Atlas da História

Minúscula bizantina e os manuscritos científicos do séc. IX: o debate sobre a origem do impulso

c. 800–850 (faixa dos manuscritos científicos e filosóficos na lista de Gutas, segundo Acerbi e Trizio); a adoção da minúscula ocorre entre meados do séc. VII e o início do IX · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Entre meados do séc. VII e o início do IX, a produção de livros no Império Bizantino passou em massa da escrita maiúscula para a minúscula, e dessa época vêm os manuscritos seculares mais antigos em minúscula. Segundo Acerbi e Trizio, duas explicações disputam o chamado renascimento do séc. IX: a interna (Lemerle, ligada à controvérsia iconoclasta) e a externa (Gutas, ligada ao movimento de tradução do grego para o árabe). Eles examinam os dados de Gutas e concluem que não sustentam a tese, sem afirmar que ela seja falsa.

Uma transição mal documentada

Acerbi e Trizio descrevem o período entre meados do séc. VII e o início do IX como a passagem da chamada idade das trevas bizantina, pouco documentada, para o que se chama renascimento macedônio ou, na expressão de Paul Lemerle, primeiro humanismo bizantino. Dois fenômenos marcam o período: a adoção em massa de uma escrita minúscula na produção de livros, que substituiu a maiúscula, e a segunda fase da controvérsia iconoclasta. Um dos resultados foram os manuscritos seculares mais antigos em minúscula. Para os autores, o próprio renascimento é, em parte, uma ficção historiográfica criada pela escassez de documentos. (Acerbi e Trizio 2022)

A explicação interna

Segundo Acerbi e Trizio, Lemerle sustenta que o renascimento veio de dentro, sem choque forte entre as épocas: a controvérsia iconoclasta levou as partes a procurar textos, e a adoção da minúscula seria consequência do interesse renovado por livros e leitura. Entre os nomes que ele destaca estão os patriarcas Tarásio e Nicéforo, e João, o Gramático, e seu sobrinho Leão, o Matemático. Os autores observam que Leão mudou de lado quando as circunstâncias pediram, e acham que o argumento não chega a explicar o renascimento do saber profano, só o afirma. (Acerbi e Trizio 2022)

A explicação externa e a tese de Gutas

A abordagem externa, nas palavras de Acerbi e Trizio, vê no Islã primitivo o catalisador. Hemmerdinger (1962) ligou uma missão científica árabe a Constantinopla à ordem do imperador Leão V, o Armênio, de reunir livros antigos do império, executada por João, o Gramático, a partir de 20 de maio de 814. Em 1998 Gutas afirmou que a maior parte, se não todos, dos manuscritos científicos e filosóficos de 800 a 850 se explicam como resposta bizantina às traduções árabes ou como demanda do Califado, e que haveria correlação perfeita entre as obras copiadas e as traduzidas. Os autores respondem que os dados dele não corroboram a tese. (Acerbi e Trizio 2022)

O que os autores propõem em troca

Acerbi e Trizio destacam que a documentação é fragmentária: por exemplo, o patriarca Fócio (m. 893) possuía ou lia uma imensa coleção de livros, e não lemos mais a maior parte das obras que ele cita na Bibliotheca. Segundo eles, o manuscrito Vat. gr. 1291, de Ptolomeu, foi copiado logo depois do reinado de Nicéforo I (802-811) e é quase certamente apógrafo de um modelo do tempo de Constantino V (740-775). Citam estudos recentes, segundo os quais as ciências não eram praticadas ativamente em Bizâncio até o séc. XI, e Förstel e Rashed, para quem Hunayn ibn Ishaq traduzia exemplares tardo-antigos, não protobizantinos. (Acerbi e Trizio 2022)

Fontes

  1. Acerbi, F.; Trizio, M. "Uprooting Byzantium. Ninth-Century Byzantine Books and the Graeco-Arabic Translation Movement". Scandinavian Journal of Byzantine and Modern Greek Studies 8 (2022), p. 105 em diante. https://journals.lub.lu.se/sjbmgs/article/download/25904/22712/67134 Acessar

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