Ba'ja (sul da Jordânia): o sepultamento C10:408, com maça quebrada e ornamentos importados, e o debate sobre liderança no PPNB tardio (c. 7071–6684 a.C. cal.)
c. 7071–6684 a.C. cal. (95,4%) para o uso da área como local de sepultamento; o enterro C10:408, por carvão, 7071–6830 a.C. cal. (Benz et al. 2019) · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 2016, a equipe de Ba'ja, aldeia do Neolítico Pré-Cerâmico B tardio no sul da Jordânia, encontrou a sepultura de um adulto jovem, de 25 a 35 anos e com leve indício de ser homem, numa cista de pedra coberta em camadas, com contas de turquesa, anéis de madrepérola e uma maça de rocha ígnea quebrada de propósito. Benz e colegas (2019) veem nele uma pessoa de destaque local, não um chefe hereditário, e usam o caso para discutir como surgiram lideranças no Neolítico. A área de sepultamentos foi usada, segundo a datação por carvão, entre 7071 e 6684 a.C. calibrados.
A cista, as lajes e as camadas de cobertura
A sepultura ocupa o canto noroeste do porão da sala CR 35, onde já havia uma sepultura coletiva e um enterro duplo de crianças. A cova, de cerca de 72 por 60 cm e 50 cm de fundo, cortou o piso de tipo terrazzo até o sedimento natural; duas lajes verticais fixaram a borda sul e um meio círculo baixo de pedras cercou o sul e o leste. Segundo os autores, acendeu-se fogo no piso ao lado durante o rito. Depois de o corpo ser posto com seus pertences, a cova foi coberta por três grandes lajes de arenito ordoviciano, vermelhas e brancas, e por pedras grandes em areia avermelhada. Nessa camada foram deixados um punhal e pontas de flecha de sílex, um pilão, um fragmento de vasilha de pedra e uma espátula de osso. No fim, levou gesso branco. O corpo estava de lado, com as pernas dobradas, talvez originalmente sentado. (Marion Benz)
Contas, anéis e a maça quebrada
Junto à cabeça e ao peito havia ao menos seis contas de turquesa, bastante usadas e algumas recicladas, além de fragmentos de pedra verde (talvez amazonita); uma conta de cornalina, conchas e madrepérola vieram do sedimento peneirado. No braço esquerdo, o morto usava um anel composto, de um anel de madrepérola e quatro de marga (?); no direito, outro anel de madrepérola feito de vários pedaços. Ao lado do ombro esquerdo estava uma maça de rocha ígnea, que não é local, quebrada em duas metades e vários estilhaços por um único golpe forte. Entre os dedos da mão direita havia um mineral de pigmento vermelho, mas os ossos não estavam tingidos de vermelho. (Marion Benz)
Datação, sexo e idade
Duas amostras de carvão de zimbro foram calibradas com OxCal e IntCal13: uma da laje norte da sepultura C10:408 (8039 ± 27 BP; 7071–6830 a.C. cal., 95,4%) e outra de um ramo da sepultura infantil vizinha C10:405 (7928 ± 29 BP; 7028–6684 a.C. cal.). Os autores admitem um possível efeito de madeira velha na primeira, mas julgam a chance baixa, porque as datas se sobrepõem muito; a relação estratigráfica entre as duas sepulturas segue incerta. O desgaste dos molares indica 25 a 35 anos e o osso esponjoso do fêmur é denso, o que sugere adulto jovem. O sexo, a partir de glabela proeminente, dentes grandes e mandíbula robusta, é apenas um leve indício de masculino. (Marion Benz)
Fontes
- Marion Benz, Julia Gresky, Denis Štefanisko, Hala Alarashi, Corina Knipper, Christoph Purschwitz, Joachim Bauer, Hans Georg K. Gebel, "Burying power: New insights into incipient leadership in the Late Pre-Pottery Neolithic from an outstanding burial at Ba'ja, southern Jordan", PLoS ONE 14(8): e0221171, 28 ago. 2019. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0221171 (texto bruto lido em 30/10/2026, a partir de https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371%2Fjournal.pone.0221171 e do texto integral em Europe PMC, PMC6713438) Acessar
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