da Geórgia, nascida por volta de 1160, corregente do pai em 1179 e rainha reinante de 1184 a 1213, canonizada pela Igreja ortodoxa georgiana nasceu por volta de 1160 (o verbete não dá dia nem lugar) e morreu em 1213 (outras fontes citadas pelo verbete: 1207 ou 1210)
- Igreja principal do mosteiro de Oshki, em Tao (963–973): obra dos Bagrationi com cúpula cônica sobre quatro pilares isolados e inscrições sobre doadores e custos construída entre 963 e 973 (Natsvlishvili); coberta de novo nos anos 1020; pinturas murais por ordem de Jojik Patrikios em 1036
- Tomada da fortaleza de Biwrakan, na Armênia (923): o relato do católico Yovhannes Drasxanakertc'i 10 de Ahekan do ano 372 da era armênia, que o tradutor Maksoudian converte em 923 d.C. (a execução de dois carregadores cristãos, dias depois, cai em 17 de Ahekan)