Caverna de Chauvet
c. 32.000–30.000 anos AP (UNESCO) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Caverna decorada do Ardèche (França) com pinturas atribuídas ao Aurignaciense. Segundo a UNESCO, um desabamento fechou a entrada há cerca de 20 mil anos e preservou o conjunto.
Uma caverna fechada por desabamentos
A caverna se abre num planalto calcário junto a um meandro do rio Ardèche e ocupa cerca de 8.500 m². A ficha da UNESCO registra mais de mil desenhos, sobretudo de animais, inclusive espécies perigosas ou difíceis de observar, algumas representadas só ali, além de muitos vestígios arqueológicos e paleontológicos. A própria ficha dá duas idades para o fechamento: cerca de 20 mil anos na síntese e 23 mil anos no item de autenticidade. Genuite et al. (2021) situam entre 23 e 21 mil anos atrás uma série de desabamentos que bloquearam a entrada paleolítica. Desde a reabertura, em 1994, o acesso é rigorosamente restrito: a caverna não será aberta ao público, e a única intervenção foram passarelas de aço inoxidável, removíveis, que protegem as marcas e os objetos do chão. (UNESCO, lista nº 1426; Genuite et al. 2021)
Duas fases de frequentação e os ursos das cavernas
Quiles et al. (2016) reuniram mais de 350 datas obtidas em 15 anos por radiocarbono, urânio-tório, termoluminescência e cloro-36. Entre elas há 259 de radiocarbono, ligadas sobretudo à arte e à atividade humana, mais de 80 delas inéditas. Integradas num modelo bayesiano apoiado nos dados arqueológicos, as datas indicam dois períodos distintos de atividade humana na caverna: um de 37 mil a 33,5 mil anos atrás e outro de 31 mil a 28 mil anos atrás. Ursos das cavernas também se abrigaram ali até cerca de 33 mil anos atrás. Para os autores, as idades obtidas para os desenhos foram muito mais recuadas do que se esperava, e o modelo permite reconstituir a história da caverna numa escala de tempo absoluta. (Quiles et al. 2016)
Estilo contra radiocarbono
A idade das pinturas é discutida desde a identificação da caverna. Pettitt e Bahn (2015) observam que as datas de radiocarbono foram usadas para pôr os desenhos a carvão da chamada série negra no Aurignaciense, mais de 20 mil anos antes do que sugeririam os modelos estilísticos tradicionais. Eles questionam a validade dessas datas, alertam contra a confiança exclusiva na idade do carvão e propõem uma cronologia alternativa baseada em comparações de estilo, restos paleontológicos e estratigrafia. O programa de Quiles et al. (2016), com centenas de medições por vários métodos combinadas num modelo, sustenta a leitura aurignaciense. A UNESCO a adota, com datas de radiocarbono entre 32 mil e 30 mil anos antes do presente. (Pettitt e Bahn 2015; Quiles et al. 2016; UNESCO, lista nº 1426)
Sinais em forma de spray e vulcões do Bas-Vivarais
Além de cavalos, bisões, megaceros e íbex, a caverna tem mãos em negativo e positivo, vulvas e um baixo-ventre feminino, ao lado de sinais abstratos pintados ou gravados, alguns exclusivos de Chauvet. Nomade et al. (2016) propõem uma leitura para os sinais em forma de spray da Galeria do Megacero. Datando por argônio-argônio os cones estrombolianos do Bas-Vivarais, a 35 km a noroeste e visíveis das colinas acima da entrada, obtiveram erupções entre 29 ± 10 mil e 35 ± 8 mil anos atrás, faixa que coincide com as primeiras ocupações aurignacienses. Para os autores, é muito provável que os habitantes do vale tenham presenciado erupções, e esses sinais seriam a representação mais recuada de uma erupção vulcânica conhecida. É uma hipótese, apresentada com ponto de interrogação no título. (Nomade et al. 2016)
O Pont d'Arc, um arco anterior aos aurignacienses
Genuite et al. (2021), do laboratório EDYTEM, estudaram a paisagem em volta da caverna, que se abre no paredão do Cirque d'Estre, perto do Pont d'Arc, arco natural de calcário de 30 m que atravessa o rio na entrada das gargantas do Ardèche. Com datações por séries de urânio e ressonância de spin eletrônico, concluíram que o meandro foi totalmente cortado entre 108 mil e 138 mil anos atrás: o arco já existia muito antes da primeira presença humana conhecida na caverna, por volta de 37 mil anos atrás. Os autores lembram que vários outros sítios do Paleolítico Superior se concentram em torno do Cirque d'Estre e tratam o arco como parte de uma paisagem ao mesmo tempo física e cultural, que pode ter pesado na escolha dos lugares frequentados. (Genuite et al. 2021)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Decorated Cave of Pont d'Arc, known as Grotte Chauvet-Pont d'Arc, Ardèche", lista nº 1426. https://whc.unesco.org/en/list/1426/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
- Quiles, A.; Valladas, H.; Bocherens, H.; Delqué-Količ, E. et al. (2016). "A high-precision chronological model for the decorated Upper Paleolithic cave of Chauvet-Pont d'Arc, Ardèche, France". PNAS 113: 4670–4675. DOI 10.1073/pnas.1523158113. Acessar
- Pettitt, P.; Bahn, P. (2015). "An alternative chronology for the art of Chauvet cave". Antiquity 89: 542–553. DOI 10.15184/aqy.2015.21. Acessar
- Nomade, S.; Genty, D.; Sasco, R.; Scao, V. et al. (2016). "A 36,000-Year-Old Volcanic Eruption Depicted in the Chauvet-Pont d'Arc Cave (Ardèche, France)?". PLOS ONE 11(1): e0146621. DOI 10.1371/journal.pone.0146621. Acessar
- Genuite, K.; Delannoy, J.-J.; Bahain, J.-J.; Gresse, M. et al. (2021). "Dating the landscape evolution around the Chauvet-Pont d'Arc cave". Scientific Reports 11: 8944. DOI 10.1038/s41598-021-88240-5. Acessar
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