Caverna de Misliya: Homo sapiens fora da África
pelo menos 177 mil anos atrás (idade mínima provável do fóssil) · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Caverna no Monte Carmelo, no Levante, onde foi achado um fragmento de maxilar superior humano com quase todos os dentes, junto a fogueiras, ferramentas de pedra e ossos de animais. Com idade provável de pelo menos 177 mil anos, é o membro mais antigo do grupo do Homo sapiens achado fora da África; os autores propõem que humanos modernos saíram do continente mais de 55 mil anos antes do que se estimava (cerca de 120 mil anos).
As datas do maxilar
Hershkovitz et al. (2018) dataram o fóssil e o sítio por diferentes métodos e chegaram a idades entre c. 177 mil e 194 mil anos. A faixa é coerente, segundo os autores, com estudos genéticos que propõem uma dispersão de humanos modernos para fora da África por volta de 220 mil anos atrás. No mesmo contexto, a tecnologia Levallois já aparece plenamente desenvolvida. Até então, os restos de Skhul e Qafzeh, também no Levante, com c. 90 mil a 120 mil anos, eram as referências para a presença de Homo sapiens na região. (Hershkovitz et al. 2018)
A passagem para o Paleolítico Médio
Antes do achado do maxilar, uma equipe de instituições francesas e israelenses, que já incluía Hershkovitz, publicou o estudo de Valladas et al. (2013), que datou por termoluminescência 32 sílex queimados da caverna. O Paleolítico Médio inicial de Misliya ficou entre c. 250 mil e 160 mil anos, e o fim do Acheulo-Yabrudiano, a indústria anterior, por volta de 250 mil anos, no final do estágio isotópico marinho 8. Os autores levantam a hipótese de que a mudança técnica tenha acompanhado a chegada de uma nova população. O título do artigo apresenta Misliya como uma janela para a passagem do Paleolítico Inferior ao Médio no Levante. (Valladas et al. 2013)
Quando os humanos modernos saíram da África?
A pergunta dá título ao comentário de Stringer e Galway-Witham (2018), publicado na mesma edição da Science que o artigo de Hershkovitz et al. Para eles, o fóssil de Misliya, com cerca de 180 mil anos, é indício de incursões precoces do Homo sapiens na Ásia ocidental. Hershkovitz et al., por sua vez, propõem que a saída do continente começou bem antes do que se estimava. (Stringer e Galway-Witham 2018; Hershkovitz et al. 2018)
Fontes
- Hershkovitz, I.; Weber, G. W.; Quam, R.; Duval, M. et al. (2018). "The earliest modern humans outside Africa". Science 359: 456–459. DOI 10.1126/science.aap8369. Acessar
- Valladas, H.; Mercier, N.; Hershkovitz, I.; Zaidner, Y. et al. (2013). "Dating the Lower to Middle Paleolithic transition in the Levant: A view from Misliya Cave, Mount Carmel, Israel". Journal of Human Evolution 65(5): 585–593. DOI 10.1016/j.jhevol.2013.07.005. Acessar
- Stringer, C.; Galway-Witham, J. (2018). "When did modern humans leave Africa?". Science 359(6374): 389–390. DOI 10.1126/science.aas8954. Acessar
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