Atlas da História

Caverna de Dzudzuana

c. 34,5–32,2 mil anos atrás (Bar-Yosef et al. 2011) · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Caverna no sopé do Cáucaso, na Geórgia, ocupada por humanos modernos desde c. 34,5–32,2 mil anos atrás, com depósitos que somam cerca de 20 milênios. Fibras de linho silvestre, algumas tingidas, foram lidas como indício da produção de fios coloridos (Kvavadze et al. 2009), leitura depois contestada.

Um salão em túnel às margens do rio Nekressi

Chkhatarashvili (2017), do Museu Arqueológico de Batumi, situa a caverna na região de Imereti, município de Chiatura, na margem direita do rio Nekressi, afluente do Kvirila, que drena boa parte do oeste da Geórgia. É um salão longo que se abre como um túnel, por onde corre um pequeno riacho, com boca de 22 m e teto de c. 15 m. Houve duas campanhas. A primeira, de 1966 a 1975, dirigida por D. Tushabramishvili, escavou 40 m² junto à entrada até a rocha, em camadas de 10 cm e com coleta à mão, sem peneiramento; distinguiu um nível eneolítico e outro do Paleolítico Superior. A segunda, de 1996 a 2008, foi uma missão conjunta georgiana, norte-americana e israelense chefiada por Tengiz Meshveliani: abriu 24 m² em quadras de 0,5 por 0,5 m e lâminas de 5 cm, e todo o sedimento passou por peneira úmida de 2 mm. Os depósitos do Paleolítico Superior têm cerca de 3,5 m de espessura, em quatro grandes unidades. Para Bar-Yosef et al. (2011), essa sequência bem datada serve de referência para muitos sítios escavados antes no oeste da Geórgia. (Chkhatarashvili 2017; Bar-Yosef et al. 2011)

Caçadores de tur, auroque e bisão-da-estepe

O estudo de fauna de Bar-Oz et al. (2008), apresentado como a primeira análise cuidadosa de ossos do Paleolítico Superior do sul do Cáucaso, mostra que o tur-do-cáucaso (Capra caucasica), o auroque e o bisão-da-estepe foram as presas principais em toda a sequência, sem mudança significativa ao longo do tempo. Os ossos foram quebrados ainda frescos para extrair o tutano, e as marcas de corte cobrem todas as etapas do processamento; algumas carcaças parecem ter sido desmembradas no local da caça. A densidade e a fragmentação dos conjuntos indicam que grupos de caçadores-coletores voltaram à caverna muitas vezes, ao longo de muitos anos. Chkhatarashvili (2017) acrescenta uma hipótese sobre as estações: o tur vive em encostas rochosas entre 800 e 2.400 m, sobe às montanhas no início da primavera e desce no fim do outono, enquanto o bisão descia no outono às estepes do sopé e subia na primavera. Diferenças na proporção das espécies entre as camadas poderiam, assim, refletir a época do ano em que a caverna era ocupada. (Bar-Oz et al. 2008; Chkhatarashvili 2017)

Fibras no pólen: o que se achou e a réplica de 2010

As fibras surgiram durante a análise de pólen feita pela palinóloga Eliso Kvavadze, entre os chamados palinomorfos não polínicos, e estão em todas as camadas arqueológicas. Na unidade B, a mais recente, segundo Chkhatarashvili (2017), foram 48, das quais só três coloridas, uma preta e duas turquesa. Nas mesmas amostras havia pelos de tur, alguns fiados e tingidos de cinza e verde, restos de besouros que comem peles e de traças, lidos como sinal de trabalho com couro e linho, e esporos do fungo Chaetomium, que costuma crescer em roupas e tecidos. Na réplica de 2010 ao comentário de Bergfjord et al., Kvavadze et al. sustentam que os críticos usaram fotografias e descrições das camadas externas das fibras, enquanto a identificação se apoiara nas camadas internas, cuja morfologia e estrutura são muito diferentes; por isso julgam as reservas fora de lugar. O debate não foi encerrado nas fontes lidas. (Chkhatarashvili 2017; Kvavadze et al. 2010; Bergfjord et al. 2010)

O fim da sequência: micrólitos e floresta de coníferas

A unidade B, a mais recente do Paleolítico Superior, data de c. 16,5 a 13,2 mil anos atrás e reúne 26.219 peças de pedra lascada estudadas por Chkhatarashvili (2017). Há muitas lâminas e lamelas retocadas e com dorso, microgravettes de 11 a 16 mm de largura e alguns micrólitos geométricos; os raspadores, muitos em forma de unha, superam sempre os buris, traço que o autor considera local. Os objetos de osso são só oito, um deles decorado. O pólen mostra uma virada: na base, muito rododendro do Cáucaso e outras plantas de altitude indicam um cinturão alpino perto da caverna, num episódio frio anterior ao Dryas Recente que ainda pede mais datações; no topo, a umidade aumenta e surge uma floresta escura de abetos, espruces e pinheiros, com faias raras. Apesar da flotação sistemática, não se recuperaram restos de plantas. O autor aproxima esse conjunto dos de Sakajia, Apiancha e Satsurblia, outras cavernas da Geórgia. (Chkhatarashvili 2017)

Fontes

  1. Bar-Yosef, O.; Belfer-Cohen, A.; Mesheviliani, T.; Jakeli, N. et al. (2011). "Dzudzuana: an Upper Palaeolithic cave site in the Caucasus foothills (Georgia)". Antiquity 85(328): 331–349. DOI 10.1017/s0003598x0006779x. Acessar
  2. Kvavadze, E.; Bar-Yosef, O.; Belfer-Cohen, A.; Boaretto, E. et al. (2009). "30,000-Year-Old Wild Flax Fibers". Science 325(5946): 1359. DOI 10.1126/science.1175404. Acessar
  3. Bergfjord, C.; Karg, S.; Rast-Eicher, A.; Nosch, M.-L. et al. (2010). "Comment on “30,000-Year-Old Wild Flax Fibers”". Science 328(5986): 1634. DOI 10.1126/science.1186345. Acessar
  4. Chkhatarashvili, G. (2017). "Final Upper Palaeolithic assemblages from South Caucasus (Dzudzuana Cave)". Vita Antiqua 9: 144–150. DOI 10.37098/va-2017-9-144-150. Acessar
  5. Bar-Oz, G.; Belfer-Cohen, A.; Meshveliani, T.; Djakeli, N. et al. (2008). "Taphonomy and zooarchaeology of the Upper Palaeolithic cave of Dzudzuana, Republic of Georgia". International Journal of Osteoarchaeology 18(2): 131–151. DOI 10.1002/oa.926. Acessar
  6. Kvavadze, E.; Bar-Yosef, O.; Belfer-Cohen, A.; Boaretto, E. et al. (2010). "Response to Comment on “30,000-Year-Old Wild Flax Fibers”". Science 328(5986): 1634. DOI 10.1126/science.1187161. Acessar

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