Nan Madol
construção monumental desde 1180–1200 (McCoy et al. 2016); palácios, templos e tumbas de 1200 a 1500 (UNESCO) · Pacífico
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Mais de cem ilhotas artificiais, erguidas com basalto colunar e blocos de coral numa laguna junto à costa sudeste de Pohnpei, na Micronésia. Foi centro cerimonial, administrativo e funerário da dinastia Saudeleur e capital da ilha. O coral da tumba do primeiro chefe de toda a ilha data o início da construção monumental de 1180–1200, antes de outras ilhas da Oceania, onde ela começou entre 1300 e 1600. O sítio segue ligado às tradições de Pohnpei e à autoridade do Nahnmwarki, chefe tradicional.
Das viagens fundadoras aos Saudeleur
O dossiê de candidatura dos Estados Federados da Micronésia (2015) lembra que a Micronésia oriental foi povoada há cerca de 2.500 a 2.000 anos e que, em Pohnpei, a história da ilha se conserva por transmissão oral, registrada também por escrito desde o contato com europeus, entre outros por Luelen Bernart. As versões variam, mas concordam em quatro períodos: o das pessoas, o dos Saudeleur, o dos Nahnmwarki e o dos estrangeiros. No primeiro, a sétima de uma série de viagens veio de Katau Peidi, terra a oeste, guiada pelos irmãos Olosihpa e Olosohpa, que fundaram um culto chamado pwongin sapw, "adoração da terra", e chegaram a Madolenihmw, onde, com a ajuda de toda a ilha, ergueram ilhotas sobre o recife. Nan Madol quer dizer "entre os intervalos", os espaços entre as casas. Quando Olosihpa morreu, Olosohpa tornou-se o primeiro senhor da ilha inteira, com o título de Saudeleur, "senhor de Deleur". O número de Saudeleur varia de oito, em Bernart, a 17; os primeiros são lembrados como bons governantes, e o tributo das primícias ao chefe, criado então, continua até hoje. (Federated States of Micronesia)
Isokelekel e os Nahnmwarki
Pela tradição, os Saudeleur seguintes se tornaram cruéis e gananciosos. O último prendeu em Nan Madol o deus do trovão, Nahn Sapwe, que fugiu para Katau Peidak, terra a leste; ali nasceu Isokelekel, que velejou para Pohnpei com 333 companheiros e venceu os Saudeleur numa série de batalhas (dossiê de 2015). Ordenado primeiro Nahnmwarki, chefe supremo de Madolenihmw, ele se instalou em Nan Madol, mas não manteve o domínio sobre a ilha toda; seu filho Nahlepenien foi o primeiro Nahnken, o que criou duas linhas de chefia, uma sagrada e outra secular, e Pohnpei se dividiu em cinco chefaturas, sistema ainda em vigor. Histórias orais de Pohnpei e de Kosrae apontam Kosrae como Katau Peidak; lá o herói se chama Nanparatak e tem destinos diferentes conforme a versão. Os Nahnmwarki de Madolenihmw traçam sua linhagem até Isokelekel. Na arqueologia, a queda dos Saudeleur corresponde ao fim da construção megalítica, por volta de 1500 a 1600; Nan Madol foi residência dos Nahnmwarki até algum momento do século XVIII e, no XIX, quase só servia a cerimônias religiosas. (Federated States of Micronesia)
Basalto colunar sobre o recife
A UNESCO descreve mais de cem ilhotas com muros de basalto e blocos de coral, com restos de palácios, templos, túmulos e áreas residenciais, e destaca as colunas de basalto trazidas de pedreiras de outras partes da ilha e assentadas em fiadas alternadas, de topo e de comprido. Pelo dossiê, as 99 ilhotas com nome ocupam cerca de 1,5 km por 0,7 km. A tradição divide o conjunto em Madol Powe, a parte alta, com 60 ilhotas e residências de sacerdotes, e Madol Pah, a parte baixa, com 34 ilhotas e a sede dos Saudeleur. Em Nandowas, muros de até 8,1 m cercam três grandes túmulos reais; em Pahnkedira ficavam a residência do Saudeleur e o templo de Nankieilmwahu. McCoy et al. (2016) dataram por urânio-tório o coral do túmulo do primeiro chefe de toda a ilha e rastrearam a origem do basalto. Comer et al. (2019) identificaram por LiDAR, na vizinha ilha Temwen, um sistema irrigado de cultivo, o primeiro nas Carolinas centrais e orientais; se for da época dos Saudeleur, abrirá caminho para estudar a base econômica do domínio regional de Nan Madol. (UNESCO, lista nº 1503; Federated States of Micronesia; McCoy et al. 2016; Comer et al. 2019)
Pesquisa colonial num lugar sagrado
Howes (2022) abre seu estudo com um relato do historiador Ehrlich: em abril de 1907, o governador alemão Viktor Berg cavou em Pahnkedira em busca de ossos dos Saudeleur, contra os protestos da família de sua companheira, Kedinsairirin, do clã governante de Madolenihmw; naquela noite ouviu-se uma trombeta de concha vinda do local, Berg morreu no dia seguinte, e os pohnpeianos atribuem a morte a uma retribuição espiritual, riahla. Em 1910, Paul Hambruch pesquisou Nan Madol pela Expedição dos Mares do Sul de Hamburgo, pensada também para servir ao domínio colonial. Em setembro ruiu o canto de Sokehs de Pahnkedira, presságio de desgraça para aquela região; em outubro o povo de Sokehs se levantou contra os alemães, que esmagaram o levante e exilaram a população para Palau. Hambruch via a sociedade pohnpeiana por hierarquias raciais sem base em evidência, mas dependia do tradutor Ettekar e do nahlaimw de Madolenihmw, que, na leitura de Howes, orientou a pesquisa e as tradições registradas a favor de sua posição. Para a autora, Nan Madol segue como paisagem disputada. (Howes 2022)
Proteção costumeira e um sítio em perigo
Segundo a UNESCO, Nan Madol tem proteção federal e estadual, a Constituição dos Estados Federados da Micronésia reconhece os interesses costumeiros dos chefes tradicionais e o sítio é protegido pelo costume sob o Nahnmwarki de Madolenihmw. Inscrito em 2016, entrou ao mesmo tempo na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, sobretudo pelo assoreamento dos canais, que favorece o avanço do mangue e solapa as construções. O dossiê relata que o Nahnmwarki foi consultado em janeiro de 2015 sobre a zona de amortecimento e a gestão, que todo novo Nahnmwarki de Madolenihmw passa a morar na ilha Temwen e que, segundo moradores, o assoreamento cresceu depois do aterro que ligou Temwen à ilha principal. (UNESCO, lista nº 1503; Federated States of Micronesia)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Nan Madol: Ceremonial Centre of Eastern Micronesia", lista nº 1503. https://whc.unesco.org/en/list/1503/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
- McCoy, M. D.; Alderson, H. A.; Hemi, R.; Cheng, H. et al. (2016). "Earliest direct evidence of monument building at the archaeological site of Nan Madol (Pohnpei, Micronesia) identified using 230Th/U coral dating and geochemical sourcing of megalithic architectural stone". Quaternary Research 86: 295–303. DOI 10.1016/j.yqres.2016.08.002. Acessar
- Federated States of Micronesia, "Nan Madol: Ceremonial Centre of Eastern Micronesia. As nominated by the Federated States of Micronesia for inscription on the World Heritage List" (dossiê de candidatura, 2015). https://whc.unesco.org/uploads/nominations/1503.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Howes, H. (2022). "Shell trumpets sounding in the stone city: Paul Hambruch and Nan Madol". In: Howes, H.; Jones, T.; Spriggs, M. (org.). Uncovering Pacific Pasts: Histories of Archaeology in Oceania. ANU Press, p. 241–256. ISBN 9781760464868. DOI 10.22459/UPP.2021.16. Acessar
- Comer, D. C.; Comer, J. A.; Dumitru, I. A.; Ayres, W. S. et al. (2019). "Airborne LiDAR Reveals a Vast Archaeological Landscape at the Nan Madol World Heritage Site". Remote Sensing 11(18): 2152. DOI 10.3390/rs11182152. Acessar
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