Prigglitz-Gasteil: mina de cobre a céu aberto e cadeia de beneficiamento, fundição e refino nos Alpes orientais (séc. XI–IX a.C.; oficinas do terraço 4 no séc. X a.C.)
Sítio todo: c. 1050–780 a.C. (Bronze Final, fase final do Campo de Urnas); terraço 4, segundo a modelagem bayesiana de Heiss e colegas: início em c. 920 a.C. (946–906 a.C., 1σ) e fim em c. 895 a.C. (910–851 a.C., 1σ) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em Prigglitz-Gasteil, na borda oriental dos Alpes, uma mina de cobre a céu aberto funcionou entre c. 1050 e 780 a.C., segundo Trebsche e colegas, e as pessoas que ali viveram trabalharam em terraços ao lado dela o minério e o metal: beneficiamento, fundição primária, refino do cobre negro, liga e fundição de objetos. Mödlinger e colegas mostram, com análises químicas e de isótopos de chumbo, que o cobre local, bastante puro, era misturado com metal importado e reciclado, sobretudo dos Montes Metálicos da Eslováquia, e Heiss e colegas veem nos restos de plantas que os mineiros eram abastecidos de fora com grão já processado.
Uma mina que os próprios restos escondem
Segundo Trebsche, Schlögel e Flores-Orozco, as minas a céu aberto da Idade do Bronze foram muitas vezes aterradas e por isso são mais difíceis de achar do que as galerias subterrâneas, descobertas no séc. XIX por mineração moderna. Em Prigglitz-Gasteil, os depósitos de rejeito são claros nas encostas, mas hoje não se vê no terreno um vazio correspondente. A equipe combinou tomografia de resistividade elétrica, polarização induzida, refração sísmica e georradar em 10 perfis numa área de cerca de 330 × 300 m e conferiu a leitura com dois furos de sonda, de 32 e 37,5 m de profundidade. (Trebsche)
Três cavas e 178 mil metros cúbicos
A reconstrução distingue três áreas de lavra, A, B e C. A mais antiga, A, é uma cava em forma de rim com 60 a 65 m de comprimento, 30 a 40 m de largura e até 33 m de profundidade em relação ao terreno atual; a mais recente, C, é a maior (cerca de 88 mil m³), e A tem cerca de 76 mil m³ e B, 14 mil. O volume lavrado soma c. 178 mil m³, perto dos 216 mil m³ calculados para os depósitos de rejeito, e o acréscimo de c. 21% é atribuído ao empolamento da rocha solta. Os autores comparam a escala com uma galeria da mina de sal de Hallstatt, de cerca de 72 mil m³. (Trebsche)
A cadeia operatória nos terraços
Segundo Mödlinger e colegas, as investigações de Trebsche mostraram uma cadeia operatória completa de produção de cobre: mina a céu aberto, infraestrutura de beneficiamento e de fundição primária do minério, refino do cobre negro, liga e fundição de objetos de cobre, tudo em cerca de três hectares sobre os depósitos de rejeito da própria mina. As oficinas dos terraços 3 e 4 datam da segunda metade do séc. XI ao início do séc. VIII a.C., com base em mais de 75 datas de radiocarbono, em geral de restos vegetais carbonizados e ossos de animais de vida curta. Antes de Prigglitz, a produção de cobre alpina é mais conhecida pelo grande centro de Mitterberg, que atingiu o auge no Bronze Médio (c. 1650–1350 a.C.). (Mödlinger)
Cobre importado, misturado e reciclado
Os autores analisaram minérios e 76 objetos (alfinetes, braceletes, tortas de fundição e outros) de Prigglitz e de sítios num raio de cerca de 15 km, por fluorescência de raios X, ativação neutrônica e espectrometria de massa com plasma (MC-ICPMS), e compararam os isótopos de chumbo com minas conhecidas dos Alpes, da Eslováquia e de outras regiões. Os objetos analisados tinham composições e razões de chumbo variadas, em contraste com o cobre muito puro que o próprio minério produz, o que aponta para a mistura de sucata e de materiais de várias origens no início da cadeia, inclusive de cobre dos Montes Metálicos da Eslováquia. Os autores pedem dados geoquímicos regionais antes de fechar a questão. (Mödlinger)
O terraço 4 em cerca de 25 anos
Heiss e colegas amostraram 10 a 20 litros de sedimento por amostra, em malha de 1 × 1 m, nos terraços 3 e 4, ao lado da mina. Pelo modelo bayesiano de 13 datas de radiocarbono de materiais de vida curta, o terraço 4 começou a ser usado entre 946 e 906 a.C. (1σ, pico em 920 a.C.) e terminou entre 910 e 851 a.C. (pico em 895 a.C.); toda a sequência de construções e de camadas culturais foi formada, muito provavelmente, em apenas 25 anos. Ali apareceram painço-vassoura, painço-do-rabo-de-raposa e lentilha entre as culturas dominantes, cevada e painço-do-rabo-de-raposa nos preparos carbonizados e frutas e nozes coletadas. (Heiss)
Fontes
- Trebsche, Peter; Schlögel, Ingrid; Flores-Orozco, Adrian. "Combining geophysical prospection and core drilling: Reconstruction of a Late Bronze Age copper mine at Prigglitz-Gasteil in the Eastern Alps (Austria)". Archaeological Prospection 29(4): 557–577, 2022 (publicado em 2 ago. 2022). DOI 10.1002/arp.1872. Texto integral via Europe PMC (PMC10087026, acesso aberto), consultado em 29/10/2026. Acessar
- Mödlinger, Marianne; Trebsche, Peter; Sabatini, Benjamin. "Melting, smelting, and recycling: A regional study around the Late Bronze Age mining site of Prigglitz-Gasteil, Lower Austria". PLOS ONE 16(7): e0254096, 16 jul. 2021. DOI 10.1371/journal.pone.0254096. Texto integral via Europe PMC (PMC8284822), consultado em 29/10/2026. Acessar
- Heiss, Andreas G.; Jakobitsch, Tanja; Wiesinger, Sabine; Trebsche, Peter. "Dig out, Dig in! Plant-based diet at the Late Bronze Age copper production site of Prigglitz-Gasteil (Lower Austria) and the relevance of processed foodstuffs for the supply of Alpine Bronze Age miners". PLOS ONE 16(3): e0248287, 24 mar. 2021. DOI 10.1371/journal.pone.0248287. Texto integral via Europe PMC (PMC7990284), consultado em 29/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Complexo das espadas em língua de carpa (Bronze Final atlântico): do tipo Huelva, achado em rios, ao tipo Nantes, em depósitos em terra, na segunda metade do séc. X ou início do IX a.C. segunda metade do séc. X ou início do séc. IX cal a.C. para a sucessão do tipo Huelva ao tipo Nantes (Brandherm e Moskal-del Hoyo 2010, citando Needham et al. 1997 e Brandherm 2007); o tipo Huelva em si pode ser anterior
- Lurs de bronze nórdicos: as trompas curvas fundidas em cera perdida e depositadas aos pares em pântanos dinamarqueses, como as de Radbjerg Mose (c. 900 a.C.) e Brudevælte (c. 800–700 a.C.) c. 900 – c. 700 a.C.: as lurs de Radbjerg Mose (Falster) são datadas de c. 900 a.C. na legenda de uma foto do Lex, e as de Brudevælte (Zelândia) de c. 800–700 a.C.; o verbete dá ao instrumento no todo c. 1300–600 a.C.
- Quem vinha aos banquetes: 254 amostras de animais de seis middens da Grã-Bretanha, lidas com vários isótopos, mostram redes de abastecimento muito diferentes na passagem do Bronze Final ao Ferro (c. 900–500 a.C.) Transição do Bronze Final ao Ferro Antigo, c. 900–500 a.C. (faixa dada por Esposito e colegas); as datas de cada midden não foram lidas
- Mobilidade em Seddin na Idade do Bronze Final: o estrôncio dos ossos petrosos cremados de Wickbold I e dos sítios vizinhos, ao lado do túmulo do rei (séc. IX a.C.) séc. IX a.C.: Frank e colegas datam do séc. IX a.C. tanto o Königsgrab de Seddin quanto o montículo Wickbold I; radiocarbono de ossos longos de Wickbold I, por exemplo 967–827 a.C. calibrado (95,4%), com ressalvas dos autores
- Cobre com antimônio e bronze com chumbo: os isótopos de chumbo e as impurezas de mais de 200 objetos mostram de onde vinha o metal do Bronze Final nos Países Baixos (c. 1000–800 a.C.) Bronze Final, c. 1100–800 a.C. segundo Merkel e colegas; o texto fala em 1000–800 a.C. para o uso de metal do vale do Inn e em c. 1020–800 a.C. para a fase Ewart da Grã-Bretanha
- Bronze nórdico: o início do período V por volta de 820 a.C. e os depósitos de metal quebrado em água e em terra seca c. 820 a.C. (cal.) para o início do período V, segundo Kneisel (2013); no esquema de Baudou o período V costuma ser posto no séc. VIII a.C.