Atlas da História

Çatalhöyük Leste (Turquia, c. 7100–5950 a.C. cal.): enterros sob as casas e o uso de pigmentos nos mortos e nas paredes

c. 7100–5950 a.C. cal. (Schotsmans et al. 2022; a fonte turca lida dá 7400–6200 a.C.) · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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O monte leste de Çatalhöyük, na Turquia, foi ocupado por volta de 7100 a 5950 a.C. calibrados, do Neolítico Pré-Cerâmico B tardio ao início do Neolítico com cerâmica. A maioria dos mortos foi sepultada dentro das casas; Schotsmans e colegas (2022) contaram pigmentos em 62 de 567 deposições (11%), sobretudo ocre vermelho, e acharam relação entre o número de enterrados e o de camadas de pintura nas paredes. Segundo eles, a escolha de quem recebia pigmento não dependia de sexo nem de idade, e o costume diminui ao longo da ocupação.

Quatro fases de ocupação, de 7100 a 5950 a.C.

Segundo Schotsmans et al., o monte leste foi escavado por James Mellaart de 1961 a 1965 e por Ian Hodder de 1993 a 2017, e sua ocupação neolítica se divide em quatro fases, definidas por estratigrafia, radiocarbono e dados arqueológicos e antropológicos: Inicial (7100–6700 a.C. cal.), Média (6700–6500), Tardia (6500–6300) e Final (6300–5950). Da fase Inicial à Média a população cresce gradualmente, as casas aumentam e a elaboração simbólica se amplia; nas fases Tardia e Final as famílias das casas ficam mais autônomas. Nas escavações de Hodder foram recuperados no mínimo 816 indivíduos de contextos estratigráficos neolíticos: 286 primários não perturbados, 185 primários perturbados, 96 secundários, 174 terciários e 75 de deposição desconhecida. (E. M. J. Schotsmans)

Que pigmentos, em quem e com que gesto

Dos 567 sepultamentos primários e secundários considerados, 62 (11%) tinham pigmento sobre os ossos ou como objeto associado. O ocre vermelho (hematita) é o mais frequente, também nas paredes e instalações das casas, em estatuetas e em esteios de madeira. O ocre amarelo aparece em pinturas das fases mais antigas e em alguns enterros; o cinabre, sobretudo em restos humanos e conchas, às vezes misturado a ocre em pinturas; malaquita e azurita só como objetos de acompanhamento. As faixas de cinabre se limitam ao frontal e ao temporal, com fitólitos, o que os autores acham compatível com uma faixa de cabeça. Quinze conchas, de 29.395 recuperadas, serviram de paletas ou recipientes de tinta; onze estavam em enterros. (E. M. J. Schotsmans)

Primários, terciários e as camadas de pintura

O estudo juntou pela primeira vez, no Neolítico da Anatólia, os dados funerários e a pintura arquitetônica. Os enterros primários tendem a vir com pinturas nas paredes, e há correlação entre o número de enterrados e o de camadas pintadas nos edifícios. Os autores destacam os depósitos terciários (ossos isolados fora de sepulturas, 174 casos) como mais importantes do que se pensava e propõem uma seleção em etapas: quem é sepultado com pigmento, quem fica circulando como ossos soltos na comunidade e quem acaba em depósitos secundários ou terciários. Eles dizem que a seleção pode refletir uma diferenciação social inicial, mas que faltam estudos para saber os motivos, e que parentesco genético e sexo-idade, isoladamente, não a explicam. (E. M. J. Schotsmans)

Fontes

  1. E. M. J. Schotsmans, G. Busacca, S. C. Lin, M. Vasić, A. M. Lingle, R. Veropoulidou, C. Mazzucato, B. Tibbetts, S. D. Haddow, M. Somel, F. Toksoy-Köksal, C. J. Knüsel, M. Milella, "New insights on commemoration of the dead through mortuary and architectural use of pigments at Neolithic Çatalhöyük, Turkey", Scientific Reports 12: 4055, 8 mar. 2022. https://doi.org/10.1038/s41598-022-07284-3 (texto bruto lido em 30/10/2026, a partir de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8904496/) Acessar
  2. Necmi Uyanık, Fatih Mehmet Berk, "Mekân - Şehir ve Medeniyet Bağlamında Çatalhöyük" (Çatalhöyük no contexto de espaço, cidade e civilização), Çatalhöyük Uluslararası Turizm ve Sosyal Araştırmalar Dergisi, n. 16, 2016, pp. 1–16. https://dergipark.org.tr/en/download/article-file/1673293 (texto bruto lido em 30/10/2026; os autores são da Universidade Selçuk e da Universidade Necmettin Erbakan, de Konya, segundo as notas de rodapé) Acessar
  3. Alex Bayliss, Fiona Brock, Shahina Farid, Ian Hodder, John Southon, R. E. Taylor, "Getting to the Bottom of It All: A Bayesian Approach to Dating the Start of Çatalhöyük", Journal of World Prehistory 28: 1–26, 21 mar. 2015. https://doi.org/10.1007/s10963-015-9083-7 (apenas a página da editora, com o resumo, foi lida em 30/10/2026; o texto integral é de acesso por assinatura) Acessar

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