Atlas da História

Guerras espanhol-chamorro (Marianas, 1668–1698)

1668–1698 (Montón-Subías 2019); o Wikidata dá 1670–1699 · Pacífico

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Nome dado ao período de 1668 a 1698 em Guam e nas Marianas, quando a colônia espanhola nasceu como missão jesuíta de Diego Luis de San Vitores. Segundo Montón-Subías, foi quando os Chamorro sofreram as mudanças mais profundas: a população foi concentrada à força em reducciones a partir do início da década de 1680 e as escolas das missões passaram a moldar homens e mulheres. O termo "guerras" é contestado por Hezel (2015), que vê menos violência física do que ele sugere.

Um nome em disputa

Montón-Subías (2019) restringe o seu estudo aos anos de 1668 a 1698, que ela diz serem "conhecidos como" guerras espanhol-chamorro. Observa que o conceito foi revisto por Hezel (2015), para quem a violência colonial ficou longe da grandiosidade que o nome sugere, e as Marianas foram vistas como caso atípico e mais frouxo de colonialismo, com poucos jesuítas e soldados. Ela responde que, mesmo que a violência física tenha sido limitada, não se deve perder de vista a violência ontológica que desfez os modos de vida e de ser dos Chamorro. O Wikidata registra o período como 1670–1699; a autora e o artigo de 2025 usam 1668, ano da chegada da missão, até 1698. (Montón-Subías 2019; Montón-Subías e Trelliso Carreño 2025)

Reducciones, escolas e "casas públicas"

Segundo Montón-Subías (2019), a reducción, concentração forçada da população, começou a ser aplicada no início da década de 1680, com base na experiência de outras áreas do império, e no fim do século a maior parte da população das Marianas havia sido reassentada no sul de Guam. As fontes escritas dizem que antes se vivia em aldeias pequenas ou médias espalhadas pelas ilhas, com mais casas junto ao litoral. A autora trata também das escolas das missões, apresentadas como lugares que "engendravam" os homens e as mulheres por vir, e da extinção contestada das "casas públicas", que as fontes comparavam aos seminários. Moral de Eusebio (2016, citada, não lida) propõe enquadrar os conflitos em torno da queima de escolas, igrejas e casas públicas como "conflito etno-sexual". (Montón-Subías 2019)

O que as fontes escritas dizem do trabalho antes da missão

Para medir o que mudou, Montón-Subías (2019) resume o que as fontes escritas dizem da divisão de tarefas antes da missão: as mulheres cuidavam das crianças pequenas, cozinhavam, coletavam moluscos e teciam, e tinham papel central como carpideiras nos funerais; os homens construíam canoas, faziam instrumentos de pesca, pescavam em mar aberto, faziam comércio entre ilhas e participavam de guerras esporádicas. Ela ressalva que a organização social, inclusive a descendência matrilinear, é um tema debatido na historiografia: vários estudiosos admitem a matrilinearidade, mas as implicações não são claras. O argumento do artigo é que a política jesuíta sobre casamento, escola e espaço doméstico foi uma política sexual que criou outro sistema de sexo e gênero. (Montón-Subías 2019)

San Dionisio, em Humåtak

Montón-Subías e Trelliso Carreño (2025) escavaram, em 2017, 2018 e 2019, a igreja e o cemitério de San Dionisio, em Humåtak, Guåhan, no projeto Aberigua. Segundo o jesuíta Francisco García (1683), a igreja paroquial começou a ser construída em 1680 e foi consagrada em 1681; um documento de 1676 sugere que já podia existir uma igreja ali. Foram identificados 19 sepultamentos primários e dez conjuntos de ossos desarticulados e misturados, que as autoras julgam em parte depositados de propósito, talvez enterros secundários. Uma mudança na política do órgão estadual de preservação limitou a escavação depois da campanha de 2019. A análise macroscópica dos ossos foi a única feita em laboratório. (Montón-Subías e Trelliso Carreño 2025)

Fontes

  1. Montón-Subías, Sandra (2019). "Gender, Missions, and Maintenance Activities in the Early Modern Globalization: Guam 1668–98". International Journal of Historical Archaeology 23: 404–429. Publicado em linha em 13/08/2018. DOI 10.1007/s10761-018-0470-5. Texto integral lido em 03/11/2026 (PDF de acesso aberto, extraído em texto bruto). Acessar
  2. Montón-Subías, Sandra; Trelliso Carreño, Laura (2025). "The Colonization of Death in the Mariana Islands and the Cemetery of San Dionisio at Humåtak, Guåhan". International Journal of Historical Archaeology 29: 528–553. Publicado em linha em 11/01/2025. DOI 10.1007/s10761-024-00763-5. Texto integral lido em 03/11/2026 (PDF de acesso aberto, extraído em texto bruto). Acessar

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