Edifício queimado V6 de Tell Sabi Abyad (c. 6050 a.C.): um incêndio proposital e o sepultamento de uma jovem
c. 6050–6020 a.C. calibrados (melhor data, segundo Akkermans e outros 2012); as datas de radiocarbono do edifício vão de c. 6230 a 5880 a.C. a 2 sigma · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 2004, a escavação da sondagem V6 de Tell Sabi Abyad, no norte da Síria, expôs um edifício em forma de T, de cerca de 10 por 7 m, inteiramente queimado, do fim do VII milênio a.C. Dentro dele havia o sepultamento de uma jovem de 14 a 20 anos e 371 objetos. Akkermans e colegas (2012) argumentam que o fogo foi ateado de propósito, como parte de um ritual ligado ao fogo e à morte, e situam o episódio por volta de 6050–6020 a.C.
O edifício em T e a sua data
Segundo Akkermans e colegas, o edifício tinha planta em T e media cerca de 10 por 7 m: três fileiras paralelas de cômodos pequenos e, em frente a elas, um cômodo longo e estreito dividido em dois. As paredes, de lajes de argila de até 1 m de comprimento ligadas por argamassa cinza, chegavam a 1,5 m de altura, e os pisos eram de terra batida. Não havia entradas ao nível do chão, exceto uma abertura baixa de cerca de 30 por 45 cm, e os autores supõem acesso por aberturas altas ou pelo teto. Onze datas de radiocarbono do edifício e de seus arredores vão de c. 6230 a 5880 a.C. a 2 sigma, com melhor data em 6050–6020 a.C. e algumas amostras bem mais antigas que eles deixam sem explicação. O sítio, de cinco hectares, tem camadas ocupadas entre c. 7000 e 5800 a.C. (Akkermans et al. 2012)
Os argumentos para um fogo proposital
Os autores comparam o edifício com queimas experimentais de casas de argila de teto plano. Primeiro, a quase ausência de cinzas fora das paredes sugere que o fogo foi contido sob controle. Segundo, havia até 1,10 m de cinzas em alguns pontos, muito mais que num incêndio comum. Terceiro, as paredes estavam sinterizadas por inteiro, sinal de fogo intenso e prolongado. Concluem que o prédio foi entupido de combustível, talvez reabastecido várias vezes, e que o fogo ardeu por muitas horas, se não dias, em temperaturas que estimam entre 500 e 1000 graus. Impressões de caniços no barro queimado indicam que o teto ainda existia, ao menos em parte, quando o fogo começou. Depois do incêndio o edifício não foi limpo nem reocupado: novas estruturas foram erguidas ao redor dele, e os autores o veem como marco visível na vila. (Akkermans et al. 2012)
A jovem sepultada e os 371 objetos
No cômodo 8, ao fundo do edifício, jazia uma jovem de 14 a 20 anos, deitada de lado em posição encolhida, com a cabeça a leste. Sob o crânio havia um pedaço de ocre amarelo e um osso grande de mamífero; a mão repousava sobre metade de uma maça de basalto, objeto raro no sítio. O cômodo parece ter escapado do fogo. Nos demais cômodos, os autores contaram 371 objetos: 142 de pedra polida (entre eles 41 pilões e 39 mós e trituradores), 66 selos e tampas de jarro, 57 fichas de argila e 34 discos perfurados. Só 14 estavam sobre o piso; 57% estavam inteiros ou quase, e não havia um único vaso inteiro. Os autores aplicam à destruição os termos domicídio e domithanasia, de Tringham, para a morte deliberada da casa pelo fogo como forma de reforçar ou romper a continuidade do lugar. (Akkermans et al. 2012)
Fontes
- Akkermans, Peter M. M. G.; Brüning, Merel; Hammers, Neeke; Huigens, Harmen; Kruijer, Lennart; Meens, Anna; Nieuwenhuyse, Olivier; Raat, Andrea; Rogmans, Esther F.; Slappendel, Corijanne; Taipale, Sofia; Tews, Sophie; Visser, Eva (2012). "Burning down the house: the burnt building V6 at Late Neolithic Tell Sabi Abyad, Syria". In: Bakels, Corrie; Kamermans, Hans (orgs.), The End of Our Fifth Decade, Analecta Praehistorica Leidensia 43/44, pp. 307–324. Leiden: Faculty of Archaeology, Leiden University. Lido em https://hdl.handle.net/1887/4291985 (texto bruto), em 29/10/2026. Acessar
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