Atlas da História

Hesíodo: o poeta de Ascra que diz o próprio nome na Teogonia, a disputa com o irmão Perses e o tripé ganho em Cálcis, entre dados do poema e a dúvida sobre a pessoa

c. 730 – c. 660 a.C.: faixa das datas hoje propostas para a Teogonia (West 1966: 730–700; Janko: 700–665; West 2012: 680–660, segundo Clay e Vergados); nenhuma fonte lida data nascimento ou morte do poeta · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Hesíodo é o nome que a Teogonia (v. 22) e Os trabalhos e os dias dão ao poeta de dois poemas em hexâmetros, e dele vêm quase todos os dados que se têm sobre ele: o pai deixou a Cime eólia e se fixou em Ascra, aos pés do Hélicon, e uma disputa de herança com o irmão Perses ocasiona o segundo poema. Ele conta ainda que as Musas o iniciaram no canto quando pastoreava ovelhas e que ganhou um tripé num concurso nos jogos fúnebres de Anfidamante, em Cálcis. Se esse "eu" é uma pessoa ou uma persona tradicional do gênero é debate aberto, e as datas propostas para a Teogonia vão de cerca de 730 a 660 a.C.

O que o poeta diz de si

Em Os trabalhos e os dias o "eu" do poema diz que o pai, por pobreza e depois de uma carreira mal sucedida no mar, deixou a Cime eólia e se fixou num povoado miserável perto do Hélicon, Ascra. Clay e Vergados resumem que os irmãos Hesíodo e Perses herdaram do pai, que Perses (cujo nome talvez signifique "dissipador") teria tentado ficar com mais subornando os "reis" que julgavam a causa e acabou se empobrecendo, e que o poema nasce desse conflito: Hesíodo propõe resolvê-lo "aqui e agora" exortando Perses à justiça e ao trabalho agrícola. Ele diz também que só navegou da Áulide à Eubeia, para os jogos de Anfidamante em Cálcis, onde ganhou um tripé com um canto. (Hesíodo. Works and Days (Os trabalhos e os dias). Trad. Hugh G. Evelyn-White; Clay)

A iniciação pelas Musas

No proêmio da Teogonia, na tradução de Evelyn-White, as Musas "ensinaram a Hesíodo um canto glorioso" quando ele pastoreava cordeiros sob o Hélicon e lhe disseram que sabem falar muitas falsidades que parecem verdades, mas também, quando querem, dizer coisas verdadeiras. Clay e Vergados lembram que a cena segue o modelo de chamados divinos de reis, videntes e profetas, que as Musas o tratam com insultos e fala enigmática e lhe dão um cetro de louro, e que ele passa a cantar os deuses e a celebrar Zeus. É nesse trecho, no v. 22, que o nome Hesíodo aparece no poema. (Hesíodo. Theogony (Teogonia); Clay)

Quando viveu

Segundo Clay e Vergados, as datas de Hesíodo já eram debatidas na Antiguidade. Heródoto o põe, com Homero, cerca de 400 anos antes de si, e o Mármore de Paros, uma geração antes de Homero. Plutarco diz que Anfidamante morreu na guerra lelantina, entre Erétria e Cálcis; a conexão com Arquíloco, cujo auge se fixa em meados do século VII, sustenta uma data um pouco anterior a ele, mas a guerra mesma não tem data segura e pode ter ido do fim do século VIII à metade do VII. Janko data a Teogonia entre 700 e 665 e West entre 680 e 660 (antes, West a datava entre 730 e 700), e os dois mudaram de proposta ao longo do tempo. Citando Pausânias, os autores deixam a última palavra à prudência dele diante da pergunta. (Clay; Heródoto. The Histories (Histórias))

Pessoa ou persona

A discussão moderna divide-se em duas leituras que o trecho de Clay e Vergados apresenta lado a lado. Uma, ligada ao interesse pela natureza oral e tradicional do hexâmetro inicial, vê "Hesíodo" como uma persona de bardo legendário e o nome como construção do gênero (os autores citam Nagy e González). A outra aponta para a especificidade das informações do poeta e para a arqueologia de Ascra, que, segundo Edwards, não pode ter sido abandonada por muito tempo depois do primeiro abandono. O resumo de Lamberton acrescenta que a figura de Hesíodo foi mantida, ou talvez criada, pelo festival das Musas em Téspias, e que Plutarco registra, via Proclo, a destruição de Ascra já por volta da época romana, sem que se saiba de quem a tenha visitado, embora Estrabão possa tê-lo feito. (Clay; Lamberton)

Fontes

  1. Clay, Jenny Strauss; Vergados, Athanassios. Hesiod: Theogony, Introdução, seção 1 "Life and Works" (pp. 1-5). Cambridge: Cambridge University Press (edição comentada; ano e série a conferir), trecho "excerpt" de acesso aberto, consultado em 29/10/2026. https://assets.cambridge.org/97811074/83484/excerpt/9781107483484_excerpt.pdf Acessar
  2. Hesíodo. Works and Days (Os trabalhos e os dias). Trad. Hugh G. Evelyn-White, em Hesiod, the Homeric Hymns and Homerica. Londres: William Heinemann; Nova York: Macmillan, 1914 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0020/tlg002/tlg0020.tlg002.perseus-eng2.xml Acessar
  3. Hesíodo. Theogony (Teogonia), proêmio. Trad. Hugh G. Evelyn-White, em Hesiod, the Homeric Hymns and Homerica. Londres: William Heinemann; Nova York: Macmillan, 1914 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0020/tlg001/tlg0020.tlg001.perseus-eng2.xml Acessar
  4. Heródoto. The Histories (Histórias), livro II (cap. 53). Trad. A. D. Godley. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1920-1925 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0016/tlg001/tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml Acessar
  5. Lamberton, Robert. "Hesiod and the Thespian Festival of the Muses", resumo da palestra de 21/09/1991 (série "CHS summaries", Hellenic Studies, Stockton University); autoria do resumo não identificada no PDF; consultado em 29/10/2026. https://stockton.edu/hellenic-studies/documents/chs-summaries/lamberton91.pdf Acessar

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