Atlas da História

Cultivo em montes no alto Wahgi (Kuk, Warrawau e Mugumamp)

montes no Kuk de c. 6950 a 6440 anos cal. AP (c. 5000–4490 a.C.); subfase tardia anterior à cinza Kim (3980–3630 cal. AP); Warrawau c. 5500–5000 anos atrás (c. 3550–3050 a.C.), segundo Denham, Golson e Hughes (2017) · Pacífico

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Na margem do pântano de Kuk, no vale do alto Wahgi (terras altas da Nova Guiné), as pessoas cavaram bacias e canais na argila cinzenta e amontoaram a terra em montes, entre cerca de 6.950 e 6.440 anos atrás (anos calibrados), em meio a pastagens mantidas com fogo. Segundo Denham, Golson e Hughes (2017), superfícies parecidas aparecem depois em Warrawau, por volta de 5.500 a 5.000 anos atrás, e em Mugumamp, com pelo menos 4.000 anos, o que mostra uma técnica que durou milênios no vale. Os próprios autores divergem sobre se os canais da fase inicial foram feitos por pessoas.

Bacias, ilhas de argila e montes

Segundo Denham, Golson e Hughes (2017), a fase 2 de Kuk deixou dois tipos de superfície enterrada na margem do pântano. A "integrada" é uma rede regular ou semirregular de feições cavadas na argila cinzenta, que deixa entre elas "ilhas" levantadas; a "discreta" tem feições espalhadas, o que sugere práticas menos intensivas ou uma rede erodida. Os autores concluem que as ilhas são de origem humana e descartam formas naturais do solo (gilgai) pela química e pela física dos depósitos. A terra tirada das valetas era amontoada sobre as ilhas, formando montes que depois sumiram. Muitas feições são rasas, e as que trazem na base uma lente de depósito rico em fitólitos (chamado R+W, de 6440–5990 anos atrás) são anteriores a ele. (Denham et al. 2017)

Estacas, bananas e plantas de raiz

Buracos de estaca ligados às bacias mais fundas são lidos como marcas de plantas escoradas: capim comestível (Setaria palmifolia), cana-de-açúcar e bananeiras, além de galhos usados como escada para embrulhar ou colher os cachos, por comparação com práticas atuais nas terras altas. Ferramentas de pedra dos mesmos contextos mostram processamento de taro (Colocasia) e de palmeiras, e níveis altos de fitólitos de Musaceae em algumas bacias são lidos como bananeiras plantadas nos montes. Lentfer (2009) lembra que Kuk fica a mais de 1.560 m, altitude excepcional para bananas e Ensete selvagens, e que estacas, montes e fitólitos sustentam o cultivo desde c. 7.000–6.500 anos atrás. Inhame e feijão, notam os autores do capítulo, quase não deixam rastro. (Denham et al. 2017; Lentfer 2009)

Fogo, pastagens e drenagem

No começo da fase 2, segundo o capítulo, o sinal de floresta cai, o de capim sobe e o carvão aumenta, o que indica pastagens criadas e mantidas com fogo no fundo do vale, com floresta só em manchas nas encostas mais altas. O cultivo em montes ocorria nesse ambiente aberto, mantido por queimadas periódicas; a queima pode ter acompanhado a limpeza do terreno, porque libera nutrientes para o plantio seguinte. Uma leitura antiga (Golson 1977) via nas valetas água para o taro e nos montes terreno seco para as outras plantas; diatomáceas estudadas depois mostram feições úmidas, mas sem água parada permanente, e os autores concluem que os montes davam terreno drenado a plantas que não toleram umidade. Os canais maiores, artificiais ou não, reduziam as cheias vindas do sul. (Denham et al. 2017)

Warrawau, Mugumamp e a subfase tardia

Superfícies parecidas com as da fase 2 foram achadas em Mugumamp, a cerca de 8 km de Kuk, e em Warrawau (sítio Manton), a cerca de 6 km, do outro lado do rio Wahgi. O Manton, escavado em 1966, deu a primeira prova direta da idade da agricultura na Nova Guiné, com um bastão de cavar de mulher de 2.000 a 2.500 anos atrás. Reescavado em 1977, mostrou uma superfície com ilhas de argila mais íngremes que as de Kuk, datada por tefra e radiocarbono em cerca de 5.500–5.000 anos atrás; a de Mugumamp tem pelo menos 4.000 anos. As três não são contemporâneas, e os autores veem nelas continuidade da técnica por milênios. Em Kuk, a subfase tardia traz canais retos e fundos e valas que anunciam as redes retilíneas da fase 3; Kana e Ruti têm evidência provisória. (Denham et al. 2017)

Fontes

  1. Denham, Tim; Golson, Jack; Hughes, Philip (2017). "Phase 2: Mounded Cultivation During the Mid Holocene". Em: Golson, J.; Denham, T.; Hughes, P.; Swadling, P.; Muke, J. (org.). Ten Thousand Years of Cultivation at Kuk Swamp in the Highlands of Papua New Guinea (Terra Australis 46). Canberra: ANU Press. DOI 10.22459/TA46.07.2017.12. http://press-files.anu.edu.au/downloads/press/n2540/pdf/ch12.pdf (PDF e texto bruto lidos em 29/10/2026). Acessar
  2. Lentfer, Carol J. (2009). "Tracing Domestication and Cultivation of Bananas from Phytoliths: An update from Papua New Guinea". Ethnobotany Research and Applications 7: 247–270. https://ethnobotanyjournal.org/index.php/era/article/view/388 (PDF e texto bruto lidos em 29/10/2026). Acessar

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