Os caçadores-coletores do início do Holoceno europeu (c. 9750–6050 a.C.) mudaram a vegetação? A leitura de Nikulina e outros (2025) e a hipótese de baixo impacto
c. 11.700–8000 anos cal AP (antes de 1950), que Nikulina e outros (2025) chamam de Holoceno inicial; em ano astronômico, −9750 a −6050. As simulações usaram janelas de 10.200 a 8200 anos cal AP (−8250 a −6250). Registro de interpretação, não de um fato de data única · Europa Ocidental e do Norte, Europa Oriental, Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Os caçadores-coletores mesolíticos mudaram a paisagem europeia antes da agricultura? Nikulina e outros (2025) compararam a vegetação que o clima por si só produziria no Holoceno inicial (11.700 a 8000 anos cal AP) com a reconstruída por pólen, que é mais aberta, e usaram um modelo de simulação para testar causas. Concluem que megafauna, incêndios naturais e clima não bastam e que as queimadas feitas por pessoas explicam melhor o quadro. É uma conclusão de modelagem, que os próprios autores dizem depender de dados ainda esparsos, e que contesta a suposição de que os forrageiros pré-agrícolas tiveram impacto mínimo.
A pergunta e os dois conjuntos de dados
Segundo Nikulina e outros, a pergunta é quanto da vegetação europeia do Holoceno inicial se explica só pelo clima. Compararam o modelo CARAIB, que dá a vegetação potencial natural a partir do clima, com o REVEALS, que converte contagens de pólen em estimativas quantitativas de cobertura vegetal. Para o Holoceno inicial usaram entre 14.703 e 16.478 células de 10 km × 10 km, conforme a janela de tempo. Os autores lembram que os dois métodos reconstroem a vegetação de maneiras diferentes, o que gera alguma divergência, e que a cobertura de dados de pólen muda de janela para janela. (Nikulina)
O que o pólen mostra
Em todas as janelas, o CARAIB dá mais células dominadas por árvores e menos abertura da vegetação que o REVEALS: o pólen indica um ambiente mais aberto do que o clima sozinho produziria. Segundo o artigo, nas fases iniciais do Holoceno (11.700 a 10.200 anos AP) as células dominadas por ervas superam as de árvores no REVEALS; de 10.200 a 8200 AP passam a predominar as de árvores, com leve aumento em 8700–8200. Com base nisso, os autores escolheram quatro janelas do Holoceno inicial, de 10.200 a 8200 AP, para as simulações do modelo HUMLAND. (Nikulina)
O teste sem queimadas humanas
No HUMLAND, que simula pessoas, megafauna, incêndios naturais e clima, os autores testaram cenários sem fogo humano, só com caça. Os cenários sem nenhum incêndio e os com apenas incêndios naturais raramente reproduzem a distribuição de plantas do REVEALS: na tabela 3, zero por cento em quase todas as janelas do Holoceno inicial, com alguma coincidência só na abertura média da vegetação (de 63% a 100% nos cenários com fogo natural). Os autores concluem que é quase impossível chegar ao padrão do pólen sem queimadas feitas por forrageiros. (Nikulina)
Números e cautela
Segundo as simulações, as atividades humanas podem ter afetado cerca de 26% da distribuição de tipos funcionais de plantas, com máximo de 47%, e em média 8% da abertura da vegetação, com máximo de 14%, antes da agricultura. Os autores dizem que os resultados são compatíveis com estudos etnográficos e com casos mesolíticos como Star Carr e Pulli, listados entre os estudos de caso de queimada possível. Reconhecem, porém, que o trabalho é um exercício de modelagem e que o refinamento dos modelos e o aumento da densidade de sítios de pólen são necessários. (Nikulina)
Fontes
- Nikulina, Anastasia; Zapolska, Anhelina; Serge, Maria Antonia; Roche, Didier M.; Mazier, Florence; Scherjon, Fulco; Roebroeks, Wil; MacDonald, Katharine; e outros. "On the ecological impact of prehistoric hunter-gatherers in Europe: Early Holocene (Mesolithic) and Last Interglacial (Neanderthal) foragers compared". PLOS ONE 20(10): e0328218, 22 out. 2025. DOI 10.1371/journal.pone.0328218. Texto lido em XML aberto do Europe PMC (PMC12543167; acesso em 30/10/2026). Lista de autores abreviada, conforme o Europe PMC e o texto lido; a ordem e os demais nomes não foram conferidos. Acessar
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