Os cocares de crânio de cervo de Star Carr (Inglaterra), c. 9050 a.C.: disfarce de caça ou traje xamânico?
c. 11 mil anos atrás, segundo Little e outros (2016), que não dão faixa nem dizem se é idade calibrada; o atlas lê como anos antes de 1950 (1950 − 11000 = −9050), em precisão de século. A fase de ocupação mais antiga do sítio é datada em 9300–9200 a.C. cal. por Bates e outros (2024) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em Star Carr (North Yorkshire) foram achados 24 cocares feitos da parte superior de crânios de cervo-vermelho machos, com a galhada presa e furos nos ossos laterais, cerca de 90% dos conhecidos na Europa daquele tempo. Desde as escavações de Grahame Clark, nos anos 1950, discute-se se serviam de disfarce para caçar cervos ou de traje ritual. Little e outros (2016) defendem a leitura ritual, a que chamam de "traje xamânico" mais antigo conhecido, e mostram por experimento que o crânio era trabalhado de modo rápido, com fogo e pedras de percussão.
Os cocares do sítio
Segundo Little e outros, foram achados 24 cocares de cervo-vermelho em Star Carr, cerca de 90% dos conhecidos da Europa dessa época. Cada um é a parte superior do crânio de um macho com a galhada presa, sem mandíbula e sem os ossos da base, com furos nos ossos parietais, às vezes também nos frontais. Os furos e os traços de alisamento na parte da frente foram tomados pelo escavador, Grahame Clark, como indício de uso como cocar. Os autores descrevem o sítio, à beira de um antigo lago, como um dos mais conhecidos da Europa e quase um sinônimo do Mesolítico antigo. (Little)
O cocar achado em 2013
As escavações de 2013 acharam três cocares novos. O mais completo (peça 103625) preserva os ossos frontal e parietal de um cervo-vermelho macho adulto, com as hastes e as pontas da galhada intactas. Como estava encharcado, ficou guardado úmido antes da conservação. O exame com escâner a laser, luz estruturada e macrofotografia em pilha mostrou marcas de corte no lado de dentro e de fora do crânio e incisões que irradiam dos furos laterais, o que levou à série de experimentos de réplica. (Little)
Réplicas e fogo
Os autores usaram cabeças de cervo-vermelho e de corço para reproduzir os traços. O fogo amoleceu a pele, que se soltava com facilidade, e golpes repetidos de percussão com martelo de pedra tiraram os ossos maiores em volta da base e deixaram na borda os mesmos lascamentos em escama vistos na peça. Os furos laterais foram feitos com ferramenta de sílex na mão, e as incisões radiais da peça foram reproduzidas por percussão com um núcleo. A galhada tinha sido reduzida pela técnica de sulco e lasca, também usada no sítio para fazer pontas de projétil de galhada. Os autores concluem que o trabalho foi rápido, com pirotecnologia, e não de acabamento longo e cuidadoso. (Little)
A escolha entre disfarce e traje ritual
Os autores lembram que o xamanismo é tomado como a forma mais antiga de prática religiosa visível na arqueologia, em geral ligado a arte rupestre e a sepultamentos ricos. Nenhum sepultamento anterior ao Mesolítico, dizem, preservou traje xamânico, e o caso discutido de Brno II (c. 28 mil anos atrás) tem registro de escavação fraco. Nos relatos sobre práticas recentes, a cabeça de animal no traje identifica o xamã com seu espírito animal. É com esse pano de fundo que leem os cocares de Star Carr como o traje xamânico mais antigo conhecido e o sítio como lugar de grande significado cosmológico. (Little)
Fontes
- Little, Aimée; Elliott, Barry; Conneller, Chantal; Pomstra, Diederik; Evans, Adrian A.; Fitton, Laura C.; Holland, Andy; Davis, Giles; Fletcher, Shaun; Milner, Nicky. "Technological Analysis of the World's Earliest Shamanic Costume: A Multi-Scalar, Experimental Study of a Red Deer Headdress from the Early Holocene Site of Star Carr, North Yorkshire, UK". PLOS ONE 11(4): e0152136, 2016. DOI 10.1371/journal.pone.0152136. Texto lido em XML aberto do Europe PMC (PMC4830440; acesso em 30/10/2026). A lista de autores é a que o Crossref dá para o DOI; ordem e nomes não conferidos no texto lido. Acessar
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