Göbekli Tepe
10º e 9º milênios a.C. (UNESCO) · Anatólia e Cáucaso, Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Sítio neolítico monumental no sudeste da Turquia, construído no 10º e no 9º milênios a.C. Seus escavadores defendem que rituais e banquetes coletivos tiveram papel na formação das primeiras comunidades neolíticas.
Pilares em T com braços, cintos e animais de cada grupo
O sítio fica a c. 770 m de altitude na serra de Germuş, com vista para a planície de Harran; o monte, de terra avermelhada, tem cerca de 15 m de altura e 300 m de diâmetro, e o planalto calcário em volta guarda pedreiras, cavidades e petróglifos (Dietrich et al. 2019). Os edifícios redondos ou ovais medem 10 a 20 m por dentro, com bancos ao longo dos muros e pilares de até 4 m em torno de dois pilares centrais de 5,5 m. Braços, mãos e peças de roupa, como cintos e tangas, indicam que os pilares representam corpos humanos de modo abstrato, segundo a UNESCO, e os pilares foram talhados no próprio planalto vizinho. Os relevos trazem sobretudo animais selvagens e sinais abstratos; figuras humanas são raras, e quase não há figuras femininas. A equipe alemã nota que cada edifício tem seu animal dominante: serpentes no A, raposas no B, javalis no C, aves, em especial abutres, no D, e felinos no H. Para ela, seriam emblemas dos diferentes grupos que usavam esses edifícios, provavelmente contemporâneos. (Dietrich et al. 2019; UNESCO, lista nº 1572)
Moer grãos para alimentar quem construía
Dietrich et al. (2019) analisaram 7.268 instrumentos de moagem: mós, tigelas de moer, mãos, pilões e almofarizes, número que consideram muito alto para a época e a região. As peças são padronizadas, e as marcas de uso mostram que a maioria serviu para moer cereais; os fitólitos confirmam cereais em todas as camadas, embora restos carbonizados de plantas sejam raros. A moagem se concentra nos edifícios retangulares, mais recentes e em parte contemporâneos dos monumentais. Em experimentos, 500 g de trigo einkorn viraram farinha em 40 a 60 minutos; uma só mão de mó produziria c. 4,8 kg em oito horas, o bastante para cinco a dez pessoas. Não há grandes silos nem lareiras fixas, e os ossos indicam abates em massa de gazelas entre o meio do verão e o outono. Os autores concluem que a comida era preparada para consumo imediato em picos sazonais de atividade e propõem banquetes de trabalho, com indícios ainda incertos de bebida fermentada servida em c. 80 fragmentos de vasos de pedra. (Dietrich et al. 2019)
Santuário isolado ou parte de uma rede de aldeias?
O local é seco: não há fontes conhecidas por perto, o riacho sazonal mais próximo corre a c. 3 km e os lagos ficam a 5 km. As cisternas talvez neolíticas do planalto somam 153 m³, o que, para Dietrich et al. (2019), limita quantas pessoas podiam viver ali o ano todo; eles veem um lugar especializado, com vários edifícios especiais, enquanto aldeias como Nevalı Çori e Çayönü têm um por fase, mas admitem um pequeno grupo residente e casas na camada mais recente. A UNESCO também registra restos de construções não monumentais que parecem domésticas. Ayaz (2023), da Universidade de Harran, em Şanlıurfa, vai além: as escavações iniciadas em 2021 pelo projeto Taş Tepeler em Karahan Tepe (Quça Keçel), Sefer Tepe, Sayburç, Çakmak Tepe (Quça Çeqmaq), Harbetsuvan e Gürcü Tepe mostrariam que Göbekli Tepe não é um caso único, mas parte de uma cultura regional, e que esses sítios eram povoados com casas, não templos visitados de tempos em tempos. (Dietrich et al. 2019; UNESCO, lista nº 1572; Ayaz 2023)
Armadilhas de pedra e outro olhar sobre os animais
Ayaz (2023) chama atenção para um dado pouco discutido. Levantamentos feitos desde 2013 nos montes Tektek, em Şanlıurfa, identificaram muitas armadilhas de caça, em forma de asa ou de buraco de fechadura, com 1 a 10 hectares, feitas de grandes lajes inclinadas umas sobre as outras e situadas a 1 a 5 km dos sítios neolíticos; muitas foram desmontadas para erguer casas das aldeias atuais. A de Sarpdere (Meri), 4 km ao sul de Karahan Tepe, tem três recintos em V e cinco posições circulares de 4 m. Com Bahattin Çelik, o autor descreve uma economia sazonal de campos de caça, com acampamentos temporários nas encostas, e propõe, como hipótese, que parte dos animais era mantida viva nos cercados. Daí sua releitura dos relevos: em vez de medo da natureza selvagem, eles expressariam convívio intenso com os animais e talvez rituais de combate entre pessoas e animais ou entre animais; para ele, a domesticação viria dessa interação, e não do simbolismo. (Ayaz 2023)
A colina sagrada dos vizinhos
Antes das escavações, iniciadas em meados dos anos 1990, o lugar já era sagrado para quem vivia em volta. Başcı e Kervankıran (2023) entrevistaram 33 moradores, 19 homens e 14 mulheres, de sete povoados próximos: o nome Göbekli passou de geração em geração, e a colina era procurada para orar e buscar cura; ali havia túmulos de pessoas desconhecidas, uma árvore dos desejos e uma cisterna, e se sacrificavam animais. Os moradores dizem que sua devoção vinha dos antepassados, não do que estava enterrado. Com as escavações e o turismo, segundo os autores, as visitas rituais foram limitadas, e a cobrança de ingresso e os cafés incomodam os moradores, o que ameaça uma memória transmitida por séculos. A UNESCO, que inscreveu o sítio em 2018, aponta outras pressões: o projeto de uma ferrovia e o aumento de visitantes. As escavações são feitas desde 2014 pelo Museu de Şanlıurfa com o Instituto Arqueológico Alemão, e o plano de gestão foi concluído em 2017. (Başcı e Kervankıran 2023; UNESCO, lista nº 1572)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Göbekli Tepe", lista nº 1572. https://whc.unesco.org/en/list/1572/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
- Dietrich, O.; Heun, M.; Notroff, J.; Schmidt, K. et al. (2012). "The role of cult and feasting in the emergence of Neolithic communities. New evidence from Göbekli Tepe, south-eastern Turkey". Antiquity 86: 674–695. DOI 10.1017/s0003598x00047840. Acessar
- Dietrich, L.; Meister, J.; Dietrich, O.; Notroff, J. et al. (2019). "Cereal processing at Early Neolithic Göbekli Tepe, southeastern Turkey". PLOS ONE 14(5): e0215214. DOI 10.1371/journal.pone.0215214. Acessar
- Ayaz, O. (2023). "An Alternative View on Animal Symbolism in The Göbekli Tepe Neolithic Cultural Region in the Light of New Data (Göbekli Tepe, Sayburç)". Iğdır Üniversitesi Sosyal Bilimler Dergisi 33: 365–383. DOI 10.54600/igdirsosbilder.1252928. Acessar
- Başcı, E.; Kervankıran, İ. (2023). "Kutsal mekânın dönüşümü: Göbekli Tepe örneği". Türk Coğrafya Dergisi 84: 187–198. DOI 10.17211/tcd.1298650. Acessar
Na mesma região
- Rebanhos de ovinos e caprinos em grande escala em Aşıklı Höyük (nível 2, c. 7700–7300 a.C.) c. 7700–7300 a.C. cal (nível 2 de Aşıklı Höyük, segundo a cronologia citada por Stiner e colegas)
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