Cassiana de Constantinopla (Kassia)
c. 805 – década de 860 (Bodin 2022); Panagopoulos dá o nascimento entre 805 e 810 · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Kassia (também Cassiana ou Eikasia) nasceu em Constantinopla, por volta de 805, numa família aristocrática, e fundou ali um convento, do qual foi a primeira abadessa, em 842 ou 843. Atribuem-se a ela, segundo a tradição, 49 hinos religiosos e 261 versos profanos, e 23 de seus hinos estão nos livros litúrgicos ortodoxos. Bodin lembra que não há edição crítica de suas obras e que a atribuição de vários textos continua contestada, e Kazhdan, citado por ele, só considera certo que ela viveu na primeira metade do séc. IX e foi monja em Constantinopla.
A história do concurso de noivas
Segundo Panagopoulos, três cronistas bizantinos (Pseudo-Simeão, Jorge, o Monge, e Leão, o Gramático) dizem que Kassia participou do concurso de noivas que a madrasta Eufrosina organizou para o imperador Teófilo. Ele teria dito a ela que pela mulher vieram as coisas ruins, e ela respondeu que também pela mulher vêm as melhores; ferido, Teófilo deu a maçã de ouro a Teodora. Panagopoulos reproduz o relato de Zonaras, do séc. XII, e de um poema do séc. XIV, e lembra que Treadgold aceita o episódio. Bodin conta que muita pesquisa tentou confirmar se ele ocorreu, e que Kazhdan avisa: se for lenda, a biografia inteira desmorona. (Panagopoulos; Bodin 2022)
O convento e a iconoclastia
Panagopoulos escreve que Kassia fundou, em 843, um convento no oeste de Constantinopla, perto das muralhas de Constantino, e foi sua primeira abadessa; uma crônica do séc. XIV, os Pátria de Constantinopla, fala do convento. Bodin dá 842 e acrescenta que ela é a destinatária de três cartas de Teodoro Estudita, que agradece o apoio recebido quando esteve preso por defender os ícones na segunda fase da iconoclastia. Ele lembra que a identidade da Kassia dessas cartas, como a do concurso de noivas, é objeto de debate. (Panagopoulos; Bodin 2022)
A obra e sua transmissão
Segundo Panagopoulos, a tradição e os manuscritos atribuem a Kassia 49 hinos religiosos e 261 versos profanos, entre epigramas e sentenças morais, conservados em manuscritos dos séculos XI a XVI sob os nomes Kassia, Eikasia ou Ikasia. Seu texto mais difundido é o tropário "Senhor, a mulher que caiu em muitos pecados", sobre a pecadora do Evangelho de Lucas, comentado por Dyck. Bodin informa que vinte e três hinos estão nos livros litúrgicos ortodoxos, que alguns têm melodia própria (idiomela) e que não há edição crítica da obra reunida. Panagopoulos nota que só se conhecem seis nomes de mulheres hinógrafas em Bizâncio. (Panagopoulos; Bodin 2022)
Recepção posterior
Bodin informa que a Igreja grega só canonizou Kassia no séc. XIX, que ela não é considerada santa na tradição eslava e que sua festa cai em 7 ou 20 de setembro, conforme o calendário. No fim do séc. XIX escreveu-se um ofício grego completo para a festa dela, que Tatiana Senina traduziu para o eslavo eclesiástico. Bodin cita também a tradução e ampliação do hino da mulher caída por Grundtvig, incluída no hinário da Igreja luterana dinamarquesa. Para ele, Kassia funciona como um "significante vazio", e o ensaio estuda os usos de seu nome, não a Kassia histórica. (Bodin 2022)
Fontes
- Panagopoulos, S. "Kassia: A female hymnographer of the 9th century". Proceedings of the 1st International Conference of the American Society of Byzantine Music and Hymnology (ASBMH), p. 111-118. https://asbmh.pitt.edu/page12/Panagopoulos.pdf Acessar
- Bodin, P.-A. "Kaleidoscopic reception: An essay on some uses of Kassia". Scandinavian Journal of Byzantine and Modern Greek Studies 8 (2022), p. 197 em diante. https://journals.lub.lu.se/sjbmgs/article/download/25872/22690/67066 Acessar
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