Quem vinha aos banquetes: 254 amostras de animais de seis middens da Grã-Bretanha, lidas com vários isótopos, mostram redes de abastecimento muito diferentes na passagem do Bronze Final ao Ferro (c. 900–500 a.C.)
Transição do Bronze Final ao Ferro Antigo, c. 900–500 a.C. (faixa dada por Esposito e colegas); as datas de cada midden não foram lidas · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Na passagem do Bronze Final ao Ferro, no sul da Grã-Bretanha, surgem os middens, montes enormes de lixo cultural onde se juntavam muitas pessoas e animais para banquetes. Esposito, Madgwick e colegas analisaram 254 amostras de fauna de seis desses sítios por estrôncio, enxofre, oxigênio, carbono e nitrogênio, com um mapa de estrôncio da Grã-Bretanha feito por floresta aleatória, e dizem que os middens tinham papéis distintos: Potterne e Runnymede recebiam animais de longe, enquanto East Chisenbury, All Cannings Cross e Stanton St Bernard criavam sobretudo animais locais, com manejo estrito.
Seis middens, dois conjuntos regionais
O estudo cobre quatro middens de Wiltshire (All Cannings Cross, East Chisenbury, Potterne e Stanton St Bernard) e dois do vale do Tâmisa (Runnymede e Wallingford). Segundo os autores, East Chisenbury e Potterne estão entre os maiores e mais ricos em artefatos da Inglaterra: East Chisenbury é um monte com mais de 150 m de diâmetro e até 3 m de espessura, com maioria de ovinos e caprinos e muitos fetos e recém-nascidos, indício de laticínio de ovelha; Potterne, a cerca de 15 km dele, rendeu c. 134.000 ossos de animais, dominados por ovinos e caprinos, porcos e bois. (Esposito)
Como as amostras foram lidas
Os autores combinaram a razão de estrôncio (87Sr/86Sr), o enxofre (δ34S) e, nos porcos, o oxigênio do esmalte (δ18O), além de carbono e nitrogênio (e dados de enxofre) publicados em outro trabalho do grupo, e compararam tudo com a geologia, os mapas de isótopos do Serviço Geológico Britânico e plantas coletadas num raio de cerca de 5 km de cada sítio. Para o estrôncio, construíram um mapa do Reino Unido por floresta aleatória, seguindo o fluxo de trabalho de Bataille e colegas. O uso de vários isótopos serve para que uma amostra que parece local em um indicador possa ser vista como de fora em outro. (Esposito)
Potterne e Runnymede: captação ampla
Em Potterne, a razão de estrôncio varia de 0,7081 a 0,7147, a faixa mais larga do conjunto, e o enxofre cobre quase todo o intervalo do estudo (de −17,1 a 16,7‰), um dos maiores já medidos em sítios arqueológicos. Os porcos de fora formam pelo menos quatro grupos de procedência, de zonas costeiras, interiores e alagadiças, e os autores veem neles o poder de atração dos banquetes. Em Runnymede, de captação também larga, os herbívoros domésticos variavam mais que os porcos e um boi traz enxofre costeiro com estrôncio incompatível com as costas do sul e do leste, o que indica vinda de longe, de uma costa ocidental. (Esposito)
East Chisenbury e vizinhos: criação local
Em East Chisenbury, All Cannings Cross e Stanton St Bernard, os valores de estrôncio e de enxofre têm faixas estreitas, com poucos animais fora do padrão. Para os autores, esses sítios criavam animais localmente, com manejo rígido, numa economia mista intensiva centrada em ovinos e caprinos, voltada a lã, laticínio e carne; em East Chisenbury, os ovinos e caprinos passam bem da metade dos restos. Eles apontam como surpreendentes respostas sociais e econômicas tão diferentes entre sítios tão próximos. Wallingford ficou numa posição intermediária, como um sítio parecido com Runnymede, em menor escala. (Esposito)
Fontes
- Esposito, Carmen; Lamb, Angela L.; Andersen, Morten B.; Millet, Marc-Alban; Inglis, Edward; Lugli, Federico; Nederbragt, Alexandra J.; Madgwick, Richard. "Diverse feasting networks at the end of the Bronze Age in Britain (c. 900-500 BCE) evidenced by multi-isotope analysis". iScience 28(9): 113271, 10 set. 2025. DOI 10.1016/j.isci.2025.113271. Texto integral via Europe PMC (PMC12496200), consultado em 29/10/2026. Acessar
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