Atlas da História

Transferência da capital para o Rio de Janeiro (1763)

1763 · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 1763, a sede do poder português na América passou da Bahia para o Rio de Janeiro. Silva contesta que a mudança fosse inevitável: a decisão cabia a Lisboa, em meio à Guerra dos Sete Anos, e a ideia do Rio como capital natural seria construção dos séculos seguintes.

A decisão de Lisboa e o vazio de 1763

Silva (2012) mostra que a transferência da sede para o Rio foi uma decisão de Lisboa, recebida com indiferença nas capitanias. Em 1763 morreu Gomes Freire, o conde de Bobadela, o que abriu um vazio de poder. O conde da Cunha, que governara Angola de 1753 a 1758 e era irmão do secretário Luís da Cunha, foi nomeado vice-rei do Brasil e enviado ao Rio, e não à Bahia. A tese sustenta que Sebastião de Melo teria mudado o destino. O autor adverte que não há documento eloquente sobre as razões da escolha, o que obriga o historiador a reconstruí-las por indícios. (Silva 2012)

Bahia em estagnação, Rio sob pressão

Para Silva (2012), a economia da Bahia girava em torno do açúcar e do fumo, num circuito resumido na imagem de negros chegando e fumo saindo, e Salvador estagnou em 23 a 25 mil habitantes em 1724. Parte do ouro também escoava por Salvador. No Rio, as pressões eram outras: a Colônia do Sacramento, o ouro que vinha das Minas e a chegada de africanos escravizados de Angola. A tese lembra as mesas de inspeção criadas em 1751 e vê na liturgia do vice-rei uma aposta da Coroa. (Silva 2012)

O debate sobre a capitalidade

A tese de Silva (2012) contesta a ideia de "capitalidade" defendida por Maria Fernanda Bicalho, e discute a mudança como decisão política de 1763 em vez de resultado inevitável de um processo anterior. O leitor deve notar que a tese usa a expressão "vice-reinado" para a mudança e que, como ela mesma admite, faltam documentos que revelem as razões de Lisboa. A leitura é, portanto, uma interpretação apoiada em indícios, não uma explicação consensual. (Silva 2012)

Fontes

  1. Silva, D. A. da (2012). O enigma da capital: a mudança do vice-reinado para o Rio de Janeiro em 1763. Universidade de São Paulo. DOI 10.11606/t.8.2012.tde-10032014-113107. Acessar

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