Cobre com antimônio e bronze com chumbo: os isótopos de chumbo e as impurezas de mais de 200 objetos mostram de onde vinha o metal do Bronze Final nos Países Baixos (c. 1000–800 a.C.)
Bronze Final, c. 1100–800 a.C. segundo Merkel e colegas; o texto fala em 1000–800 a.C. para o uso de metal do vale do Inn e em c. 1020–800 a.C. para a fase Ewart da Grã-Bretanha · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Merkel e colegas analisaram a composição e os isótopos de chumbo de mais de 200 objetos de cobre e bronze achados nos Países Baixos, do Neolítico Final ao início da Idade do Ferro. Para o Bronze Final, dizem que o cobre com muitas impurezas de antimônio, arsênico, níquel e prata e o bronze muito carregado de chumbo se tornam comuns, que esse perfil se liga a metal alpino reciclado e que o chumbo é compatível com fontes britânicas ou renanas, quase sem sinal de metal ibérico chegando pelas rotas atlânticas.
Amostra e método: de um pXRF a um MC-ICP-MS
O estudo reúne 201 objetos escolhidos para representar categorias de função, fases e regiões, em museus nacionais (91), repositórios provinciais (53), 20 coleções particulares de detectoristas (29 objetos), arquivos municipais (19), universidades (5) e outros órgãos (4); machados (70), espadas (25) e pontas de lança (23) dominam, e os 66 objetos do Bronze Final formam o maior grupo. Os autores mediram os elementos com um fluorescência portátil (pXRF) e retiraram cerca de 1 micrograma de chumbo por ablação a laser de 100 micrômetros, em pontos discretos; a amostra foi dissolvida, purificada e analisada em espectrometria de massa MC-ICP-MS na Vrije Universiteit, e as impurezas foram classificadas por um limiar de 0,12% do cobre. (Merkel)
Do cobre balcânico ao cobre dos Alpes italianos
Antes do Bronze Final, segundo Merkel e colegas, o cobre mais antigo dos Países Baixos vem dos Bálcãs e da Eslováquia, com alguma liga arsenical ibérica, seguido de uma intensificação de metal eslovaco e da cultura de Únětice no Bronze Antigo. No começo do Bronze Médio chegava cobre de Great Orme, no País de Gales, e de Mitterberg, na Áustria, e no fim do Bronze Médio predominava cobre dos Alpes do sul da Itália. O perfil alterou-se no Bronze Final: o cobre de impurezas de níquel e arsênico dá lugar a um perfil largo de antimônio, arsênico, níquel e prata, igual ao que se vê na Grã-Bretanha. (Merkel)
Bronze Final: metal alpino reciclado e chumbo britânico
No Bronze Final, os bronzes neerlandeses e britânicos têm impurezas altas de antimônio, que os autores ligam a bronzes alpinos que já eram mistura de calcopirita e fahlerz de várias minas, com calcopirita possivelmente de Kitzbühel, Mitterberg ou dos Alpes do sul e fahlerz possivelmente do vale do Inn. Bronzes com mais de 2% de chumbo mostram razões isotópicas homogêneas, que refletem chumbo adicionado de fora, e a lista de fontes possíveis inclui Mendip, Cornualha e Derbyshire na Grã-Bretanha e depósitos do maciço renano e das Ardenas; os autores sugerem fontes britânicas pela falta de achados de chumbo no continente. Duas contas de chumbo de um colar do depósito de Borger-Drouwenerstraat, da transição Bronze Final–Ferro, parecem ser o uso mais antigo do chumbo nos Países Baixos. (Merkel)
A rota atlântica em questão
Os autores comparam os bronzes neerlandeses com os da ria de Huelva, depósito do Bronze Final do sudoeste da Península Ibérica que eles datam da segunda metade do séc. X a.C. Mais de 300 análises de Huelva mostram um perfil de impurezas baixo, incompatível com o dos bronzes neerlandeses, que se parecem com a grande maioria dos bronzes do Hallstatt B da Áustria, da Suíça e do sul da Alemanha. Segundo eles, bronzes ibéricos com chumbo tinham chumbo diferente do dos neerlandeses, e Ibéria e Mar do Norte pertenciam, em grande parte, a esferas de circulação de metal distintas, embora houvesse contato. Isso questiona a ideia de abastecimento direto de metal ibérico para a Escandinávia e o Báltico. (Merkel)
Fontes
- Merkel, Stephen W.; Arnoldussen, Stijn; Theunissen, Liesbeth; van Os, Bertil; van der Leije, Judith; Brattinga, Joris; Amkreutz, Luc; Beekman, Bibi; Biezeveld, Irini; Williams, R. Alan. "Tracing Europe-Wide Copper and Bronze flow in the Dutch Late Neolithic to the Early Iron Age". PLOS ONE 21(9): e0348751, 8 set. 2026. DOI 10.1371/journal.pone.0348751. Texto integral via Europe PMC (PMC13552965), consultado em 29/10/2026. Acessar
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