Atlas da História

Cerâmica de estilo Kansyore no abrigo de Kakapel (oeste do Quênia, bacia do Lago Vitória): os contextos mais antigos, de c. 9300–9000 anos atrás

c. 9300–9000 cal AP (c. 7350–7050 a.C. em ano astronômico) para os contextos mais antigos com cerâmica Kansyore; a fase I do abrigo, de pescadores-coletores com cerâmica, vai de c. 9400 a 3900 cal AP. Datas de radiocarbono calibradas pelos autores com a curva do hemisfério sul (ShCal20). O ano −7350 é o início da faixa e vale como marca no tempo · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Goldstein e colegas (2025) descrevem o abrigo de Kakapel, nas colinas Chelelemuk, no oeste do Quênia, onde os contextos mais antigos com cerâmica do tipo Kansyore datam de cerca de 9300 a 9000 anos calibrados antes do presente, entre os conjuntos Kansyore mais antigos bem datados. Segundo os autores, esse rótulo reúne vasos decorados com incisões, impressões em balanço e pontuações, feitos por grupos de pescadores-coletores que usavam ferramentas de quartzo e viviam em torno do Lago Vitória. Eles lembram que a cronologia do início dessa cerâmica é imprecisa e que pode ter havido mistura de camadas no abrigo.

O abrigo e a escavação

Segundo Goldstein e colegas (2025), Kakapel, do teso Kakapeli, é um inselberg granítico nas colinas Chelelemuk, em Teso Norte, condado de Busia, a cerca de 1.420 m de altitude, na base do monte Elgon e logo fora da bacia de drenagem do Lago Vitória. A erosão formou abrigos de vários tamanhos em torno da rocha. O principal, Kakapel Rockshelter I, fica no lado oeste, sob um abrigo de cerca de 5 m de profundidade, e as camadas arqueológicas são mais densas ali, mas se estendem pelo menos 8 m para fora. Os autores descrevem a sequência bem estratificada em quatro fases, a primeira delas de pescadores-coletores que faziam cerâmica, de c. 9400 a 3900 cal AP. (Goldstein et al. 2025)

A cerâmica

Para os autores, as cerâmicas mais antigas aparecem em estratos de 9000 a 7000 cal AP, o que concorda com as datas mais antigas das cerâmicas dos pescadores-coletores da margem do Lago Vitória. Até c. 2200 cal AP, todos os fragmentos decorados lembram os motivos Kansyore: incisões, vários estilos de impressão em balanço e pontuações ovais e redondas, além de motivos em treliça semelhantes aos de Usenge I e Wadh Lang'o. Traços curtos incisos na diagonal, abaixo da borda, são comuns só nos contextos mais antigos, e as incisões verticais longas aumentam depois. As poucas bordas são planas, o que pode combinar com vasos abertos em forma de tigela, mas os autores dizem que há poucos fragmentos grandes para afirmar mais. (Goldstein et al. 2025)

Pedra, osso e conchas

Cerca de 98% do conjunto lítico é de quartzo de veio em seixos, em todos os contextos. A obsidiana, que os autores atribuem provavelmente ao Vale do Rift central, aparece em 1,9% a 2,6% das peças do Holoceno inicial à Idade do Ferro antiga, e nos estratos da Idade da Pedra Tardia 20% dessas peças são retocadas, entre elas 11 crescentes com dorso. Para os autores, a maior frequência de obsidiana nas épocas antigas se deve a redes de troca de longa distância que a levavam do Rift central à bacia do Lago Vitória até a Idade do Ferro. Nos contextos de 7426 a 6900 cal AP, a cerâmica é um pouco mais abundante, e bigornas, percutores, ferramentas de osso e contas de concha fazem parte do pacote material, semelhante ao de outros sítios do golfo de Winam. (Goldstein et al. 2025)

Fontes

  1. Goldstein, Steven T.; Mueller, Natalie G.; Finestone, Emma; Sawchuk, Elizabeth A.; Juengst, Sara; Otwani, Anthony Odera; Miller, Jennifer M.; Langley, Michelle C.; Fernandes, Ricardo; Steinhof, Axel; Iminjili, Victor; Chepkorir, Christine; Janzen, Anneke; Ogola, Christine; Ndiema, Emmanuel; Petraglia, Michael; Boivin, Nicole (2025). "Cultural, economic, and settlement shifts over the last 9,000 years at Kakapel Rockshelter, Western Kenya". PLOS ONE 20(8): e0328805. DOI 10.1371/journal.pone.0328805 (resolve em doi.org). Texto obtido via https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC12367187/fullTextXML em 29/10/2026. Acessar

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