Revolta armênia de 774–775: as batalhas de Arche'sh e de Bagrewand contra o califado abássida
774–775 (Bedrosian); batalhas finais em "Hrotits'" (dezembro, segundo a tradução de Bedrosian); Wikidata: abril de 775 · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Revolta de senhores e de gente comum da Armênia contra o governo do califado abássida, em 774–775, que terminou em duas derrotas, em Arche'sh e em Bagrewand. Segundo Ghewond, cronista armênio que viveu o período, ela nasceu do peso dos impostos cobrados sob o califa al-Mansur e deixou mortos os principais chefes armênios. Na leitura de Bedrosian, foi a segunda de duas revoltas fracassadas do século, depois da de 747–750.
Imposto em prata e tortura de quem não pagava
Ghewond descreve o governo do califa al-Mansur na Armênia como um tempo de cobrança por cabeça, em prata, e de castigo para quem não conseguia pagar: pessoas acorrentadas, açoitadas ou enforcadas, outras despidas e jogadas num lago em pleno inverno, e gente que fugiu para cavernas. O patriarca Trdat e o príncipe Sahak protestaram várias vezes, o califa trocou o governador, mas, segundo o cronista, o aperto continuou com Hasan ibn Kahtaba, que chegou com tropas do Khurasan. Antes, ao tratar dos primeiros anos abássidas, ele já registrara o fim do soldo anual em prata que a corte pagava à cavalaria armênia, cujo sustento passou a sair de impostos sobre as casas principescas. (Ghewond. Ghewond's History. Tradução do armênio clássico por Robert Bedrosian. Long Branch)
Do fisco de Kumayri à vitória de Bagawan
Segundo Ghewond, o primeiro a se levantar foi Artawazd, da casa Mamikonean, que em Dwin juntou armas e tropas fingindo lealdade, depois matou o cobrador de impostos em Kumayri e partiu com outros senhores para a terra dos ibéricos (georgianos). O governador respondeu apertando a cobrança. Então Mushegh, também Mamikonean, com 260 homens, matou o cobrador Abu Mjur em Bagrewand, atacou de noite uns 200 cavaleiros árabes no povoado de Xars, derrubando sobre eles os muros de pedra seca das vinhas, e depois, com cerca de 200 homens, derrotou em Bagawan uma força de cerca de 4.000 cavaleiros enviada de Dwin, cujo comandante foi capturado e morto. Em Dwin, diz o texto, houve luto e medo. (Ghewond. Ghewond's History. Tradução do armênio clássico por Robert Bedrosian. Long Branch)
O monge, o cerco de Karin e o conselho de Ashot
Animados pela vitória, os senhores seguiram um monge que profetizava a volta do cetro à casa de T'orgom, isto é, aos armênios. Juraram morrer juntos e, com cerca de 5.000 homens, sitiaram Karin (Erzurum) durante todo o inverno, sem tomá-la. Ashot Bagratuni, filho de Sahak, recusou-se a participar e, segundo Ghewond, avisou que o califa dispunha de um poder sem limites e que o imperador bizantino não ajudaria. Os rebeldes se dispersaram: os Artsrunik' ficaram em Vaspurakan e outros voltaram às suas fortalezas. Na primavera, relata o cronista, o califa enviou de Bagdá cerca de 30.000 cavaleiros do corpo do Khurasan sob o comando de um general chamado Amir. (Ghewond. Ghewond's History. Tradução do armênio clássico por Robert Bedrosian. Long Branch)
Arche'sh e Bagrewand em dezembro
O general emboscou os armênios perto de Arche'sh: segundo Ghewond, morreram quatro nobres e cerca de 1.500 homens comuns, em sua maioria infantaria sem armas nem treino, num sábado que a tradução dá como o dia 4 de Hrotits' (dezembro). Ao saber da derrota, os sitiantes de Karin levantaram o cerco e, em vez de fugir para terras bizantinas, enfrentaram a pé o exército árabe em Bagrewand. O cronista afirma que a princípio prevaleceram, que foram vencidos e que cerca de 3.000 morreram, entre eles o sparapet Smbat, Sahak Bagratuni e Mushegh; os corpos ficaram sem sepultura. Os números de combatentes variam dentro do próprio texto (5.000 numa passagem, menos de 1.000 em outra). (Ghewond. Ghewond's History. Tradução do armênio clássico por Robert Bedrosian. Long Branch)
Fontes
- Ghewond. Ghewond's History. Tradução do armênio clássico por Robert Bedrosian. Long Branch, N.J., 2006 (tradução em domínio público; espelho de páginas de Bedrosian). Lidos os caps. 27, 28, 32 e 34 (parágrafos [33] a [38]) em https://www.attalus.org/armenian/ghew5.htm, ghew6.htm e ghew7.htm, com o sumário em https://www.attalus.org/armenian/ghewtoc.html. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
- Bedrosian, Robert. "Translator's Preface", em Ghewond's History (Long Branch, N.J., 2006). https://www.attalus.org/armenian/ghewint.htm. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Minúscula bizantina e os manuscritos científicos do séc. IX: o debate sobre a origem do impulso c. 800–850 (faixa dos manuscritos científicos e filosóficos na lista de Gutas, segundo Acerbi e Trizio); a adoção da minúscula ocorre entre meados do séc. VII e o início do IX
- Cassiana de Constantinopla (Kassia) c. 805 – década de 860 (Bodin 2022); Panagopoulos dá o nascimento entre 805 e 810
- Tomada da fortaleza de Biwrakan, na Armênia (923): o relato do católico Yovhannes Drasxanakertc'i 10 de Ahekan do ano 372 da era armênia, que o tradutor Maksoudian converte em 923 d.C. (a execução de dois carregadores cristãos, dias depois, cai em 17 de Ahekan)
- Igreja principal do mosteiro de Oshki, em Tao (963–973): obra dos Bagrationi com cúpula cônica sobre quatro pilares isolados e inscrições sobre doadores e custos construída entre 963 e 973 (Natsvlishvili); coberta de novo nos anos 1020; pinturas murais por ordem de Jojik Patrikios em 1036
- Teodora (Bizâncio) c. 500 – 548 (Harvey 2001; Grau 2023)
- Inscrições de Bolnisi Sioni (493/494): as mais antigas em escrita georgiana datadas no território da Geórgia 493 ou 494 d.C. As fontes lidas divergem: a Enciclopédia Georgiana dá 493–494 (fundação no 20º ano do rei Peroz, 479, e conclusão 15 anos depois), Loosley dá a conclusão em 493 e Chelidze data a inscrição de 494. O registro começa em 493