Tratado de Waitangi / Te Tiriti o Waitangi
1840 · Pacífico
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Tratado de 1840 entre a Coroa britânica e diversos chefes māori de Aotearoa Nova Zelândia. Sua interpretação está no centro da história política do país até hoje.
He Whakaputanga, a declaração de 1835
Segundo o relatório Wai 1040 do Tribunal de Waitangi (2014), a relação com a Coroa começou bem antes de 1840: em 1831, cerca de 13 rangatira (chefes) do norte pediram ao rei Guilherme IV proteção contra uma temida invasão francesa; em 1832 a Grã-Bretanha nomeou um residente, James Busby; em 1834, numa reunião em Waitangi, rangatira da Baía das Ilhas e de Hokianga adotaram uma bandeira nacional. Em 28 de outubro de 1835, 34 rangatira assinaram He Whakaputanga o te Rangatiratanga o Nu Tireni, tradução missionária de um texto de Busby conhecido em inglês como Declaração de Independência da Nova Zelândia, em resposta ao aventureiro Charles de Thierry, que dizia ter adquirido soberania em Hokianga. Para o Tribunal, a declaração afirmou que rangatiratanga, kīngitanga e mana sobre seus territórios cabiam só a eles, em nome de seus hapū, e pediu ao rei proteção contra ameaças estrangeiras. Observadores britânicos a julgaram um fracasso porque o legislativo supremo previsto no texto inglês nunca funcionou; o Tribunal vê nela uma afirmação inequívoca de uma autoridade que, no terreno, continuou em vigor. (Waitangi Tribunal 2014)
Hobson, a Companhia e os dias de fevereiro
O Tribunal conclui que o fator decisivo para a escolha britânica foi a ação da New Zealand Company, que em maio de 1839 fez partir seus navios; Londres despachou William Hobson com instruções de obter, ao menos na Ilha do Norte, o consentimento informado dos māori a um tratado. Hobson chegou à Baía das Ilhas em 29 de janeiro de 1840; nos primeiros dias de fevereiro o texto inglês foi redigido, Busby inseriu nele a garantia de terras, florestas e pescas, e o missionário Henry Williams o traduziu para o māori. Em 6 de fevereiro, entre 43 e 46 rangatira assinaram te Tiriti em Waitangi; seis assinaram em Waimate dias depois e cerca de 64 em Mangungu, em Hokianga, em 12 de fevereiro (Tribunal de Waitangi 2014). Cópias circularam pelo país e, até o fim do ano, mais de 500 māori, 13 deles mulheres, haviam assinado; a folha em inglês só foi assinada em Waikato Heads e em Manukau, por 39 rangatira. Em maio de 1840, Hobson proclamou a soberania britânica sobre a Ilha do Norte com base na cessão pelo tratado e sobre a do Sul por outro fundamento. (Waitangi Tribunal 2014; Waitangi Tribunal)
Kāwanatanga, rangatiratanga e taonga
Os dois textos não dizem o mesmo, e a Lei do Tratado de Waitangi de 1975 manda o Tribunal decidir as questões criadas pelas diferenças. No artigo 1 do texto inglês, os chefes cedem a "sovereignty"; no māori, dão à rainha te kawanatanga katoa, o governo, termo transliterado de "governance" que os māori conheciam do Novo Testamento e do governador de Nova Gales do Sul, o Kawana. No artigo 2, o inglês garante a posse de terras, florestas e pescas e dá à Coroa o direito exclusivo de preempção; o māori promete o tino rangatiratanga sobre terras, aldeias e todos os taonga, e fala só em hokonga, compra e venda de terra a preço combinado. Na tradução de Hugh Kawharu, ex-membro do Tribunal, o artigo 2 protege o "exercício irrestrito" da chefia, e taonga abrange todo o patrimônio de um grupo, material e imaterial, das relíquias aos lugares sagrados e às genealogias; para ele, os signatários não poderiam entender kāwanatanga como soberania. O artigo 3 estende aos māori os direitos dos súditos britânicos. (Waitangi Tribunal; Waitangi Tribunal)
Uma soberania que não foi cedida
O painel do inquérito Te Paparahi o Te Raki, presidido pelo juiz Craig Coxhead e integrado, entre outros, por Ranginui Walker, foi o primeiro a ouvir reivindicações históricas completas dos descendentes dos rangatira que assinaram em fevereiro de 1840. Sua conclusão, em 2014: esses rangatira não cederam sua soberania, isto é, a autoridade de fazer e aplicar leis sobre seu povo e seus territórios. Concordaram em partilhar poder com o governador, numa relação de iguais com papéis distintos: os rangatira manteriam a autoridade sobre seus hapū, e Hobson controlaria os Pākehā, os colonos. Talvez tenham aceitado a proteção britânica contra ameaças estrangeiras, mas para resguardar sua independência. Embora a Grã-Bretanha pretendesse legislar também para os māori, Hobson não explicou isso. O Tribunal diz que estudiosos māori e pākehā de destaque já sustentavam visões parecidas havia uma geração e ressalva que o relatório trata só de fevereiro de 1840, sem conclusões sobre a soberania que a Coroa exerce hoje. (Waitangi Tribunal 2014)
Fontes
- Orange, C. (2011). The Treaty of Waitangi. Bridget Williams Books. DOI (capítulo 'The Treaty at Waitangi') 10.7810/9781877242489_3.
- Walker, R. (1990). Ka Whawhai Tonu Matou. Penguin Books. ISBN 9780140132403.
- Waitangi Tribunal (2014). He Whakaputanga me te Tiriti / The Declaration and the Treaty: The Report on Stage 1 of the Te Paparahi o Te Raki Inquiry (Wai 1040). Legislation Direct. ISBN 9781869563080.
- Waitangi Tribunal, "About the treaty". https://www.waitangitribunal.govt.nz/en/about/the-treaty/about-the-treaty (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Waitangi Tribunal, "Māori and English texts" (textos do Treaty of Waitangi Act 1975 e tradução de I. H. Kawharu). https://www.waitangitribunal.govt.nz/en/about/the-treaty/maori-and-english-versions (consultado em 07/10/2026). Acessar
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