Fim do Dryas Recente e início do Holoceno (c. 9700 a.C. cal.): a definição do marco em gelo da Groenlândia e seus registros na Europa
c. 11.700 anos b2k (antes de 2000 d.C.), erro máximo de contagem de 99 anos (2σ), segundo Walker e outros (2009); em ano astronômico, −9700 (9701 a.C.). O Dryas Recente termina no mesmo ponto: Crombé e outros (2024) o datam de c. 12.850 a c. 11.650 anos cal AP · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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O Dryas Recente, último período frio da glaciação, terminou por volta de 9700 a.C. (calendário), e esse fim marca o começo do Holoceno. A União Internacional de Ciências Geológicas ratificou como base do Holoceno o primeiro sinal claro de aquecimento no gelo de NGRIP, na Groenlândia, datado por contagem de camadas anuais em 11.700 anos antes de 2000 d.C., com erro máximo de 99 anos. Na Europa, o mesmo limite aparece nos sedimentos laminados dos lagos Holzmaar e Meerfelder Maar, no oeste da Alemanha, e, segundo Crombé e outros (2024), as ocupações ahrensburgianas bem datadas do sul do mar do Norte vão até o começo do Holoceno.
Como o marco foi escolhido
Segundo Walker e outros, a base do Holoceno nunca tinha sido ratificada formalmente pela União Internacional de Ciências Geológicas. Em 2004 um grupo de trabalho do programa INTIMATE e da Subcomissão de Estratigrafia do Quaternário foi criado para propor uma definição baseada no testemunho de gelo NorthGRIP (NGRIP), da Groenlândia, com cinco estratótipos auxiliares. O ponto fica a 1492,45 m de profundidade, onde aparece o sinal mais claro de aquecimento, que encerra o último episódio frio da glaciação, o Dryas Recente (Estádio Groenlandês 1). A proposta foi revista e aceita pela subcomissão e depois ratificada pela União. (Walker)
A datação por camadas anuais
A escala de tempo vem da contagem de camadas anuais do gelo. O texto de Walker e outros situa a transição entre duas camadas de cinzas vulcânicas, a de Saksunarvatn (10.347 anos b2k) e a de Vedde (12.171 anos b2k), ambas achadas em registros terrestres e marinhos do Atlântico Norte. A mudança no excesso de deutério dá 11.703 anos b2k, com erro máximo de contagem de 52 anos; somada a incertezas de outros testemunhos, a incerteza total chega a 99 anos, que os autores leem como 2σ. Por isso adotam 11.700 anos b2k, valor próximo dos 11.690 anos b2k do testemunho GISP2. A sigla b2k conta a partir de 2000 d.C., e não de 1950, o zero do radiocarbono. (Walker)
O registro europeu: lagos de maar da Eifel
O estratótipo auxiliar europeu são os lagos Holzmaar e Meerfelder Maar, no campo vulcânico da Eifel ocidental, na Alemanha, a menos de 10 km um do outro. Seus sedimentos têm laminação anual, usada para cronologias longas de varves. A passagem do final da glaciação ao Holoceno aparece em mudanças claras na deposição e no pólen, datadas em 11.600 anos de varve antes de 1950 no Holzmaar e em 11.590 no Meerfelder Maar. Esses registros servem, segundo Walker e outros, para ligar o sinal biológico ao marco do gelo da Groenlândia. (Walker)
Caçadores do sul do mar do Norte no limite
Crombé e outros fizeram 33 datações de radiocarbono na gruta de Remouchamps, na bacia belga do Mosa, e revisaram as datas ahrensburgianas disponíveis na Bélgica, no sul dos Países Baixos e no oeste da Alemanha. Considerando só as datas confiáveis, os sítios se situam na segunda metade do Dryas Recente e no começo do Holoceno: o modelo bayesiano dá ocupações entre c. 12.180/11.990 e c. 11.645/11.360 anos cal AP, e c. 11.715/11.505 se uma data fraca for retirada. A sepultura da gruta, ao contrário, foi datada de 10.235 a 9.920 anos cal AP e pertence ao Mesolítico antigo, como as outras sepulturas de caverna da bacia do Mosa. (Crombé)
Fontes
- Walker, Mike; Johnsen, Sigfus; Rasmussen, Sune Olander; Popp, Trevor; Steffensen, Jørgen-Peder; Gibbard, Phil; Hoek, Wim; Lowe, John; Andrews, John; Björck, Svante; Cwynar, Les C.; Hughen, Konrad; Kershaw, Peter; Kromer, Bernd; Litt, Thomas; Lowe, David J.; Nakagawa, Takeshi; Newnham, Rewi; Schwander, Jakob. "Formal definition and dating of the GSSP (Global Stratotype Section and Point) for the base of the Holocene using the Greenland NGRIP ice core, and selected auxiliary records". Journal of Quaternary Science 24(1), 2009, p. 3-17 (publicado online em 3 out. 2008). DOI 10.1002/jqs.1227. Texto integral em PDF baixado de stratigraphy.org (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Crombé, Philippe; Pironneau, Camille; Robert, Prudence; van der Sloot, Pierre; Boudin, Mathieu; De Groote, Isabelle; Verheyden, Sophie; Vandendriessche, Hans. "Human response to the Younger Dryas along the southern North Sea basin, Northwest Europe". Scientific Reports 14, 2024, artigo 18074. DOI 10.1038/s41598-024-68686-z. Texto lido em XML aberto do Europe PMC (PMC11300873; acesso em 30/10/2026). Acessar
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