Atlas da História

Cemitério das dunas de Sigatoka

c. 250–650 d.C.: nível 2 do sítio, 1700–1300 anos cal AP (Anderson et al. 2006, citados por Pietrusewsky et al. 2017) · Pacífico

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Cemitério com 52 sepultamentos sob montes de pedra de coral, nas dunas da foz do rio Sigatoka, na costa sudoeste de Viti Levu (Fiji): uma das maiores séries de esqueletos de Fiji anteriores ao contato com europeus. Os mortos foram enterrados flexionados, com a cabeça para oeste, no nível 2 do sítio, de 1700 a 1300 anos antes do presente. As dunas guardam camadas de quase toda a história de Fiji, da cerâmica Lapita, há cerca de 2700 anos, aos tempos históricos. Segundo os autores, os esqueletos indicam gente relativamente saudável e robusta, que vivia de horticultura e de recursos do mar, sem sinal da bouba, doença comum em Fiji quando os europeus chegaram.

Dunas que a erosão abriu

As dunas de Sigatoka cobrem mais de 6,5 km² na foz do rio de mesmo nome e se formaram com areias ricas em ferro que o rio traz das encostas do interior; Pietrusewsky, Toomay Douglas e Ikehara-Quebral (2017) as descrevem como as mais altas e extensas da Oceania Remota tropical. A erosão da linha de costa no último meio século expôs um rico registro arqueológico, estudado desde meados dos anos 1960. O sítio VL 16/1 ocupa cerca de 1 km de praia, uns 3 km a oeste da cidade de Sigatoka, e tem três níveis: o inferior, com cerâmica Lapita, de c. 2800–2600 anos calibrados antes do presente; o nível 2, do cemitério; e o nível 3, da fase Vuda, de c. 600–500 anos. Esqueletos são raros em Fiji: fora Sigatoka, os sítios costumam ter um só indivíduo, muitas vezes incompleto. Os sepultamentos foram escavados por Simon Best no fim dos anos 1980, num projeto de conservação, e examinados em 1992 na Universidade de Otago, na Nova Zelândia. Os autores lembram que leis de sepultamento e pedidos de repatriação tornaram muitas coleções do Pacífico indisponíveis para estudo. (Pietrusewsky et al. 2017)

Montes de coral e hierarquia

A maior parte dos sepultamentos foi feita em vinte montes de pedra de coral, vários com mais de um corpo; outros ficaram ao redor, sem monte. Para Best (1989) e Burley (2005), citados por Pietrusewsky et al. (2017), o tamanho e o cuidado desiguais dos montes, a posição nas dunas e os objetos associados indicam uma sociedade muito estratificada, que usou o cemitério por bastante tempo, e é possível que muitos sepultados fossem parentes. Junto ao sepultamento 10A, num dos montes maiores, havia uma pequena enxó de grauvaca sobre um bracelete de concha de cone e uma concha de cauri perfurada. Best interpretou montes com vários corpos lado a lado como um único enterro ligado a uma pessoa de alta posição, o que sugeriria que nem todas essas pessoas morreram de causas naturais. Os autores registram outras explicações possíveis, como epidemias, acidentes, desastres naturais e guerra, e lembram que relatos do século XIX descrevem em Fiji a morte ritual de esposas e de outras pessoas próximas a um chefe falecido. (Pietrusewsky et al. 2017)

Taro, peixe e redes de troca

Análises de isótopos de carbono e nitrogênio em ossos de 22 pessoas e 9 animais do sítio, resumidas por Pietrusewsky et al. (2017), apontam uma dieta mista, com predomínio de plantas como o taro e uma parte marinha importante: pelo menos um quarto das proteínas vinha do mar. Como o recife em frente às dunas era pouco propício à pesca e há pouco refugo de conchas, esses alimentos provavelmente vinham de lugares a 2–5 km, o que sugere uma rede social e econômica entre comunidades vizinhas. Os sepultados nos montes mais elaborados tendiam a ter mais alimento marinho na dieta, sinal de acesso desigual. Os restos de fauna do nível incluem moluscos, peixes, aves, morcego, tartaruga-marinha, rato, porco e galinha, o perfil de uma aldeia agrícola parecida com as aldeias tradicionais fijianas de hoje (Burley 2003, citado pelos autores). (Pietrusewsky et al. 2017)

O que os ossos dizem sobre trabalho e saúde

O estudo examinou 42 adultos e seis crianças e jovens. Os homens mediam em média 174 cm, perto dos tonganeses, e as mulheres 164,6 cm. Há poucos sinais de estresse na infância, infecções ósseas e fraturas são raras, e não há lesões de bouba. Homens têm mais desgaste na articulação da mandíbula, que os autores ligam, seguindo Visser, ao preparo da kava, feito por homens que mastigavam a raiz. Mulheres têm mais desgaste dentário, tártaro e perda de dentes, o que pode vir do uso dos dentes para preparar fibras de redes e linhas de pesca, de gestações e da idade mais alta do grupo feminino. O desgaste das articulações do corpo é parecido entre os sexos, ao contrário da divisão do trabalho descrita no século XIX, quando as mulheres pescavam no recife e os homens cuidavam das roças. Os autores tratam a ausência da bouba como inesperada e pedem novos estudos. (Pietrusewsky et al. 2017)

Fontes

  1. Pietrusewsky, M.; Toomay Douglas, M.; Ikehara-Quebral, R. M. (2017). "Skeletal and dental health: the bioarchaeology of the human skeletons from the Sigatoka Sand Dunes Site, VL 16/1, Viti Levu, Fiji". Journal of Pacific Archaeology 8: 53–78. DOI 10.70460/jpa.v8i2.221. Acessar
  2. Wikidata Q139659470 ("Sigatoka Dunes", sítio arqueológico em Fiji; coordenada P625); consultado via API em out. 2026

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