Campanha de Trajano contra os partas: a Armênia, a Mesopotâmia e Ctesifonte (114–117)
primavera de 114 (ofensiva na Armênia) a 117; Ctesifonte tomada em 116 (maio–junho, segundo Kalaycı). O Wikidata dá 115–117 e o rótulo em português diz 113–117 · Mesopotâmia e Levante, Anatólia e Cáucaso
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Na primavera de 114, o imperador Trajano invadiu a Armênia, que virou província romana, e nos anos seguintes ocupou a Mesopotâmia: em 116 entrou em Ctesifonte, capital parta, e desceu o Tigre até o golfo Pérsico. Segundo Dião Cássio, enquanto Trajano estava na costa, as regiões conquistadas se revoltaram, e ele morreu em 117 sem restabelecer o controle. Para Parfyonov, a meta imediata da guerra era anexar a Armênia, não repetir Alexandre.
Armênia e o rei sem diadema
Segundo Parfyonov, a guerra veio de uma disputa parta: o pretendente Cosroes, irmão do rei Pácoro II, trocou o rei da Armênia aprovado por Roma, Axidares, por Partamasires, e Trajano viu nisso um bom pretexto para declarar guerra à Armênia e à Pártia. As operações ativas começaram na primavera de 114, e a Armênia recebeu logo o estatuto de província romana. Dião descreve o encontro em Elegeia: Partamasires tirou o diadema, os soldados aclamaram Trajano imperator, e chamaram a cena de vitória sem coroa e sem sangue. O rei acabou eliminado por ordem de Trajano, segundo Parfyonov. (Cássio Dião (Cassius Dio); V. N. Parfyonov (Парфенов В. Н.))
Mesopotâmia e Ctesifonte
Dião conta que Abgar de Osroena mandou presentes e mensagens a Trajano, mas evitou comparecer, por temer tanto os romanos quanto os partas; só em Edessa, instado pelo filho Arbandes, apresentou-se, pediu perdão e o recebeu. Parfyonov dá a sequência: inverno de 114/115 em Antioquia, ocupação da Alta Mesopotâmia na primavera e no verão de 115 e, em 116, a entrada em Ctesifonte. Kalaycı situa essa entrada em maio–junho de 116 e afirma que Trajano criou a província da Assíria e depois a da Mesopotâmia. Dião diz que Trajano desceu ao oceano e viu um navio que partia para a Índia. (Cássio Dião (Cassius Dio); V. N. Parfyonov (Парфенов В. Н.); Alaaddin Kalaycı)
Revoltas e recuo
Segundo Dião, as terras conquistadas se rebelaram enquanto Trajano estava no Golfo; ele enviou Lúsio e Máximo, que foi derrotado e morreu, enquanto Lúsio retomou Nisibis e tomou Edessa, que saqueou e queimou, e Selêucia foi tomada e queimada por outros dois comandantes. Trajano pôs Partamáspates como rei dos partas em Ctesifonte, mas não conseguiu tomar Hatra, e Dião diz que os partas depois rejeitaram esse rei. Trajano adoeceu e morreu em Selino, na Cilícia, deixando Adriano com o exército na Síria. (Cássio Dião (Cassius Dio))
Fontes
- V. N. Parfyonov (Парфенов В. Н.), "Bellum Parthicum императора Траяна: состязание с призраком Александра?" ("Bellum Parthicum do imperador Trajano: uma disputa com o fantasma de Alexandre?"), Вестник РУДН. Серия: Всеобщая история / RUDN Journal of World History 17(3), 2025, pp. 286–305. https://doi.org/10.22363/2312-8127-2025-17-3-286-305 (texto bruto lido em 30/10/2026, a partir de https://journals.rudn.ru/world-history/article/download/46285/25497) Acessar
- Cássio Dião (Cassius Dio), Roman History, epítome do livro 68, tradução inglesa da Loeb Classical Library, vol. VIII (domínio público), reproduzida em LacusCurtius, Bill Thayer (ed.), 2011. https://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Cassius_Dio/68*.html (texto bruto lido em 30/10/2026; a página avisa que ainda não foi revisada) Acessar
- Alaaddin Kalaycı, "The Impact of Marcus Aurelius' Eastern Campaign on the Socio-Political Situation of the Roman Empire", Oannes 8(1), março de 2026, pp. 123–137. https://doi.org/10.33469/oannes.1840457 (texto bruto lido em 30/10/2026, a partir de https://dergipark.org.tr/en/download/article-file/5499160; só a introdução histórica sobre Trajano foi usada) Acessar
Na mesma região
- Via Nova Traiana (c. 106–114): a estrada militar de Bostra ao mar Vermelho e seus marcos miliários c. 106–114 d.C. Segundo o Karak Resources Project, a obra começou logo após a anexação do reino nabateu em 106, os marcos mais antigos identificados são de 111–114 e a via ficou pronta por volta de 114; o marco de Khirbet al-Kithara é de 112
- Revolta de Bar Kokhba na Judeia: as cartas do deserto, o cerco de Bethar e a fundação de Aelia (132–136) 132 a c. 136 (Wikidata: 132–136; Eusebio diz que a guerra foi mais feroz no 18º ano de Adriano, em Bethar)
- Guerra romano-parta de Lúcio Vero: Avídio Cássio em Selêucia e Ctesifonte e a origem da peste antonina (161–166) 161 a 166 (Wikidata); Selêucia tomada no fim de 165, segundo Kalaycı
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