Atlas da História

Queda de Edessa para Zengi (dezembro de 1144): o relato latino e o relato armênio

28 de novembro a 24 de dezembro de 1144 (o Wikidata; Gregório, o Padre, continuador de Mateus de Edessa, dá a tomada em 23 de dezembro, uma terça-feira, dia de Santo Estêvão, o que não coincide com 23 de dezembro no calendário juliano) · Anatólia e Cáucaso, Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em dezembro de 1144, Zengi, senhor de Mossul, tomou Edessa (Urfa), capital do condado latino, depois de um cerco em que sapadores abriram uma brecha de mais de cem côvados na muralha, segundo Guilherme de Tiro. A continuação armênia da crônica de Mateus de Edessa, de Gregório, o Padre, diz que cerca de 2.000 pessoas morreram sufocadas na corrida para a cidadela e que Zengi mandou embainhar as espadas, mas fez matar os francos capturados e levar cativos as mulheres e crianças deles. Guilherme de Tiro culpa a briga entre o conde Joscelino II e Raimundo de Antioquia; o cronista armênio vê castigo pelos pecados da população.

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Uma cidade sem conde, entre dois príncipes em desavença

Guilherme de Tiro situa o cerco em 1144, depois da morte do rei Fulco e antes da subida de Balduíno III, e diz que Zengi contava com a força de seus homens e com a briga aberta entre Raimundo de Antioquia e Joscelino de Edessa. O conde havia deixado a cidade para viver em Turbessel, a guarda era de mercenários que esperavam um ano ou mais pelo soldo, e o conde e o príncipe de Antioquia, em ódio aberto, pouco se importavam com a desgraça um do outro. O reino de Jerusalém, regido pela rainha Melisenda, enviou o condestável Manassés, Filipe de Nablus e Elinando de Tiberíades com muitos soldados, mas, segundo ele, o príncipe de Antioquia adiou a ajuda. A introdução de Brundage, na página, resume o quadro como o de Estados latinos divididos diante da primeira ofensiva concertada de uma potência muçulmana. (Guilherme de Tiro)

O cerco e a brecha

Segundo Guilherme de Tiro, Zengi reuniu cavalaria de todo o Oriente, chamou também os moradores das cidades vizinhas, bloqueou todas as entradas, e a falta de comida passou a afligir os sitiados. Catapultas e máquinas enfraqueceram as fortificações e a chuva contínua de flechas não deu descanso. Sapadores cavaram túneis sob a muralha, escoraram-nos com madeira e puseram fogo nas escoras; abriu-se uma brecha de mais de cem côvados e o inimigo entrou, matando "sem poupar idade, condição nem sexo". A cidade tinha uma cidadela na parte alta e uma cidade baixa onde os cidadãos podiam se refugiar, mas, diz ele, as defesas serviriam de pouco sem homens dispostos a lutar. (Guilherme de Tiro)

Sufocados diante da cidadela

As duas fontes lidas coincidem num ponto: muita gente morreu na pressa de entrar na cidadela. Guilherme de Tiro diz que os cidadãos mais prudentes correram para lá para salvar a vida, os filhos e as mulheres, que a multidão sufocou muitos e que entre eles estava o arcebispo Hugo. Na versão armênia, "cerca de 2.000 almas" morreram sufocadas e entre elas o bispo dos francos. Os dois textos não dão o total de mortos na cidade: Guilherme só diz que foi "entregue à espada", e a continuação de Gregório afirma que Zengi mandou cessar o massacre ao ver o que ocorria, mas ordenou que os francos capturados fossem mortos diante dele e as mulheres e crianças deles levadas cativas. (Guilherme de Tiro; Mateus de Edessa)

A retomada de dois anos depois

A continuação armênia conta que, "passados dois anos", Joscelino reuniu tropas e, junto com Balduíno, senhor de Germanikeia (Marash) e Kesoun, tomou a cidade de noite por um estratagema. Cinco dias depois, segundo ele, os muçulmanos se reuniram e a retomaram à força. Balduíno, "que gostava mais do povo armênio do que dos francos", caiu em combate, e o autor diz que sua morte deixou a terra em luto. Esse segundo cerco, de 1146, tem um item próprio no Wikidata (Q97402659) e não é tratado neste registro. (Mateus de Edessa)

Fontes

  1. Guilherme de Tiro, Historia rerum in partibus transmarinis gestarum, XIV, 4-5 (Patrologia Latina 201, 642-645); tradução inglesa de James Brundage, The Crusades: A Documentary History (Milwaukee: Marquette University Press, 1962), reproduzida no Internet Medieval Sourcebook, "William of Tyre: The Fall of Edessa", Fordham University. https://sourcebooks.fordham.edu/halsall/source/tyre-edessa.asp (acesso em 30/10/2026). Acessar
  2. Mateus de Edessa, Crônica, com a continuação de Gregório, o Padre (1137-1162); traduzida do armênio clássico por Robert Bedrosian, Matthew of Edessa's Chronicle (Sources of the Armenian Tradition, Long Branch, N.J., 2017; tradução em domínio público). https://archive.org/download/ChronicleMatthewEdessa/Chronicle_Matthew_Edessa.pdf (acesso em 30/10/2026). Acessar

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