Atlas da História

Bronze nórdico: o início do período V por volta de 820 a.C. e os depósitos de metal quebrado em água e em terra seca

c. 820 a.C. (cal.) para o início do período V, segundo Kneisel (2013); no esquema de Baudou o período V costuma ser posto no séc. VIII a.C. · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

No Bronze final da Escandinávia meridional, o período V de Montelius e Baudou teve seu início reexaminado por Jutta Kneisel, que cruzou os achados de sepulturas dinamarquesas com datas de radiocarbono: o grupo de tipos do período V começaria por volta de 820 a.C., e a fase de transição IV–V ficaria entre 950/20 e 820 a.C. Duas datas da sepultura rica de Gl. Brydegård, em Funen, dão 895–825 cal a.C. a 1σ. Em paralelo, a prática de depositar metal, muitas vezes quebrado, em lagos, pântanos, rios e também em terra seca, é lida por pesquisadores como sucata de ferreiros ou como oferenda e memória.

Como Kneisel subdivide os períodos IV e V

Kneisel parte do catálogo de achados funerários dinamarqueses de Baudou (1960) e roda uma análise de correspondência. O período VI forma um conjunto de tipos novo e é excluído. Para o período IV–V, ela obtém quatro grupos: 1 (IV inicial), 2a (IV tardio), 2b (transição IV–V) e 3 (V). Com o apoio de datas de radiocarbono, estima que o IV inicial vá de cerca de 1100 a 1050 a.C., o IV de 1050 a 950/20 a.C., a transição IV–V de 950/20 a 820 a.C. e que o grupo 3 comece por volta de 820 a.C., com o platô de Hallstatt impedindo precisar o fim. (Kneisel 2013)

Sepulturas datadas: Gl. Brydegård e Lusehøj

A sepultura rica de Gl. Brydegård (Odense, Funen), com pinça, navalha, alfinete, botão, lanceta e sovela de ferro, tem duas datas de radiocarbono que, combinadas (R_combine), dão 895–824 cal a.C. a 1σ (895–825 em outra passagem do texto). Em Lusehøj (Funen), a sepultura GX, com fragmentos de lâmina de espada, tem datas de carvão que indicam 893–790 a.C.; uma data nova de ossos (AAR-9575) dá 813–787 cal a.C. e, como o carvão pode trazer o efeito da madeira velha, Kneisel considera essa a data decisiva da sepultura. (Kneisel 2013)

Depósitos em água, em terra seca e a ideia de sucata

Segundo Sörman, no Bronze final da Escandinávia meridional (c. 1100–500 a.C.) o bronze era um material valorizado e exótico, obtido do exterior por dádiva e troca, e os depósitos na paisagem se acham sobretudo em água ou perto dela, em lagos, pântanos, rios e braços de mar. Os de terra seca, em encostas, sob pedras ou em fendas, são mais comuns entre depósitos muito fragmentados. Um estudo anterior estimou que 13% de cerca de 125 depósitos do Bronze final na Suécia eram 'depósitos de sucata'. Ela mesma defende que não é provável que todos tenham servido ao mesmo fim. (Sörman 2024)

Fontes

  1. Kneisel, J. (2013). New chronological research of the late Bronze Age in Scandinavia. Danish Journal of Archaeology 2(2), p. 95–111 (recebido em 20 nov. 2012; aceito em 6 mar. 2014). DOI 10.1080/21662282.2013.904129. https://tidsskrift.dk/dja/article/download/124955/171768 (baixado e lido em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
  2. Sörman, A. (2024). Pieces of the past, fragments for the future – broken metalwork in Nordic Late Bronze Age hoards as memorabilia? In: Sörman, A.; Noterman, A. A.; Fjellström, M. (orgs.). Broken Bodies, Places and Objects: New Perspectives on Fragmentation in Archaeology. London: Routledge, p. 259–273. DOI 10.4324/9781003350026-19. https://hal.science/hal-04519842v1 (arquivo baixado e lido em texto bruto em 29/10/2026). Acessar

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