Caverna de Kilu (ilha Buka)
c. 33–31 mil anos cal AP (Roberts et al. 2022); c. 28 mil anos radiocarbônicos sem calibração (Wickler e Spriggs 1988) · Pacífico
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Abrigo rochoso na ilha Buka, no extremo norte da cadeia das Salomão (hoje Papua-Nova Guiné), com presença humana há cerca de 28 mil anos radiocarbônicos, ou c. 33–31 mil anos calibrados segundo Roberts et al. (2022); em 1988, era a ocupação mais antiga conhecida nesse arquipélago. Grãos de amido em artefatos de pedra do sítio são, para Loy et al. (1992), a evidência direta mais antiga do uso de tubérculos.
Uma caverna calcária na costa leste de Buka
Kilu é uma caverna de dissolução perto do extremo sul da aldeia de Malasang, na costa leste de Buka, aberta na base de um paredão calcário de cerca de 30 m. A boca fica a uns 8 m acima do mar, diante de uma encosta de 65 m que desce até uma praia estreita e um amplo recife; a câmara principal, seca, tem 33 m de largura na entrada e avança 17 m na rocha (Wickler 2001). Stephen Wickler escavou o sítio em 1987, numa pesquisa de doutorado que estendia a Buka o Projeto Lapita Homeland, da Universidade Nacional Australiana e da National Geographic. Até então, as datas mais recuadas conhecidas na ilha vinham da fase lapita tardia. Wickler e Spriggs (1988) anunciaram datas pleistocênicas para o abrigo, e o prefácio de Matthew Spriggs ao livro de 2001 diz que o achado multiplicou por dez a história humana conhecida das Salomão; para Wickler, foi a primeira prova de povoamento no fim do Pleistoceno na Melanésia insular fora do arquipélago de Bismarck. (Wickler 2001; Wickler e Spriggs 1988)
Datas sem calibração e um longo intervalo
O depósito registra duas fases de ocupação: de cerca de 29 mil a 20 mil anos e de cerca de 10 mil a 5 mil anos antes do presente. As três datas da camada pleistocênica foram obtidas em conchas e, como Wickler (2001) informa, são idades radiocarbônicas sem calibração; não há carvão nessa camada, provavelmente desfeito pela idade. Entre as duas fases houve uma pausa de cerca de 10 mil anos, marcada por camadas de gotejamento e uma estalagmite in situ. Quando o abrigo foi ocupado pela primeira vez, o mar estava 46 m abaixo do nível atual e caía rumo a 130 m abaixo por volta de 17 mil anos atrás; com o soerguimento tectônico da costa leste, a caverna ficou dezenas de metros acima da praia no auge glacial, o que, segundo o autor, pode explicar em parte o abandono. Para o Holoceno, Wickler calibrou as datas: a reocupação cai entre 10.381 e 10.043 anos calibrados antes do presente e o abandono entre 5587 e 5285. Houve ainda usos breves no período lapita tardio e nos últimos 500 anos. (Wickler 2001)
Taro, amêndoas-de-canário e peixes
Loy, Spriggs e Wickler (1992) identificaram grãos de amido e ráfides cristalinas em artefatos de pedra de Kilu. Na síntese de Wickler (2001), há amidos de dois taros, Colocasia e Alocasia, nos níveis da base, de cerca de 28 mil anos. A maior parte das 204 lascas de pedra vem da camada pleistocênica, sobretudo de rocha vulcânica de grão grosso, com poucas ferramentas formais. No fim do Pleistoceno aparecem endocarpos de amêndoa-de-canário, entre eles Canarium indicum e C. solomonense, por volta de 10 mil anos atrás, espécies comestíveis provavelmente trazidas da Nova Guiné pelas Bismarck, além de coco e casca de palmeira que pode ser de sagu. Vinte tipos de peixe de 17 famílias, na maioria costeiros, mostram pesca com anzol e rede já no Pleistoceno, com tubarões como o grupo mais comum. Répteis, sobretudo lagartos, somam a maior parte dos ossos identificados, e duas espécies de ratos endêmicos encontradas ali, Solomys spriggsarum e Melomys spechti, estão hoje extintas. (Loy et al. 1992; Wickler 2001)
Buka hoje: a montanha de Punein
Segundo Schneider (2016), a área de Buka tem cerca de 40 mil habitantes que falam três línguas aparentadas, na ilha principal e em cinco ilhas pequenas; Wickler (2001) as situa: o solos no oeste e no sul, o halia no leste e no norte e o petats nas ilhas da costa oeste. Pela história oral local, todos os habitantes de Buka vêm de um mesmo ponto de origem, a montanha de Punein, de onde seus ancestrais desceram num passado distante. Todos pertencem a grupos matrilineares dispersos, os pinaposa, formados por grupos menores de parentes que descendem de uma ancestral conhecida, os ngorer. O tsunon e a hahini, filho e filha primogênitos da primogênita de um ramo local, cuidam da paz no povoado e guardam as histórias de migração dos ancestrais; cada ramo tem uma casa cerimonial, a tsuhan. Os moradores dizem que "somos todos um em Buka", mas distinguem a gente da ilha principal, que vive das roças, da gente da água salgada, que nas ilhas pequenas vive da pesca e troca peixe por tubérculos com os parentes. Wickler lembra que, no tempo do contato com europeus, Buka ocupava lugar central numa rede de trocas que ia da Nova Irlanda a Bougainville. (Schneider 2016; Wickler 2001)
Fontes
- Wickler, S.; Spriggs, M. (1988). "Pleistocene human occupation of the Solomon Islands, Melanesia". Antiquity 62: 703–706. DOI 10.1017/s0003598x00075104. Acessar
- Loy, T. H.; Spriggs, M.; Wickler, S. (1992). "Direct evidence for human use of plants 28,000 years ago: starch residues on stone artefacts from the northern Solomon Islands". Antiquity 66: 898–912. DOI 10.1017/s0003598x00044811. Acessar
- Wickler, S. (2001). The Prehistory of Buka: A Stepping Stone Island in the Northern Solomons (Terra Australis 16). Department of Archaeology and Natural History e Centre for Archaeological Research, The Australian National University. ISBN 0731555007.
- Schneider, K. (2016). "Above and Below among Mainlanders and Saltwater People in Buka, Bougainville". Structure and Dynamics 9(1): 70–93. DOI 10.5070/SD991031889. Acessar
- Roberts, P. et al. (2022). "Fossils, fish and tropical forests: prehistoric human adaptations on the island frontiers of Oceania". Phil. Trans. R. Soc. B 377: 20200495. DOI 10.1098/rstb.2020.0495. Acessar
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- Cultura Lapita c. 1500–500 a.C. (Wikidata)
- Cemitério das dunas de Sigatoka c. 250–650 d.C.: nível 2 do sítio, 1700–1300 anos cal AP (Anderson et al. 2006, citados por Pietrusewsky et al. 2017)
- Nan Madol construção monumental desde 1180–1200 (McCoy et al. 2016); palácios, templos e tumbas de 1200 a 1500 (UNESCO)
- Rede do Galeão de Manila: Manila, Acapulco e as redes chinesas de Fujian 1565–1815 (Villamar, 2020; Ruiz-Stovel, 2009)