Revolta de Bar Kokhba na Judeia: as cartas do deserto, o cerco de Bethar e a fundação de Aelia (132–136)
132 a c. 136 (Wikidata: 132–136; Eusebio diz que a guerra foi mais feroz no 18º ano de Adriano, em Bethar) · Mesopotâmia e Levante
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Em 132 estourou na Judeia uma revolta contra o domínio romano sob Simão bar Kosiba, conhecido como Bar Kokhba. Cartas em hebraico, aramaico e grego achadas em cavernas do deserto da Judeia mostram o líder tratando de sal, ramos de palmeira para a festa das Cabanas e disciplina. Eusebio, que segue o relato de Aristo de Pella, diz que a guerra foi mais feroz em Bethar e que depois a cidade, esvaziada dos judeus, virou uma colônia chamada Aelia.
As cartas de Bar Kokhba
Newman descreve as quinze cartas da localidade 7 da caverna das Cartas como cartas de logística: duas tratam de entrega de sal (P.Yadin 56 e 58), e uma, em nome de Shim'on bar Kosiba, manda que o gado não destrua as árvores e que ninguém se aproxime do jardim de ládano (P.Yadin 50). A carta grega P.Yadin 52, que deve ser lida junto de P.Yadin 57, trata do transporte de ramos de palmeira e cidras para a festa das Cabanas. O autor diz que as cartas deixam sem resposta as grandes questões da história da revolta. (Hillel I. Newman et al. 2004)
A era da revolta e a cronologia
Os contratos achados na caverna usam uma era própria da revolta, e Newman discute em que mês ela começava. Hanan Eshel concluiu, com base num contrato de arrendamento do primeiro ano (P.Yadin 42), que a era começou em Tisrei ou pouco antes, e que não era contada desde Nisã. Newman acha correta a conclusão, mas por razões um pouco diferentes, e observa que uma revolta e uma era iniciadas em Nisã de 132 também seriam compatíveis com o contrato. O autor deixa de lado a cronologia absoluta, e três documentos do conjunto são do terceiro ano da revolta. (Hillel I. Newman et al. 2004)
Bethar, a proibição e Aelia segundo Eusebio
Eusebio, que cita Aristo de Pella, escreve que a guerra foi mais feroz no 18º ano de Adriano na cidade de Bethar, fortaleza segura perto de Jerusalém. Depois de um longo cerco, com os rebeldes reduzidos pela fome e pela sede e o chefe punido, um decreto proibiu a nação judaica de voltar à região de Jerusalém, e o imperador mandou que nem de longe vissem a terra de seus pais. Segundo Eusebio, a cidade foi então colonizada por outros e rebatizada Aelia, em honra de Élio Adriano. (Eusébio de Cesareia)
Fontes
- Hillel I. Newman, "Old and New in the Documentary Papyri from the Bar Kokhba Period" (artigo-resenha de Yadin et al., eds., The Documents from the Bar Kokhba Period in the Cave of Letters, 2002), Scripta Classica Israelica 23 (2004), pp. 239–254. https://doi.org/10.71043/sci.v23i.3571 (texto bruto lido em 30/10/2026, a partir de https://scriptaclassica.org/index.php/sci/article/download/3571/3091) Acessar
- Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livro 4, cap. 6, tradução inglesa de Arthur Cushman McGiffert, Nicene and Post-Nicene Fathers, 2ª série, vol. 1 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1890), edição de Kevin Knight para o New Advent. https://www.newadvent.org/fathers/250104.htm (texto bruto lido em 30/10/2026) Acessar
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