Atlas da História

Inscrição da oinochoe do Dípilon, em Atenas: um hexâmetro gravado num vaso que anuncia como prêmio de dança o próprio vaso, entre as primeiras escritas alfabéticas gregas

3º quarto do séc. VIII a.C. (Cardin); a datação mais baixa, entre o fim do séc. VIII e o início do VII a.C., era a preferida no passado · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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A oinochoe do Dípilon é um jarro ático da oficina do Mestre do Dípilon, achado em 1871 em sepulturas junto à porta do Dípilon, em Atenas, com uma inscrição gravada depois da queima. Segundo Cardin, as primeiras 35 letras formam um hexâmetro perfeito que anuncia como prêmio de uma disputa de dança o próprio vaso ("quem agora, entre todos os dançarinos, dançar com mais graça..."), e é a mais antiga atestação do alfabeto grego achada na Ática e uma das primeiras de poesia escrita. A leitura da parte final é incerta e debatida.

O vaso e o achado

Segundo Cardin, é uma oinochoe (jarro de vinho) de produção ática, da oficina do Mestre do Dípilon, com decoração do Geométrico Tardio (LGIb): faixas escuras e claras na pança e, no pescoço, um painel retangular com um pássaro de brejo e um cervídeo pastando. Os fragmentos vieram de escavações ilegais de sepulturas junto ao Dípilon, em 1871, foram comprados e remontados pela Sociedade Arqueológica Grega nos primeiros meses de 1880 e estão no Museu Arqueológico Nacional de Atenas (inv. 192). (Cardin)

A inscrição

A inscrição foi gravada depois da queima, no ombro do vaso, em sentido retrógrado e em dialeto ático. As primeiras 35 letras, na leitura de Cardin, formam um hexâmetro: "quem agora, de todos os dançarinos, dançar com mais graça...". As 12 letras seguintes provavelmente guardam o início de um segundo hexâmetro, interrompido, depois do qual há um espaço de 4 a 6 letras. Para Cardin, o hexâmetro anuncia o prêmio da vitória numa disputa de dança, o próprio vaso. (Cardin)

Quem escreveu e como

As particularidades das letras, como o alfa inclinado ou deitado, o lambda jônico, raro na Ática, e o iota de três traços, fizeram alguns duvidar da identidade ática do gravador. Cardin responde que isso pode ser sinal de prática ainda não padronizada e que a unidade gráfica da inscrição é indubitável, vista na redução constante do ômicron depois do tau e na forma semelhante do ny e do épsilon. Sobre a mão, Jeffery e Powell imaginam uma segunda, inexperiente, que teria tentado seguir a primeira e passado a traçar parte de um abecedário. (Cardin)

Escrita e épica

Cardin chama a atenção para o fato de o autor do verso, que não é necessariamente o gravador, dominar a dicção épica, com muitos confrontos com Homero, e para o modo como o texto anuncia o prêmio pela forma de uma oração relativa com paralelos épicos. Em relação ao título de testemunho mais antigo da escrita alfabética grega, Valerio diz que a oinochoe e a taça de Pitecusa disputam o primado. Ao lado da taça, vinda de uma colônia euboica, ela mostra a escrita alfabética já usada para versos em dois pontos distantes do mundo grego no séc. VIII a.C. (Cardin; Valerio)

Fontes

  1. Cardin, Marta. "Oinochoe del Dipylon". Axon [online], vol. 1, n. 1, jun. 2017, pp. 19-30. Università Ca' Foscari Venezia. DOI 10.14277/2532-6848/Axon-1-1-17-2. https://edizionicafoscari.unive.it/media/pdf/article/axon/2017/1/art-10.14277-2532-6848-Axon-1-1-17-2_ojvVQUD.pdf, consultado em 29/10/2026 Acessar
  2. Valerio, Francesco. "Coppa di Nestore". Axon [online], vol. 1, n. 1, jun. 2017, pp. 11-18. Università Ca' Foscari Venezia. DOI 10.14277/2532-6848/Axon-1-1-17-1. https://edizionicafoscari.unive.it/media/pdf/article/axon/2017/1/art-10.14277-2532-6848-Axon-1-1-17-1_cVVTB1Q.pdf, consultado em 29/10/2026 Acessar

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