Primeira Guerra Messênia (tradicionalmente c. 743–724 a.C.): Esparta contra Messênia em Pausânias, Estrabão e nos versos de Tirteu
tradicionalmente 743–724 a.C. (20 anos; início no P580 do Wikidata e nas glosas dos editores de Pausânias: 2º ano da 9ª olimpíada até o 1º ano da 14ª) · Europa Mediterrânea
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Segundo Pausânias, a guerra começou quando os lacedemônios atacaram à noite a cidade messênia de Anfeia, após um conflito em torno do messênio Polícares e do assassinato do rei espartano Teleclo, e durou vinte anos, como diz o poeta Tirteu. Os messênios se concentraram no monte Itome e, vencidos, abandonaram a região; os que ficaram passaram a entregar a Esparta metade da colheita. Estrabão diz que a causa teria sido a violação de moças que sacrificavam no templo de Ártemis em Limnas e que Tirteu fala de uma submissão no tempo dos avós.
Anfeia e a retirada para o Itome
Pausânias descreve Anfeia como uma pequena cidade messênia perto da fronteira lacônia, numa colina com fontes abundantes. Segundo ele, os lacedemônios a tomaram à noite, matando quem encontraram, e esse foi o primeiro ataque da guerra, no segundo ano da nona olimpíada. Com o tempo os messênios, esgotados pelo custo das guarnições, pela fuga de escravizados para os lacedemônios e por uma doença parecida com peste, deixaram as cidades do interior e se instalaram no monte Itome, cuja cidade pequena ampliaram. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece))
O oráculo e Aristodemo
Pausânias conta que um oráculo de Delfos exigiu o sacrifício de uma moça de sangue real, sorteada entre os descendentes de Épito. O sorteio recaiu sobre a filha de Lícisco, que fugiu para Esparta; Aristodemo ofereceu então a própria filha, mas um homem que a queria como esposa declarou que ela estava grávida, e Aristodemo, enfurecido, a matou e mostrou que a acusação era falsa. Pausânias diz que o vidente Epébolo julgou o ato um assassinato e não uma oferenda. Aristodemo reinou seis anos e acabou se matando sobre o túmulo da filha, segundo o relato, que vem de narrativas messênias recolhidas séculos depois. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece))
O fim da guerra e o destino dos messênios
Depois da morte de Aristodemo, a Messênia escolheu Damis como general; segundo Pausânias, resistiram ainda cinco meses, até a fome, e deixaram Itome no vigésimo ano da guerra, no primeiro ano da 14ª olimpíada. Esparta arrasou Itome e as demais cidades. Parte dos messênios se refugiou em Sicione, Argos e na Arcádia, os sacerdotes dos mistérios em Elêusis, e a maioria do povo ficou em suas cidades. Esparta lhes impôs um juramento de nunca se revoltar, a entrega da metade da produção dos campos e a presença, com roupas pretas, nos funerais dos reis e magistrados, sob pena. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece))
Fontes
- Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece), livro 4 (Messênia): a causa da guerra, a tomada de Anfeia, a retirada para o monte Itome, o oráculo, Aristodemo e o fim da guerra, o tratamento dos messênios, a segunda guerra, e as fontes de Pausânias (Mirão de Priene, Riano de Bene, Tirteu). Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod (Cambridge, MA: Harvard University Press, Loeb Classical Library), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. As glosas de datas a.C. no texto lido são dos editores. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0525/tlg001/tlg0525.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Estrabão. Geografia (Geographica), livro 8, cap. 4 (Messênia): parágrafos sobre o templo de Ártemis em Limnas e sobre as guerras entre lacedemônios e messênios. Tradução inglesa de Hans Claude Hamilton e William Falconer (Londres: Henry G. Bohn, 1854–1857), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. As datas a.C. em notas são dos tradutores. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0099/tlg001/tlg0099.tlg001.perseus-eng4.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- O alfabeto grego como adaptação das letras fenícias (séc. VIII a.C.): a explicação de Heródoto e as inscrições mais antigas em Atenas e Pitecusa c. 750 a.C. (P571 do Wikidata, com outros valores de 900 e 1000 a.C.). As inscrições alfabéticas gregas mais antigas lidas são da segunda metade do séc. VIII a.C. (taça de Nestor) e do terceiro quarto do séc. VIII a.C. (oinochoe do Dípilon)
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- Fundação de Roma (tradicionalmente 753 a.C.): o relato de Lívio, as datas de Dionísio de Halicarnasso e a tese de Carandini tradicionalmente 753 a.C. (21 de abril, no P585 do Wikidata); Dionísio de Halicarnasso a põe no 1º ano da 7ª olimpíada e outros autores antigos dão datas diferentes