Atlas da História

Pirâmide de Quéops

c. 2560 a.C. (Wikidata) · África do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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A mais antiga e a maior das três pirâmides da necrópole de Gizé, construída no Império Antigo egípcio. Sua escala supõe um Estado capaz de mobilizar trabalho e recursos em larga escala.

Gizé (necrópole de Mênfis): pirâmide de Quéops
Fotografia do século XIX feita por um viajante francês durante expedição ao Egito. Mostra a pirâmide como ruína monumental vista de fora, com o olhar de interesse arqueológico e de exotismo comum à época. Gizé (necrópole de Mênfis): pirâmide de Quéops, Félix Teynard (fotógrafo francês), 1851–52, impresso em 1853–54. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Fragmento de relevo com o gado do rei Khufu
Relevo em calcário do tempo do rei Khufu (Quéops), o mesmo Estado que construiu a grande pirâmide. A cena do rebanho do rei lembra a economia agrícola que sustentava a mobilização de trabalho nas obras. Fragmento de relevo com o gado do rei Khufu, artistas egípcios não identificados, c. 2551–2528 a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

O diário de Merer, achado num porto do mar Vermelho

Em 2013, a missão que escava desde 2011 o porto faraônico de Uadi el-Jarf, no litoral egípcio do mar Vermelho, encontrou papiros do fim do reinado de Quéops. Segundo Pierre Tallet (2017), que os publicou, são os papiros hieráticos mais antigos achados até hoje. O porto servia, no início da 4ª dinastia, às expedições que buscavam turquesa e cobre nas minas do Sinai. O documento mais conhecido do lote é o diário de um inspetor chamado Merer, que registra o trabalho de sua equipe no transporte de blocos de calcário das pedreiras de Tura até Akhet-Khufu, em Gizé. É um registro da obra feito do ponto de vista de quem a executava, e não do rei. (Tallet 2017)

Quarenta homens, barcos e blocos de calcário

O diário descreve uma equipe de cerca de 40 homens e cobre de três a cinco meses de atividade. Pelos cálculos de Tallet (2017), cada viagem levava uns 30 blocos, de 70 a 80 toneladas no total, com média de 2,5 toneladas por bloco; isso daria mais de 200 blocos por mês e cerca de mil por estação. A rota passava por She-Khufu, o lago de Quéops, e por Ro-She Khufu, centro administrativo dirigido pelo vizir Ankhhaf, meio-irmão do rei. As pedreiras de Tura somam umas 50 frentes de extração ao longo de 7 km e ficam hoje em zona militar. Tallet considera o documento possivelmente o diário de bordo mais antigo conhecido. (Tallet 2017)

Um braço do Nilo que chegava a Gizé

A logística descrita por Merer dependia da água. Sheisha et al. (2022) reconstruíram, com pólen de cinco sondagens e 61 tipos de plantas, a história de um braço do Nilo hoje extinto, o braço de Khufu; o complexo portuário das pirâmides fica a mais de 7 km do rio atual. Segundo o estudo, o fim local do Período Úmido Africano veio por volta de 3550 a.C. (± 80 anos), o nível do braço atingiu o auge c. 2950 a.C. e começou a cair no período dinástico inicial. No Império Antigo, ele ainda ficava em cerca de 40% do máximo do Holoceno, o que, para os autores, facilitou o transporte de pedra; o primeiro nível baixo registrado é de c. 2225 a.C. O artigo, com autores do Egito, da França e da China, cita o diário de Merer para lembrar que Tura fica a cerca de 17 km de Gizé. (Sheisha et al. 2022)

Fontes

  1. Shaw, I. (org.) (2000). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press. DOI 10.1093/oso/9780198150343.001.0001; ISBN 9780198150343. Acessar
  2. Tallet, P. (2017). Les papyrus de la mer Rouge I: le « journal de Merer » (papyrus Jarf A et B). Institut français d'archéologie orientale (MIFAO 136). ISBN 9782724707069.
  3. Sheisha, H.; Kaniewski, D.; Marriner, N.; Djamali, M. et al. (2022). "Nile waterscapes facilitated the construction of the Giza pyramids during the 3rd millennium BCE". Proceedings of the National Academy of Sciences 119(37): e2202530119. DOI 10.1073/pnas.2202530119. Acessar

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