Pontas de osso de farpas finas do Maglemosiano inicial (Dinamarca e Escânia), c. 9250–8150 a.C.: ossos longos de cervídeos e a datação direta
Pontas de farpas finas todas dentro de c. 11.200–10.100 cal. AP (Preboreal médio-tardio e início do Boreal), segundo Jensen et al. (2020); isto é, c. 9250–8150 a.C. (ano astronômico −9250 a −8150). A datação individual mais antiga da tabela do artigo (Bodal, AAR-6868) tem faixa de 95,4% de 11.212–10.767 cal. AP. O registro vai do início ao fim da faixa do grupo, não de um achado só · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Jensen e colegas (2020), as pontas de osso de farpas finas do sul da Escandinávia, perdidas em lagos hoje turfeiras, concentram-se entre c. 11.200 e 10.100 cal. AP, do Preboreal médio-tardio ao início do Boreal. A análise de proteínas de 45 pontas desse tipo mostrou que a maioria vinha de ossos longos de cervídeos, o que os autores veem como escolha deliberada dos primeiros maglemosianos. Essas pontas e as de farpas grandes, mais tardias, ficam separadas por um hiato de quase 600 anos nas datas de radiocarbono.
Pontas perdidas em lagos, achadas em turfeiras
Segundo Jensen e colegas (2020), as turfeiras do sul da Escandinávia deram muitas pontas de osso farpadas, em geral perdidas nos lagos do início do Holoceno, provavelmente em ligação com a pesca com arpão, e que depois foram sendo cobertas pela turfa dos lagos que se enchiam. Foi a exploração industrial da turfa, sobretudo na Primeira e na Segunda Guerra Mundial, por falta de combustível, que as trouxe à luz e permitiu reconhecê-las. As pontas ficaram ligadas à cultura Maglemose (c. 11.000–8000 anos AP). (Jensen et al. 2020)
A datação direta das pontas
Antes do estudo havia só cinco datas de radiocarbono publicadas para pontas farpadas dinamarquesas. Os autores enviaram ossos de 23 pontas da Dinamarca ao laboratório de Oxford (21 foram datadas) e as reuniram a datas publicadas e inéditas, num modelo bayesiano de duas fases. As pontas de farpas finas ficaram todas no Preboreal médio-tardio e início do Boreal, c. 11.200–10.100 cal. AP; a data mais antiga da tabela, de Bodal (AAR-6868, 9660 ± 75 anos radiocarbônicos), calibra a 11.212–10.767 cal. AP (95,4%). As pontas de farpas grandes vêm depois, em 9658–8413 cal. AP. (Jensen et al. 2020)
Ossos longos de cervídeos
A análise de proteínas (ZooMS) foi feita em 120 pontas da Dinamarca e da Escânia. As 45 pontas de farpas finas, do Maglemose inicial, eram em sua maioria de ossos longos de cervídeos, apesar de aurochs, bisão, rena e cavalo selvagem estarem presentes na região; os autores veem nisso mais provavelmente uma escolha deliberada do que simples abundância. Sete foram identificadas como veado-vermelho por um novo marcador proteico; uma delas, datada (Øresø Mølle, OxA-38343, 9481 ± 47), é segundo o artigo a ocorrência mais antiga de veado-vermelho na Dinamarca. Nas pontas de farpas grandes, a parcela de costelas de bovinos sobe de 6% para 93%. (Jensen et al. 2020)
O hiato de quase 600 anos
As datas indicam um hiato que começa em c. 10.300 cal. AP e dura quase 600 anos, e que também aparece nas datas dos sítios de moradia do leste da Dinamarca. Os autores propõem, como hipótese, uma causa climática, mas dizem que a razão é desconhecida e citam outras possibilidades, como epidemias, guerra, mudança de subsistência ou migração. Cinco datas de pontas de osso de fileira única de dentes (arpões) caem dentro do hiato, em Tunebjerg Øst, Trunderup Mose, Rönneholms mosse e Vallensgård Mose, em Bornholm. (Jensen et al. 2020)
Fontes
- Jensen, Theis Zetner Trolle; Sjöström, Arne; Fischer, Anders; Rosengren, Erika; Lanigan, Liam Thomas; Bennike, Ole; Richter, Kristine Korzow; Gron, Kurt Joseph; Mackie, Meaghan; Mortensen, Morten Fischer; Sørensen, Lasse; Chivall, David; Iversen, Katrine Højholt; Taurozzi, Alberto John; Olsen, Jesper; Schroeder, Hannes; Milner, Nicky; Sørensen, Mikkel; Collins, Matthew James (2020). "An integrated analysis of Maglemose bone points reframes the Early Mesolithic of Southern Scandinavia". Scientific Reports 10: 17244, publicado em 14 out. 2020. DOI 10.1038/s41598-020-74258-8. Texto integral via Europe PMC (PMC7560828), lido em texto bruto em 30/10/2026; a tabela de datas e o texto principal foram lidos, os suplementos não. Filiações: Universidade de Copenhague, Universidade de Lund, Sealand Archaeology, Museu Nacional da Dinamarca, Universidade de York, entre outras. Acessar
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