Atlas da História

Rede do Galeão de Manila: Manila, Acapulco e as redes chinesas de Fujian

1565–1815 (Villamar, 2020; Ruiz-Stovel, 2009) · Pacífico, Sudeste Asiático insular, Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Sistema que ligou Manila a Acapulco e à Cidade do México por mais de 250 anos, levando prata americana à Ásia e seda e outros produtos asiáticos à Nova Espanha. Dependia de comerciantes chineses de Fujian, de portugueses de Macau e de moradores de Manila.

Quem circulava e o que levava

Segundo Ruiz-Stovel (2009), entre 1565 e 1815 galeões carregados de prata saíram quase todos os anos de Acapulco, passaram por Manila e chegaram a Fujian, voltando com seda crua e tecida para a América espanhola. Em 1603, cerca de 30 mil chineses viviam em Manila, contra algumas centenas de espanhóis; os sangleys, confinados num bairro murado, eram comerciantes e artesãos especializados. Alva (2016) mostra que, a partir do século XVII, viúvas tinham o privilégio de participar da carga do galeão, em fardos de sedas, especiarias, artesanato de madeira e marfim e mantas de Ilocos, avaliados em torno de 150 pesos entre 1691 e 1708. (Ruiz-Stovel 2009; Alva 2016)

Como funcionava: regra, feira e entrepostos

Villamar (2020) escreve que, nas primeiras décadas, as naves de cerca de 200 toneladas faziam a viagem de mais de 14.000 km entre Manila e Acapulco; só em 1593 houve regulamentação precisa, com a carga distribuída por boletas. Em Acapulco ocorriam feiras, e a Cidade do México servia de centro de distribuição. Em Fujian, Zhangzhou foi a porta de entrada da prata, e, depois de 1683, Amoy passou a ocupar esse lugar, segundo Ruiz-Stovel. Cavite era o porto onde se controlava o carregamento das naus, segundo Alva. Na outra ponta da rede estavam portugueses de Macau, ativos em Manila nos anos 1580. (Villamar 2020; Ruiz-Stovel 2009; Alva 2016)

O que a evidência mostra e o debate

Villamar (2020) trata o galeão como sistema por ter regras formais e redes de comerciantes, e relata que Flynn e Giráldez leem a abertura da rota como início do comércio mundial, em 1571. Ruiz-Stovel (2009) lembra que o trabalho de Flynn e Giráldez se insere em reinterpretações asiacêntricas da economia mundial do período moderno e descreve a relação entre espanhóis e chineses como um pacto de conveniência, marcado por massacres. O estudo de Alva (2016) usa arquivos coloniais (AGI) para mostrar mulheres comerciantes. As fontes lidas não descrevem o caminho marítimo da volta. (Villamar 2020; Ruiz-Stovel 2009; Alva 2016)

Legado e memória

Ruiz-Stovel (2009) relata que, junto com a prata, chegaram a Zhangzhou o amendoim, a batata-doce e o tabaco, parte do que chama de intercâmbio de Magalhães, e que os sangleys de Manila foram massacrados repetidas vezes, mas voltavam. A dependência da colônia em relação à comunidade chinesa, num regime de convivência tensa, marcou a sociedade filipina. Villamar (2020) destaca ainda que Manila e Acapulco foram dois nós de uma rede de trocas culturais, não apenas de mercadorias. (Ruiz-Stovel 2009; Villamar 2020)

Fontes

  1. Villamar, C. (2020). "Redes mercantiles e intercambio cultural en la ruta del Galeón de Manila, 1565-1600". Universitas Humanística 89. DOI 10.11144/javeriana.uh89.rmic. Acessar
  2. Ruiz-Stovel, G. (2009). "Chinese Merchants, Silver Galleons, and Ethnic Violence in Spanish Manila, 1603-1686". México y la Cuenca del Pacífico 12(36). DOI 10.32870/mycp.v12i36.330. Acessar
  3. Alva, I. (2016). "Redes comerciales y estrategias matrimoniales. La mujeres en el comercio del Galeón de Manila (siglos XVII-XVIII)". Revista Complutense de Historia de América 42: 203–220. DOI 10.5209/rcha.53716. Acessar

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