Atlas da História

Tiradentes

1746 – 21 abr. 1792 (Moreira e Moreira 2026; Rodrigues 2008) · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Alferes da capitania de Minas Gerais, Joaquim José da Silva Xavier foi preso no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1789, no âmbito da devassa da Conjuração Mineira, e executado em 21 de abril de 1792, o único réu a sofrer a pena capital. Estudos de memória mostram que sua imagem de herói republicano foi construída depois, sobretudo na Primeira República.

O alferes e suas terras

Rodrigues (2008) mostra, pelos autos de sequestro, que o alferes tinha soldo anual de 142$350 réis, herdara 965$774 réis da mãe, Antônia da Encarnação Xavier, em 1757, e explorava 43 datas minerais concedidas em setembro de 1781 no porto do Meneses. Em 17 de setembro de 1783 mediu a fazenda da Rocinha Negra, com oito sesmarias (cerca de 50 km²), casas, senzalas e monjolo, avaliada em 700$000 réis. Foram sequestrados cinco escravizados dele. O autor conclui que Tiradentes não era pessoa de poucas posses, como a historiografia tende a dizer, e que tinha ligações com o poder da capitania. (Rodrigues 2008)

A devassa e a execução

Segundo Rodrigues (2008), as devassas abriram-se no Rio de Janeiro em 7 de maio e em Vila Rica em 12 de junho de 1789. Tiradentes foi preso em 10 de maio e, no dia seguinte, chegaram as cartas-denúncia de Joaquim Silvério dos Reis e de João José Nunes Carneiro. A Alçada levou anos de interrogatórios; a sentença do Tribunal da Relação do Rio é de abril de 1792. A carta de perdão de Maria I, de 15 de outubro, comutou a pena dos demais réus em degredo na África, com exceção de Tiradentes, enforcado, decapitado e esquartejado no Rio em 21 de abril. As partes do corpo seguiram pelo Caminho Novo. (Rodrigues 2008)

O que é documentado e o que veio depois

O que os autos sustentam é o perfil de um alferes, minerador e proprietário que foi o único condenado à morte entre os réus. Moreira e Moreira (2026) mostram que, na Primeira República, essa figura foi reelaborada como "herói-mártir": monumentos, rituais cívicos, o feriado de 21 de abril, manuais escolares e imagens de inspiração cristológica produziram uma imagem sacralizada. Para os autores, o culto republicano não recuperou veneração popular anterior, e apresentava a República como culminância de um processo emancipatório que vinha da colônia. (Moreira e Moreira 2026)

Os autos e os sequestros de bens

Rodrigues (2008) descreve onde estão os Autos de Devassa: o Códice 5 do Arquivo Nacional, com as peças das devassas do Rio e de Minas, cópias na Biblioteca Nacional e no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, além de documentos no Arquivo Público Mineiro, que mostram o exercício de Tiradentes como comandante do Caminho Novo. A Coroa condenou os réus ao desterro, exceto Tiradentes, e decretou o sequestro de seus bens, em processo que atingiu famílias, credores e as pessoas escravizadas que integravam esses patrimônios. (Rodrigues 2008)

Fontes

  1. Rodrigues, A. F. (2008). Estudo econômico da Conjuração Mineira: análise dos seqüestros de bens dos inconfidentes da comarca do Rio das Mortes. Tese (Doutorado em História Social), Universidade de São Paulo. DOI 10.11606/t.8.2008.tde-28112008-152727. Acessar
  2. Moreira, C. J. de M.; Moreira, V. L. C. (2026). "Tiradentes, mito e escola republicana: entre a construção da memória e as controvérsias atuais". Revista Cronos 27(2): 317–336. DOI 10.21680/1982-5560.2026v27n2id43637. Acessar

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