Calendário agrícola de Hesíodo: o ano de trabalho contado pelas Plêiades, Órion, Sírio e Arcturo, pelo grito da grua e pelos dias do mês em Os trabalhos e os dias
fixado por escrito em Os trabalhos e os dias, c. 730 – c. 660 a.C. (faixa das propostas para a composição dos poemas hesiódicos segundo Clay e Vergados); as fontes lidas não datam a prática · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em Os trabalhos e os dias, Hesíodo ensina ao irmão Perses a ordenar o ano agrícola por sinais do céu e da natureza: colher quando as Plêiades nascem e arar quando se põem, arar quando a grua grita, cortar as uvas quando Órion e Sírio estão a meio do céu e Arcturo aparece ao amanhecer, e navegar só depois do solstício. O poema acrescenta uma lista de dias do mês, boas ou más para tarefas como tosquiar, semear e tecer. É um saber de agricultor posto em hexâmetros, e Hesíodo diz que o ensina ao irmão porque quer que ele trabalhe para pagar as dívidas, e não que tenha experiência no mar.
O ano de trabalho em ordem
Nos trechos lidos, o ano agrícola de Os trabalhos e os dias segue sinais. Colher quando as Plêiades nascem e arar quando se põem, depois de quarenta dias de ausência no céu. Arar quando a grua grita. Podar as videiras antes que a andorinha apareça, o que acontece sessenta dias depois do solstício de inverno, quando Arcturo nasce ao anoitecer. Quando o caracol sobe nas plantas para fugir das Plêiades, acabar de cavar as vinhas e afiar as foices. Debulhar quando Órion aparece. Cortar as uvas quando Órion e Sírio estão a meio do céu e Arcturo é visto pela aurora, expô-las ao sol por dez dias e dez noites, cobri-las por cinco e, no sexto dia, passar o vinho aos vasos. Voltar a arar quando Plêiades, Híades e Órion se põem. (Hesíodo. Works and Days (Os trabalhos e os dias). Trad. Hugh G. Evelyn-White)
Quando navegar
O poeta alerta que os ventos se enfurecem quando as Plêiades mergulham no mar, e aconselha tirar o navio da água, calçá-lo com pedras e dedicar-se à terra. A hora da navegação é cinquenta dias depois do solstício, quando termina o calor sufocante, com ventos firmes e mar tranquilo, mas é preciso voltar antes do vinho novo e das chuvas do outono. Uma outra época, na primavera, quando a figueira tem folhas do tamanho da pegada de uma gralha, ele diz não louvar. Hesíodo declara que nunca navegou, a não ser da Áulide à Eubeia, e Clay e Vergados lembram que por isso ele pede a ajuda das Musas nesse trecho. (Hesíodo. Works and Days (Os trabalhos e os dias). Trad. Hugh G. Evelyn-White; Clay)
Ferramentas, madeira e trabalho
O calendário vem junto com um saber de oficina: cortar a madeira quando as folhas caem e a seiva baixa, porque então ela é menos sujeita ao caruncho; fazer um pilão de três pés, um pilão de mão de três côvados e um eixo de sete pés; escolher carvalho-azinho para o arado e ter dois arados prontos, um inteiriço e um articulado, para o caso de quebrar um. Dois bois de nove anos e um homem de quarenta anos a conduzi-los são o que o poeta recomenda para um sulco reto. As medidas são as da tradução de Evelyn-White. (Hesíodo. Works and Days (Os trabalhos e os dias). Trad. Hugh G. Evelyn-White)
Os dias do mês
O poema manda marcar "os dias que vêm de Zeus", dizendo aos escravizados que o trigésimo dia é o melhor para examinar o trabalho e distribuir os mantimentos. Segundo a tradução, o primeiro, o quarto e o sétimo são dias sagrados, o oitavo e o nono do mês crescente são excelentes para os trabalhos dos homens, o décimo primeiro e o décimo segundo para tosquiar e colher, e no décimo segundo uma mulher deve montar o tear. O décimo terceiro do mês crescente é ruim para começar a semear e bom para plantar. Evelyn-White observa em nota que o mês se divide em três períodos que correspondem às fases da Lua. (Hesíodo. Works and Days (Os trabalhos e os dias). Trad. Hugh G. Evelyn-White)
Fontes
- Hesíodo. Works and Days (Os trabalhos e os dias). Trad. Hugh G. Evelyn-White, em Hesiod, the Homeric Hymns and Homerica. Londres: William Heinemann; Nova York: Macmillan, 1914 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0020/tlg002/tlg0020.tlg002.perseus-eng2.xml Acessar
- Clay, Jenny Strauss; Vergados, Athanassios. Hesiod: Theogony, Introdução, seção 1 "Life and Works" (pp. 1-5). Cambridge: Cambridge University Press (edição comentada; ano e série a conferir), trecho "excerpt" de acesso aberto, consultado em 29/10/2026. https://assets.cambridge.org/97811074/83484/excerpt/9781107483484_excerpt.pdf Acessar
Na mesma região
- Hesíodo: o poeta de Ascra que diz o próprio nome na Teogonia, a disputa com o irmão Perses e o tripé ganho em Cálcis, entre dados do poema e a dúvida sobre a pessoa c. 730 – c. 660 a.C.: faixa das datas hoje propostas para a Teogonia (West 1966: 730–700; Janko: 700–665; West 2012: 680–660, segundo Clay e Vergados); nenhuma fonte lida data nascimento ou morte do poeta
- Fundações gregas na Sicília oriental (séc. VIII a.C.): Naxos, Siracusa, Leontinos, Catânia e Mégara Hibleia, segundo Tucídides c. 735–730 a.C. (fim do séc. VIII a.C.). Tucídides só dá a ordem relativa das fundações; o item do Wikidata da Siracusa antiga (Q4420718) traz 735 a.C. como fundação
- Primeira Guerra Messênia (tradicionalmente c. 743–724 a.C.): Esparta contra Messênia em Pausânias, Estrabão e nos versos de Tirteu tradicionalmente 743–724 a.C. (20 anos; início no P580 do Wikidata e nas glosas dos editores de Pausânias: 2º ano da 9ª olimpíada até o 1º ano da 14ª)
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