Bovinos de porte reduzido no alto Eufrates e no alto Tigre (oitavo milênio a.C.): o fenótipo doméstico e o manejo anterior
Início a meados do oitavo milênio a.C. (PPNB Médio, 8000–7500 a.C. cal na tabela do artigo), em Mezraa-Teleilat; a data tradicional de c. 8500 a.C. (PPNB Antigo) para o gado doméstico no Eufrates é a que os autores contestam · Mesopotâmia e Levante, Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Segundo Arbuckle e Kassebaum (2021), a primeira redução em larga escala do porte do gado bovino na região do Eufrates aparece em Mezraa-Teleilat, no sudeste da Turquia, no início a meados do oitavo milênio a.C. (PPNB Médio). Mudanças de porte e de forma dos chifres também são registradas no alto Tigre e na bacia de Damasco no mesmo milênio, o que os autores ligam ao aumento do pastoreio de caprinos e à rede de contatos do PPNB. Eles argumentam que a data tradicional de c. 8500 a.C. para o gado doméstico no Eufrates sírio se apoia em mudanças sutis demais, e que o manejo de auroques deve ter precedido a mudança de fenótipo.
Onde e quando o porte diminui
Para o Eufrates, os autores tomam como referência o intervalo interquartil do índice de tamanho (LSI) dos auroques de Mureybet. A primeira redução em larga escala, quando a mediana cai abaixo desse intervalo, está em Mezraa-Teleilat, na parte turca do rio, no início a meados do oitavo milênio a.C., e o porte continua a cair no PPNB Tardio e no Neolítico com cerâmica. Em Dja'de e em Shillourokambos (Chipre), no PPNB Antigo, as populações seriam semelhantes às dos auroques de Mureybet, Jerf el-Ahmar, Göbekli Tepe e do Levante meridional. No Levante meridional, bovinos menores aparecem em alguns sítios do PPNB Médio, como Yiftahel e Basta. (Arbuckle)
Çayönü e a Anatólia central
No Çayönü Tepesi, no alto Tigre, os ossos de Bos são abundantes desde o PPNA, de porte grande e com predomínio de fêmeas de auroque. Indivíduos menores, 'domésticos', aparecem ali pela primeira vez no PPNB Médio. Na fase seguinte, por volta de 7500 a.C., o gado atinge a abundância máxima mas é fenotipicamente idêntico aos auroques do PPNA, e uma redução 'permanente' só se vê por volta de 7000 a.C., no PPNB Tardio, segundo Hongo e colegas (2009), citados pelos autores. Na Anatólia central, em Aşıklı e Musular, o porte no oitavo milênio é comparável ao dos auroques do Eufrates, e o fenótipo doméstico só é documentado em Çatalhöyük em meados do sétimo milênio a.C. (Arbuckle)
Manejo antes da mudança de fenótipo
Os autores supõem que o manejo de bovinos de aspecto selvagem já existia nas aldeias do décimo e do início do nono milênio a.C., talvez até no Younger Dryas, em lugares com muitos restos de auroque, como Mureybet, Qarassa 3, Tell Qaramel, Göbekli Tepe, Körtik Tepe e Boncuklu. Seriam práticas de pequena escala, aplicadas de modo descontínuo e complementares à caça. Em Kfar HaHoresh, dados isotópicos (Makarewicz e colegas, 2016, citados) sugerem que bovinos de aspecto selvagem foram alimentados e talvez cercados. Para identificar essas práticas, os autores propõem isótopos, genomas antigos e a busca de evidência geomorfológica de currais fora do povoado. (Arbuckle)
Fontes
- Arbuckle, Benjamin S.; Kassebaum, Theo M. "Management and domestication of cattle (Bos taurus) in Neolithic Southwest Asia". Animal Frontiers, v. 11, n. 3, 2021. DOI 10.1093/af/vfab015. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8214434/ . Lido em texto bruto (XML do Europe PMC) em 30/10/2026; afiliação dos autores: Department of Anthropology, University of North Carolina at Chapel Hill. Acessar
Na mesma região
- Basta (sul da Jordânia): megassítio do Neolítico Pré-Cerâmico B tardio (c. 7540–7040 a.C. cal.) e o sinal de casamento dentro do grupo c. 7540–7040 a.C. calibrados (seis amostras de radiocarbono, segundo Alt et al. 2013)
- Rebanhos de ovinos e caprinos em Abu Hureyra (fase 2B, c. 9300–8000 cal BP) e o indício das esférulas de esterco c. 9300–8000 cal BP (1950 − AP = c. 7350–6050 a.C.): fase Neolítica 2B de Abu Hureyra, segundo a cronologia do artigo de Smith e colegas (2022)
- Ba'ja (sul da Jordânia): o sepultamento C10:408, com maça quebrada e ornamentos importados, e o debate sobre liderança no PPNB tardio (c. 7071–6684 a.C. cal.) c. 7071–6684 a.C. cal. (95,4%) para o uso da área como local de sepultamento; o enterro C10:408, por carvão, 7071–6830 a.C. cal. (Benz et al. 2019)
- Cultura Halaf (c. 6100–5300 a.C.): aldeias do norte da Mesopotâmia e suas cenas figuradas c. 6100 a 5300/5100 a.C., segundo İpek, Şan e Eksik (2024) citando Akkermans e Schwartz (2003); o artigo não diz se as datas são calibradas
- Edifício queimado V6 de Tell Sabi Abyad (c. 6050 a.C.): um incêndio proposital e o sepultamento de uma jovem c. 6050–6020 a.C. calibrados (melhor data, segundo Akkermans e outros 2012); as datas de radiocarbono do edifício vão de c. 6230 a 5880 a.C. a 2 sigma
- Fibras de algodão e fibras vegetais tingidas em Tel Tsaf (vale do Jordão), c. 5200–4700 a.C. cal. c. 5200–4700 a.C. cal. (o artigo diz "ca. 5,200–4,700 cal BC"; "7.200 anos atrás" no resumo); ano astronômico −5199 para o início