Pirâmide de Quéops
c. 2560 a.C. (Wikidata) · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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A mais antiga e a maior das três pirâmides da necrópole de Gizé, construída no Império Antigo egípcio. Sua escala supõe um Estado capaz de mobilizar trabalho e recursos em larga escala.
O diário de Merer, achado num porto do mar Vermelho
Em 2013, a missão que escava desde 2011 o porto faraônico de Uadi el-Jarf, no litoral egípcio do mar Vermelho, encontrou papiros do fim do reinado de Quéops. Segundo Pierre Tallet (2017), que os publicou, são os papiros hieráticos mais antigos achados até hoje. O porto servia, no início da 4ª dinastia, às expedições que buscavam turquesa e cobre nas minas do Sinai. O documento mais conhecido do lote é o diário de um inspetor chamado Merer, que registra o trabalho de sua equipe no transporte de blocos de calcário das pedreiras de Tura até Akhet-Khufu, em Gizé. É um registro da obra feito do ponto de vista de quem a executava, e não do rei. (Tallet 2017)
Quarenta homens, barcos e blocos de calcário
O diário descreve uma equipe de cerca de 40 homens e cobre de três a cinco meses de atividade. Pelos cálculos de Tallet (2017), cada viagem levava uns 30 blocos, de 70 a 80 toneladas no total, com média de 2,5 toneladas por bloco; isso daria mais de 200 blocos por mês e cerca de mil por estação. A rota passava por She-Khufu, o lago de Quéops, e por Ro-She Khufu, centro administrativo dirigido pelo vizir Ankhhaf, meio-irmão do rei. As pedreiras de Tura somam umas 50 frentes de extração ao longo de 7 km e ficam hoje em zona militar. Tallet considera o documento possivelmente o diário de bordo mais antigo conhecido. (Tallet 2017)
Um braço do Nilo que chegava a Gizé
A logística descrita por Merer dependia da água. Sheisha et al. (2022) reconstruíram, com pólen de cinco sondagens e 61 tipos de plantas, a história de um braço do Nilo hoje extinto, o braço de Khufu; o complexo portuário das pirâmides fica a mais de 7 km do rio atual. Segundo o estudo, o fim local do Período Úmido Africano veio por volta de 3550 a.C. (± 80 anos), o nível do braço atingiu o auge c. 2950 a.C. e começou a cair no período dinástico inicial. No Império Antigo, ele ainda ficava em cerca de 40% do máximo do Holoceno, o que, para os autores, facilitou o transporte de pedra; o primeiro nível baixo registrado é de c. 2225 a.C. O artigo, com autores do Egito, da França e da China, cita o diário de Merer para lembrar que Tura fica a cerca de 17 km de Gizé. (Sheisha et al. 2022)
Fontes
- Shaw, I. (org.) (2000). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press. DOI 10.1093/oso/9780198150343.001.0001; ISBN 9780198150343. Acessar
- Tallet, P. (2017). Les papyrus de la mer Rouge I: le « journal de Merer » (papyrus Jarf A et B). Institut français d'archéologie orientale (MIFAO 136). ISBN 9782724707069.
- Sheisha, H.; Kaniewski, D.; Marriner, N.; Djamali, M. et al. (2022). "Nile waterscapes facilitated the construction of the Giza pyramids during the 3rd millennium BCE". Proceedings of the National Academy of Sciences 119(37): e2202530119. DOI 10.1073/pnas.2202530119. Acessar
Na mesma região
- Sítios arqueológicos da Ilha de Meroé (Reino de Kush) séc. VIII a.C. a séc. IV d.C. (UNESCO)
- Início da cultura badariana no Alto Egito (modelo bayesiano: 4489–4266 a.C.): pastores do Neolítico final sepultados em covas, com corpos envoltos em linho e resinas início em 4489–4266 a.C. e fim em 3896–3616 a.C. (faixas de 95% de densidade posterior do modelo de Dee et al. 2013, com 20 datações); na faixa de 68%, 4407–4308 e 3800–3667 a.C.
- Cerâmica do Neolítico de Shaheinab (Esh-Shaheinab, Sudão central), c. 4774–4171 cal a.C.: decoração com pente e carimbo, pastas de quartzo e leite em três vasos datas de concha da ocupação neolítica, reescavada em 1979–1980: 4774–4363, 4656–4352 e 4611–4171 cal a.C. (OxCal 4.4, 95,4%), segundo D'Ercole e colegas (2024), que situam o Neolítico de Shaheinab em 4700–4200 a.C. Ano astronômico −4773 a −4170
- Mulher de Takarkori (TK RS H1, ou TKH001), de 30 a 40 anos, naturalmente mumificada e sepultada no abrigo líbio entre c. 5209 e 4846 a.C.: seu DNA mostra uma linhagem norte-africana antes desconhecida datada diretamente em 6090 ± 60 anos BP, ou 7159–6797 cal BP (95,4%), segundo Vai e colegas (2019); Salem e colegas (2025) dão 7158–6796 cal BP para o mesmo indivíduo. Ano astronômico −5209 a −4846 (1950 − cal BP). A faixa vale para a morte e o sepultamento; nascimento desconhecido (tinha 30 a 40 anos ao morrer)
- Ritual de abate e deposição de gado em monumentos de pedra do Messak (sudoeste da Líbia, c. 5200–3800 a.C.): restos de bovinos e de ovelhas ou cabras, muitas vezes queimados, guardados em ‘corbeilles’ c. 5200–3800 a.C. (6080–5120 BP não calibrado, segundo di Lernia et al. 2013); a estrutura datada mais antiga, 00/301, dá 5216–4796 cal a.C. (95,4%)
- Trigo e cevada do Oriente Próximo no cemitério R12 (Núbia, norte do Sudão), c. 5311–5066 cal a.C.: fitólitos datados sob o crânio de uma sepultura e amidos no cálculo dentário de Ghaba fitólitos da sepultura 46 de R12 datados diretamente em 6240 ± 40 BP, ou 5311–5066 cal a.C. (95%; Beta-351736), segundo Madella e colegas (2014). Ano astronômico −5310 a −5065. Os outros dois depósitos datados, de Ghaba, dão 5620–5480 e 4730–4540 cal a.C., e são de gramíneas silvestres